Frevo, forró e seleção brasileira animam torcida no Recife
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Frevo, forró e seleção brasileira animam torcida no Recife

Felipe resk

15 de junho de 2013 | 20h35

Vitória do Brasil foi acompanhada, na beira mar, pelos pernambucanos

 

Jogo foi exibido na orla de Boa Viagem (Felipe Resk / Seleção Universitária) 

 

Felipe Resk e Pedro Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

RECIFE – Era um início de tarde comum no Parque Dona Lindu, na orla de Boa Viagem. Diversas crianças corriam de um lado a outro, enquanto skatistas testavam novas manobras e um grupo de adolescentes ajustava os últimos detalhes da coreografia de Korean Pop, ritmo oriental. À primeira vista, nem parecia que a seleção brasileira estava prestes a estrear na Copa das Confederações.

Inaugurado em 2007, o Parque Dona Lindu foi escolhido pela prefeitura do Recife como um dos oito pontos do “Arraiá das Confederações”. Um projeto que une a tradição junina com transmissões das partidas da Seleção. A primeira delas, neste sábado. Brasil e Japão: os dois únicos países confirmados até agora na Copa do Mundo de 2014.

Na medida em que o jogo se aproximava, o público crescia. Mas não muito. Pai, mãe e dois filhos – todos com a camisa verde e amarela – carregavam cadeiras de praia e isopor repleto de cerveja e refrigerante. Faltando meia hora para o início da partida, eles ainda conseguiram encontrar um lugar bem na frente do telão de LED, instalado no parque. A cena passou a mudar a poucos minutos do jogo. De última hora, dezenas de torcedores chegavam com suas bandeiras, bebidas e tira-gostos. Segundo a organização do evento, cerca de 300 pessoas marcaram presença para acompanhar os comandados do técnico Felipão.

O primeiro grito de gol não demorou para irromper da garganta. Logo aos três minutos, Neymar balançou as redes japonesas. A festa ficou completa. Exceto para um casal de jovens, com roupa de praia, que aproveitava a brisa litorânea para curtir um cochilo. Por conta do barulho, só restou à moça apoiar-se nos cotovelos, esfregar lentamente os olhos e, logo depois, se render à seleção.

Foi só a primeira etapa acabar que o frevo começou. Não deu nem tempo de os jogadores descerem para o intervalo. “Vassourinhas”, canção mais executada nos carnavais de Recife e Olinda já ressoava. Na volta para o segundo tempo, um dos torcedores mais animados, o funcionário público Flávio Marques, de 58 anos, era só satisfação. “A abertura da Copa das Confederações não podia ser melhor: com dois países que têm uma bola na bandeira”, comentou. “Falta fazer mais gols”, retrucava o torcedor Paulo Fernandes, de 28 anos. “Se eu fosse o treinador, colocaria Lucas e Elano”, completou. O fato de o meia do Grêmio não ter sido convocado era o de menos.

Quando Paulinho ampliou o placar, no comecinho do segundo tempo, o vendedor de algodão-doce não teve dúvida. “Eu falei o quê? Vai ser 4 a 0!”. Jô ainda marcou o terceiro, e só. Foi por pouco. Mas fica para a próxima partida, diante do México, em Fortaleza. Fim de jogo e início do forró. O coral Águas Passam, o sanfoneiro Gennaro e o cantor Geraldo Azedo fizeram o público arrastar o pé, no Dona Lindu e continuar a festa iniciada pela Seleção.

Comércio

Uma feira de artesanato e culinária esteve à disposição do público que visitou o Parque Dona Lindu. Nos quiosques, foi possível encontrar símbolos de Pernambuco, como o Caboclo de Lança, que ganhou uma “versão” para a Copa das Confederações – 2013. Apesar da iniciativa dos comerciantes, os produtos ainda não decolaram nas vendas.

“O movimento ainda está fraco. Investimos em artigos relacionados à Seleção Brasileira, mas o público não mostrou muito interesse. Alguns estrangeiros que visitam as barracas elogiam o nosso trabalho, mas quem é daqui não está consumindo”, disse a comerciante Evódia Costa.

Lojas de artesanato investiram na Copa das Confederações (Pedro Costa / Seleção Universitária)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.