Em partida decidida nos pênaltis, Espanha vence Itália e joga a final contra o Brasil
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Em partida decidida nos pênaltis, Espanha vence Itália e joga a final contra o Brasil

Seleção Universitária

27 de junho de 2013 | 17h01

Favoritismo da seleção espanhola não lhe garantiu uma partida tranquila
Tobias Saldanha – Seleção Universitária – especial para o Estado

FORTALEZA – A partida entre Espanha e Itália trouxe emoções até o último minuto. Empatados em zero a zero no tempo normal e na prorrogação, os gols começaram a sair apenas nas cobranças de pênalti das seleções, já no fim do jogo.

Na última cobrança da Itália, Bonucci perdeu a chance e, em seguida, Jesus Navas fez o gol que garantiu aos espanhóis a vaga para disputar a final domingo, 30, no Maracanã.

Apesar da derrota, a seleção italiana mostrou força e revelou pontos fracos do próximo adversário do Brasil, o ataque pelos lados e a bola aérea levaram perigo ao gol de Casillas.


Primeiro tempo

A posse de bola massacrante e a pressão do time – características da seleção espanhola – não se impuseram sobre a Itália. No primeiro tempo, a Espanha até ficou mais com a bola, mas quem criou as melhores oportunidades foram os italianos.

Aos 35 minutos, Maggio perdeu uma chance clara de gol. Giaccherini fez boa jogada pela esquerda e cruzou na medida para o ala cabecear nas mãos de Casillas. A resposta foi imediata. Fernando Torres recebeu de Xavi, se livrou na marcação, mas mandou para fora.

 

Segundo tempo

A conversa no vestiário acordou a Roja no segundo tempo. Os espanhóis voltaram melhores, criando boas chances principalmente com Iniesta. Mas conforme avançava, a partida voltou a se equilibrar. Ora a Espanha era superior, ora a Itália.

Embora as melhores oportunidades terem sido da seleção espanhola, pouca coisa mudou da primeira para a segunda etapa. O jogo foi o mesmo em emoção, em técnica e em tática. O zero se manteve no placar.

 

Iniesta e Candreva disputam a bola durante a semifinal da Copa das Confederações (Jorge Silva/Reuters)

 

Instalações

A pausa no jogo tirou os torcedores de seus assentos. Embora os banheiros funcionassem normalmente, os postos de alimentação eram o ponto negativo da estrutura. As grandes filas causavam transtorno nos espectadores.

Ana Paula, que acompanhava seu amigo italiano Antonio, reclamava indignada. “A caminhada para chegar ao estádio foi ruim, mas prefiro mil vezes do que ficar nessa fila pra comer. Você paga absurdos, espera muito pra receber o produto e não é de boa qualidade”, afirmou a torcedora, se referindo ao pão com salsicha vendido a R$ 8.

A tensão no final da partida não pode ser aliviada pela cerveja gelada. Seguindo regulamentação da Fifa, os bares do estádio finalizaram a comercialização da bebida alcoólica aos 30 minutos da segunda etapa. Com isso, tanto a prorrogação quanto a disputa de pênaltis teve que ser assistida na base da água ou do refrigerante. Alguns torcedores se irritaram com a impossibilidade da compra da bebida e protestaram com gritos de “cerveja, cerveja”, enquanto alguns insultavam a Fifa e suas regras. Para evitar problemas e se manter firme à resolução da entidade, alguns bares optaram por fechar suas portas.

Saída  

A saída do estádio foi tranquila. Ao redor do Castelão, bolsões foram reservados para o estacionamento de carros particulares e também para pontos do transporte público. No entanto, chegar a essas áreas necessitava muita caminhada. A avenida Alberto Craveiro, um dos acessos à Arena, acumulou grande parte dos torcedores na saída, que optaram por uma caminhada de cerca de 3 km.

Moradores das redondezas acharam uma forma de lucrar sem que a Fifa os barrasse. Notando o cansaço de alguns torcedores, pessoas ofereciam caronas em suas bicicletas, com valores que variavam entre R$ 5 e R$ 10. Para os que seguiam a pé, o problema era falta de apoio da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), que não orientava os torcedores ou os veículos da equipe da Fifa.


Protestos

Cerca de cinco mil pessoas se reuniram nos arredores da Arena Castelão para marchar em protesto contra os altos gastos nas obras para a Copa do Mundo. A presença da Polícia Rodoviária Federal, da Cavalaria da Polícia Militar, da Tropa de Choque da Polícia Militar e, ainda, da Força Nacional demonstravam uma clara preocupação com a segurança.

O cordão de isolamento formado pelas forças militares se mantinha a 200 metros de distância dos manifestantes. Quando a marcha chegou próxima ao estádio, uma minoria, que destoava do caráter pacifista do protesto, furou este primeiro bloqueio e avançou sobre um segundo cordão policial.

O mototaxista Alessandro Bordeiro acompanhou a manifestação desde o início e disse que alguns pessoas começaram a jogar pedras e pilhas em direção dos militares. “Eles furaram uma das barreiras, mas na segunda os policiais agiram o que levou ao confronto”, afirmou.

Após a ação, carros da imprensa ficaram completamente danificados. Um veículo da TV Jangadeiro, afiliada da Band, teve seus vidros quebrados e lataria amassada. Outro carro, da TV Diário, foi queimado. A depredação chegou a veículos de auxílio aos torcedores. Um ônibus que fazia o transporte ao estádio foi parado e também sofreu depredações.

Segundo informações da Polícia Civil, 92 pessoas foram detidas – entre maiores e menores de idade. “Os protestos tinham muitas pessoas mal intencionadas, carregando pedras e até coquetéis Molotov. A orientação da polícia era para não portar armas letais e evitar o confronto. Mas tivemos que reagir”, afirmou Luis Carlos Dantas, superintendente da corporação.

(Com colaboração de Victor Costa)

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