Longe dos holofotes, Balotelli do Sport convive com a reserva e espera chance na Série B
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Longe dos holofotes, Balotelli do Sport convive com a reserva e espera chance na Série B

Pedro Costa

21 de junho de 2013 | 14h42

Atacante diz que se inspira na raça do artilheiro italiano


Jonathan Balotelli só jogou duas partidas pelo Leão, sempre vindo da reserva. (Pedro Costa / Seleção Universitária)

Por Pedro Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

RECIFE – Japão e Itália, Arena Pernambuco. Copa das Confederações, 2013. Mario ajeita a bola na marca do pênalti, com os olhos do mundo do futebol voltados para ele. Enquanto isso, não muito distante dali, Jonathan espera. Ansioso.

Goleiro de um lado, bola do outro.

O camisa nove da Azzurra vive a glória. O número 20 do Sport abraça os companheiros, na concentração do clube, em Chã Grande, agreste pernambucano e local da inter-temporada do Leão. Realidades separadas por um abismo, porém, unidas pela persistência e pelo nome que envergam na camisa: Balotelli.

Ambos não receberam a alcunha logo após o nascimento. O italiano, filho de imigrantes ganeses, se chamava Barhwua, mas após ser deixado pelos pais, na maternidade, foi adotado na província de Brescia, aos dois anos.

Já Jonathan, ganhou o apelido há pouco mais de seis meses, no Pesqueira, clube pelo qual disputou o Campeonato Pernambucano. A brincadeira surgiu quando decidiu cortar o cabelo no estilo “moicano fininho” e pintar de loiro.

“Eu queria fazer um estilo parecido com o do Neymar, mas a turma do Pesqueira botou pilha e decidi imitar o Balotelli. Deu certo. Fiz 13 gols no estadual e o apelido pegou”, conta.

Contratado pelo Sport para a disputa da Série B, o carioca, de 24 anos, ainda luta por espaço no time. Mesmo sem estar sendo muito aproveitado no time titular, o atacante não desanima.

“Passei por muita coisa no futebol. Joguei sem receber salários e até cheguei a desistir de ser profissional, para trabalhar como atendente em um cyber café e como ajudante de obras. O Balotelli também foi vítima de racismo e passou um tempo sem ser aproveitado na Inter de Milão, mas não desistiu. Me inspiro na vontade dele e procuro sempre respeitar quem está acima de mim, para quando tiver uma chance, aproveitá-la.”

 

Comemoração característica de Balotelli, o primeiro jogador negro a vestir a camisa da Azzurra. (Wilton Júnior / Agência Estado)

Polêmico, o Balotelli rossonero é um dos jogadores mais valorizados do mercado da bola. Ao mesmo tempo em que esbanja carrões e organiza festas que varam a madrugada, faz doações generosas. No Recife, feliz com o primeiro bom contrato, o rubro-negro pensa primordialmente em ajudar a família. Apesar da modéstia, Jonathan deixa escapar o lado vaidoso nos brincos brilhantes, característicos do xará italiano.

“Tem que ter personalidade, né? Mas sou um cara muito tranquilo. Ainda não tenho carro e não gosto muito de badalação. Tenho minha esposa e meu filho e estou procurando dar uma estrutura melhor para eles.”

E é só falar em futuro promissor que o agente Francisco se aproxima. Pede permissão para presenciar a entrevista, concedida praticamente na porta do ônibus da delegação do Sport, para logo depois se afastar.

“Depois quero falar com você, depois da resenha, garoto. Beleza?”, diz o empresário.

“Tranquilo. Acho que já terminou, não foi?”, pergunta Jonathan Balotelli à reportagem.

Questionado sobre se haveria mais alguma história que merecia ser contada, o atacante se despede sem titubear.

“É isso mesmo, que eu te falei. Minha carreira começou a engrenar agora e quero continuar evoluindo, devagarzinho. Ah, mas não se esquece de colocar que eu gosto do Balotelli, mas vou torcer para o Brasil.”

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