Lojistas protestam contra cercamento de feira em Brasília
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Lojistas protestam contra cercamento de feira em Brasília

Lucas Vidigal

13 de junho de 2013 | 18h49

Fifa coloca cerca ao redor da feira da Torre, a 600 metros do Mané Garrincha; feirantes temem queda no movimento

Lucas Vidigal – especial para o Estado

BRASÍLIA – Comerciantes da feira da Torre de Televisão, na zona central de Brasília, reclamam da cerca colocada nesta quinta-feira, 13, ao redor da área. Eles temem que o movimento no local caia no sábado, dia da abertura da Copa das Confederações.

A feira fica a 600 metros do Estádio Nacional Mané Garrincha e recebe até 10 mil pessoas que visitam por dia nos fins de semana as 470 lojas de artesanato ou de comidas típicas de outras regiões do Brasil e do mundo.

Para os feirantes, a cerca de 6 mil metros colocada ao redor das lojas vai impedir que torcedores saiam dos setores hoteleiros ou do Parque da Cidade e passem por dentro da feira, bem no meio do caminho até a arena.

“No dia dos jogos-teste, muita gente que passou por aqui no caminho do estádio ficou depois da partida para comer ou fazer compras”, comenta Renato Yang, 43 anos, dono de um pequeno restaurante de cozinha asiática na praça de alimentação da feira.

O coordenador do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) e responsável pela colocação da cerca, Felipe Aurélio Anjos, disse que o cercamento foi pedido pela Fifa para garantir a segurança do estacionamento do local.  “Para evitar que pedestres circulem sem direção, vamos deixar três entradas abertas”, explica.

Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão

Área foi cercada para evitar movimentações, disse responsável

Porém, o diretor-presidente da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), Gleiston de Paula, afirmou em entrevista coletiva na terça-feira, 12, que a circulação na Feira da Torre vai ficar aberta antes, durante e depois da partida entre Brasil e Japão. “As lojas e a praça de alimentação não serão fechadas para os torcedores”, disse.

A representante da Associação dos Expositores da Feira da Torre (Asseapma) Esmeralda Marinho disse que os feirantes vão tentar diálogo com o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) para pedir a retirada da cerca.

“Vamos ver também com o governo do Distrito Federal se conseguimos deixar os espaços abertos”, afirma.

Porém, tanto o Detran-DF como o GDF reiteram que a responsabilidade é da Fifa, já que o local fica a 600 metros do estádio, dentro da área de segurança exigida pela entidade.

Movimento pequeno

Além do fechamento ao redor da feira da Torre, comerciantes também estranham a queda no número de pessoas durante a semana.

“Mesmo para uma quinta-feira, o movimento está muito fraco”, comenta Esmeralda. Para ela, a primeira quinzena do mês é a mais movimentada. “Tem sempre muita gente todo dia porque o pessoal das outras cidades do DF acabou de receber o salário”, diz.

De acordo com a Administração Regional de Brasília, 500 pessoas são esperadas no local entre segunda e sexta-feira.

Nesta quinta-feira, mal dava para ver visitantes entre os boxes. Sem clientes, feirantes passeavam pelos stands dos colegas e comentavam a queda no movimento.

Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão

Feira estava sem movimento a dois dias da abertura da Copa das Confederações

Para a lojista Ângela Monteiro, 60 anos, a Copa das Confederações será uma decepção. Ela confeccionou bolsas de material reciclado em verde e amarelo porque acreditava que mais pessoas frequentariam a feira.

“Não tem ninguém. A gente investe nos produtos para a Copa e não tem retorno nenhum. Está tudo encalhado”, lamenta.

Bertoldo Fernandes, 69 anos, também reclama da falta de clientes na loja de artigos de couro. A queda no rendimento a poucos dias da partida entre Brasil e Japão preocupa o feirante. “Tiro até R$ 2 mil em fins de semana. Hoje não vendi nada.”

Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão

Estoque da loja de Bertoldo Fernandes sofre com encalhe

Estoque da loja de Bertoldo Fernandes sofre com encalhe

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