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Legado da Copa em Porto Alegre ainda não é sentido pela população

Maioria das obras ainda está em andamento e ampliação da pista de pouso do aeroporto ainda está em avaliação

Seleção Universitária

18 de julho de 2014 | 15h35

Maioria das obras ainda está em andamento e ampliação da pista de pouso do aeroporto ainda está em avaliação

 

Lucas Oliveira – especial para O Estado de S. Paulo

PORTO ALEGRE – Para os moradores da capital gaúcha ainda é difícil dimensionar o tamanho – e a própria existência – do legado da Copa do Mundo. Algumas das obras anunciadas foram retiradas da Matriz de Responsabilidade prevista para o Mundial, outras ainda estão em andamento e algumas nem começaram ainda.

Foram previstos nove conjuntos com um total de 19 obras: oito ficaram prontas para o Mundial – incluindo-se quatro delas, todas pequenas, que permaneceram até o fim na Matriz de Responsabilidades – e 11 estão em andamento, com novos prazos ainda não estabelecidos, todas para Copa do Mundo.

O custo total das obras é de R$ 941,2 milhões (R$ 166,1 milhões com as prontas e R$ 775,1 milhões com as que estão em andamento) e nenhum dos projetos encabeçados pelo município foi engavetado.

Umas das construções que ficaram prontas antes do evento foi a via elevada sobre a Rua da Conceição, no centro, entre as Avenidas Júlio de Castilhos e Castelo Branco, próxima a Estação Rodoviária. Foram investidos R$ 31 milhões com objetivo de reduzir os engarrafamentos, principalmente nos horários de pico. “Com a alternativa ficou mais fácil e amenizou a ‘tranqueira’. Quem vai trabalhar de carro já está sentindo a diferença”, afirma Nestor Fagundes, 45, que gerencia um restaurante nas proximidades.

Situação mais complicada envolve a Vila Tronco. As obras de duplicação da Avenida Tronco – estimadas em R$ 156 milhões – de responsabilidade da prefeitura e do governo federal, foram realizadas com objetivo de melhorar o fluxo de veículos na zona sul de Porto Alegre, e ainda não estão concluídas – 1.525 famílias estão em processo de realocação e foram cadastradas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab) em 2011.

O atraso na obra acontece em função da desapropriação dos moradores e, ainda, pela falta de interesse de construtoras interessadas na licitação para a construção dos conjuntos habitacionais para o reassentamento. “Ainda não percebemos melhoria nenhuma e estamos preocupados com esse impasse. Desde o cadastramento, ninguém nos deu uma garantia ou um documento que comprove que teremos onde morar”, afirma Paulo Cardoso, 63, que aguarda o Bônus-Moradia de R$ 52 mil a ser oferecido pela Prefeitura para comprar um novo imóvel.

Aeroporto. Para o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em 2010, estava prevista a ampliação da extensão da pista, de 2,3 mil para 3,3 mil metros, e do Terminal 1, para elevar a capacidade de 15,2 milhões para 18,9 milhões de passageiros por ano. A projeto da pista, com custo estimado inicialmente em R$ 228 milhões, está suspenso para reavaliação e pode ser trocado pela construção de um aeroporto novo. A ampliação do Terminal 1 está em andamento, mas a empresa vencedora da licitação atrasou obras. A Infraero aplicou multa e pode, em caso extremo, rescindir o contrato.

Por enquanto, ainda se fala que o prazo de maio de 2016 será cumprido. O custo previsto é de R$ 246 milhões. A construção um novo terminal de cargas, com custo estimado em R$ 137 milhões, está em fase inicial. A instalação do equipamento ILS 2, para permitir pousos com visibilidade de 400 metros na linha horizontal e teto de 30 metros foi concluída pouco antes da Copa do Mundo e custou R$ 40 milhões. “Os voos aqui atrasam, apesar de ser um aeroporto pequeno e com pouco tráfego. Viajo bastante para São Paulo, pois meu noivo mora lá, e sempre tenho problemas em função do mau tempo ou de não ter pista suficiente para pouso”, lamenta Denise Pelegrini, 35.

Estruturas Temporárias. Dos R$ 25 milhões investidos nas estruturas temporárias do Estádio Beira-Rio, R$ 2,9 – pouco mais de 11% do valor total –  ficarão de legado. Após o processo de catalogação transformação em patrimônio do Estado, as ‘sobras’ como extintores de incêndio, lixeiras e materiais de construção passíveis de reaproveitamento, serão destinados a escolas públicas, departamentos e instituições.

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