Jogo esvazia manifestação em Brasília
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Jogo esvazia manifestação em Brasília

João Lacerda

26 de junho de 2013 | 21h12

Protestos na Esplanada dos Ministérios reúnem apenas 3% do número esperado de pessoas durante a semifinal entre Brasil e Uruguai

 

Menino brinca com bola durante manifestação (Lucas Vidigal/Seleção Universitária)

João Bosco Lacerda e Lucas Vidigal — Seleção Universitária — especial para o Estado

BRASÍLIA — As manifestações programadas para a tarde desta quarta-feira, 26, na Esplanada dos Ministérios ficaram esvaziadas. Levantamento preliminar da Polícia Militar do Distrito Federal estima que 1,5 mil estiveram no protesto durante o horário da semifinal entre Brasil e Uruguai. A própria PM previa participação de 50 mil pessoas.

Manifestantes e policiais atribuem a baixa participação à partida da Copa das Confederações. “Alguns amigos nossos também viriam, mas decidiram ficar em casa pelo menos até o fim do jogo”, conta Daniel Seiffert, estudante de direito. Mesmo com o convite dos colegas, Daniel foi à manifestação com outros dois amigos. “Amo futebol, mas estar aqui é um dever como cidadão”, diz.

 

1,5 mil pessoas estiveram na Esplanada no horário do jogo (Lucas Vidigal/Seleção Universitária)

O enfraquecimento dos protestos preocupa alguns manifestantes. O casal Priscilla Gritti e Fabrício Vasconcelos teme que o engavetamento da PEC 37 e o fim da Copa das Confederações acabe com as manifestações. “Nós tivemos vitórias, mas não é hora de se acomodar. Futebol tem todo domingo”, comenta Priscilla.

Ambulantes que foram à Esplanada se decepcionaram com o movimento durante a tarde. Teve vendedor frustrado por não poder assistir à partida do Brasil. “Com pouca gente assim, era melhor ter ficado em casa vendo o jogo”, reclama Franklin Oliveira, que aproveitou a manifestação para vender pipoca.

De olho no jogo

Pouco depois do início da partida entre Brasil e Uruguai, o grupo concentrado próximo ao Museu da República iniciou a marcha rumo ao Congresso Nacional. Um trio elétrico guiava a manifestação com músicas e palavras de ordem. Mesmo durante a passeata, manifestantes e PMs davam um jeito de saber como andava a partida.

Com clima tranquilo, era possível ver manifestantes e policiais conversando sobre a partida. Celulares com televisão atualizavam as pessoas que se aglomeravam próximo ao Congresso Nacional. “A gente precisa saber como está o resultado”, comentou o estudante de direito João Rubens Castro.

“A gente não pode tirar o olho do protesto, mesmo estando bem pacífico, então sempre vem algum manifestante ou mesmo outro policial avisar a gente do placar”, conta a capitão Vanda Nunes, que organizava a barreira da polícia que bloqueava o Congresso Nacional.

O número reduzido de manifestantes contrastou com o esquema de segurança preparado para a tarde de quarta-feira. Eram 4 mil policiais militares em todo o perímetro da Esplanada dos Ministérios. Houve duas prisões: um rapaz foi abordado com porte de drogas e outra pessoa foi presa com armas brancas e máscara de gás.

 

Havia mais policiais que manifestantes em na Esplanada (Lucas Vidigal/Seleção Universitária)

O momento de tensão foi quando manifestantes chutaram bolas em direção aos policiais que faziam a barreira na frente do Congresso Nacional. Na mesma hora, pessoas que invadiam o espelho d’água xingavam PMs do local.

De acordo com Antônio Costa, fundador da ONG Rio de Paz, que organizou o protesto com 594 bolas – número de deputados e senadores no Congresso – o objetivo não era entrar em conflito com os policiais. “A ideia era passar a bola para o Congresso, uma forma simbólica de entregar nossas demandas para os parlamentares. Não queríamos conflito com a polícia, mas é impossível controlar todos os manifestantes.”

Depois do jogo, o número de manifestantes chegou a 4 mil, segundo dados preliminares da Polícia Militar. O Eixo Monumental, via que passa pela Esplanada dos Ministérios, continua fechada até o fim dos protestos.

 

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