Gaúcho pode jogar a Copa pela Itália
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Gaúcho pode jogar a Copa pela Itália

Seleção Universitária

27 de maio de 2014 | 15h14

Jogador já passou por times como Juventude, Santo André, Cruzeiro e Fiorentina

Rômulo com os uniformes do Caxias e da Itália (Montagem/Divulgação)

 

Lucas Oliveira – especial para o Estado de S. Paulo

PORTO ALEGRE – Um brasileiro vive a expectativa de estar incluído na lista final de 23 convocados da seleção italiana que jogará a Copa do Mundo. Rômulo Souza Orestes Caldeira, 27, tem a chance de defender a Squadra Azzurra. Gaúcho, nascido em Pelotas, o jogador trocou o Brasil pela Itália em 2011, sem se tornar muito conhecido por aqui. Hoje, conta com a confiança do técnico Cesare Prandelli e sonha com uma vaga para disputar o Mundial.

Trajetória. Rômulo jogou na base do Brasil de Pelotas, mas fez do futebol seu ofício a partir de 2003, na Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul (S.E.R Caxias), na serra gaúcha. Quem o revelou foi Péricles da Costa, então técnico das categorias de base do clube.

“Ele sempre foi muito dedicado, até demais. Tínhamos que cuidar para ele não treinar muito”, afirma Péricles, para quem a versatilidade do jogador existe desde cedo. “Ele jogava de volante, de meia e de lateral. Tinha muita força, velocidade e técnica. Eu sempre orientava para que ele não fizesse a diagonal, não fosse com a bola para o meio-campo.”

No Caxias, Rômulo foi campeão gaúcho de juniores em 2004, com 17 anos. Jogando em uma categoria acima da sua, junto com Adilson Warken, volante que teve projeção no Grêmio e que, desde 2012, joga no Terek Grozny, da Rússia. Em 2005, o jogador trocou o Caxias pelo arquirrival Juventude, mas continuava tendo Péricles como seu treinador.

Rômulo e Adilson Warken no título gaúcho júnior de 2004 (S.E.R Caxias/Divulgação)

 

Rômulo hoje mora em Verona e lembra daqueles tempos. “Foi Péricles quem deu minha primeira oportunidade de verdade. O bom jogador é aquele que escuta algumas coisas que o técnico fala, e não todas”, afirma o jogador, que está com a delegação da Itália em Converciano, região de Florença.

Em 2007, no Juventude, Rômulo encarou uma das maiores dificuldades da sua carreira: foi dispensado do alviverde. “Foi um momento difícil. Aquilo me fez superar uma grande dificuldade. O maior apoio que um jogador precisa é quando se está passando dos juniores para o profissional. Ali, você decide se continua ou para. Eu continuei”, conta.

Rômulo foi contratado pelo Metropolitano (PR), onde ficou por um ano. Logo depois, ficou seis meses na Chapecoense (SC), e foi para o Santo André (SP), em 2009. Foi onde despertou o interesse de grandes clubes brasileiros, por causa da surpreendente campanha da equipe no campeonato paulista de 2010, onde era titular do técnico Sérgio Soares. O clube perdeu o título para o Santos de Neymar, Ganso, Robinho e companhia. “Rômulo tinha muita força e era muito profissional. Na final contra o Santos, deu uma arrancada saindo da defesa e quase fez o gol” diz Soares, que hoje comanda o Ceará. “Nós víamos qualidade nele e era questão de oportunidade para que ele fizesse sucesso em um grande clube, mas a gente não imaginava que ele chegaria à seleção italiana.”

Santo André, de Rômulo, perde o Paulistão de 2010 para o Santos, de Neymar (Tiago Queiroz/Estadão)

No mesmo ano, vencendo uma disputa com vários clubes brasileiros, o Cruzeiro (MG) levou o jogador para a Toca da Raposa. Foi contratado para disputar lugar no time titular com o lateral-direito Jonathan, hoje na Inter de Milão, que, curiosamente, também concorria a uma vaga na lista de Prandelli. Em 2011, foi emprestado para o Atlético (PR) onde jogou oito partidas e então se transferiu para a Fiorentina, da Itália, que já o monitorava desde a época da equipe mineira.

Itália. Por causa da família de origem italiana, conseguiu a dupla cidadania há quase cinco anos, o que facilitou sua ida para a Europa. No clube de Florença, Rômulo disputou 20 jogos e marcou dois gols, mas teve pouco espaço e demorou para se ambientar à nova vida. “No início é complicado. Foi muito difícil falar italiano, flexionar as palavras e alguns verbos. Mas hoje eu e minha esposa estamos bem adaptados.”

Foi no Hellas Verona que ganhou projeção e atraiu a atenção de Prandelli, após uma convincente temporada. Emprestado ao clube, ganhou espaço sob o comando de Andrea Mardolini. “Ele me dá bastante liberdade, mas gosta muito da parte tática. Quando você está com a bola, é a criatividade que fala mais alto”, afirma o jogador.

Rômulo revela que o técnico da Itália conversou com ele antes da primeira convocação, em abril. “Ele perguntou se eu tinha o desejo de jogar pela Itália. Eu disse que sim e que seria uma honra. Então me chamou para os testes físicos e me manteve no grupo.” Sobre estar na lista final, o brasileiro se diz ansioso, mas encara com naturalidade. “Todos os jogadores aqui da Itália estão focados nos treinamentos. O meu objetivo é treinar e estou focado em dar o meu melhor.”

Convocação. Cesare Prandelli só vai anunciar a lista final com os 23 convocados que vêm ao Brasil disputar o Mundial após o amistoso contra a Irlanda, no sábado, 31, em Londres. O brasileiro Rômulo disputa uma das vagas no meio-campo da Itália com nomes como: Verrati, Aquilani, Candreva e Montolivo.

“Ainda tenho que esperar os próximos 4 dias. Será importante para descobrir quem será capaz de resistir a essas cargas de trabalho e, em seguida, haverá o amistoso contra a Irlanda. Após o jogo, vamos revelar os 23”, explicou Prandelli, na segunda-feira, 26, em entrevista coletiva no centro de treinamento de Converciano.

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