Manifestantes definem protesto para horas antes de partida em Salvador
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Manifestantes definem protesto para horas antes de partida em Salvador

Vitor Vill

20 de junho de 2013 | 13h07

Esquema de segurança divulgado pela polícia entra em conflito com rota do manifesto

 

Na segunda, 8 mil pessoas fizeram primeiro protesto em Salvador (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Vitor Villar – Seleção Universitária – especial para o Estado

SALVADOR – A onda de protestos pelo país antes das partidas pela Copa das Confederações deve ter mais um episódio, agora em Salvador. O protesto marcado para esta quinta-feira, 20, horas antes da partida entre Uruguai e Nigéria na capital baiana, foi confirmado por seus organizadores.

Nesta quarta-feira, 19, os participantes se reuniram em um parque da capital baiana para discutir os últimos detalhes da manifestação, que pretende marchar até a Arena Fonte Nova. Mais de 57 mil pessoas já confirmaram a presença no evento, que está sendo organizado pelo Facebook.

Segundo informações divulgadas pela rede social, os manifestantes devem se reunir no bairro do Campo Grande, a partir das 14 h, e seguir a caminhada pelas ruas do centro da capital baiana até a Arena Fonte Nova. A ideia é que a passeata chegue ao estádio horas antes do início da partida pela Copa das Confederações, marcada para as 19 h.

A expectativa do grupo é que este seja o protesto com maior participação entre os já realizados na cidade. “Quinta é feriado, então a nossa expectativa é que tenhamos mais de 20 mil pessoas nas ruas”, comenta o estudante Kristian Pasini, um dos moderadores do evento no Facebook.

Na última semana, a Prefeitura de Salvador decretou feriado municipal para os dias 20 e 22, datas das partidas pela Copa das Confederações na capital baiana, o que na visão do grupo deve ajudar na adesão de pessoas ao manifesto.

 

Rota de colisão

No mesmo dia, a Polícia Militar divulgou o esquema de segurança montado para a região da Arena Fonte Nova durante os jogos da Copa das Confederações. Uma das principais medidas tomadas é que as pessoas só poderão ter acesso ao estádio a pé e mediante apresentação de comprovante de residência ou de ingresso da partida.

A orientação do acesso será feito através de 28 postos da PM espalhados pela área do centro da cidade e do Dique do Tororó. A operação vai ocorrer das 7 h até enquanto houver torcedores na região após o final das partidas.

O problema é que pelo menos seis postos ficam no trecho onde os manifestantes pretendem passar.

No caso do protesto marcado, a polícia garante que a orientação é negociar com os manifestantes. “O planejamento de segurança contempla acompanhamento, conversa e negociação”, garante o capitão da PM, Marcelo Pitta.

O Secretário Estadual de Comunicação Social, Robinson Almeida, também garantiu na terça-feira, 18, que a prioridade do Governo é manter a convivência entre o direito das pessoas se manifestarem e o direito dos torcedores acessarem o estádio. “Na democracia é assim, cada um expressa a sua opinião e vontade e respeita a opinião e vontade dos outros”, comentou.

Movimento diversificado

Assim como em outras cidades do país, o movimento na capital baiana se diz apartidário, sem líderes declarados e sem um único foco de reivindicações. Segundo o poeta Pareta Calderash, também moderador do evento na rede social, as questões levantadas pelo grupo são diversificadas.

“Na questão municipal temos, por exemplo, a redução gradual da tarifa de ônibus, a ampliação do serviço para 24 horas por dia e o investimento em ciclovias. Da parte estadual, queremos um maior preparo da Polícia Militar e agilidade na investigação de crimes cometidos por policiais. E em âmbito federal, exigimos a saída de Marcos Feliciano da Comissão de Direitos Humanos e a rejeição da PEC 37”, exemplifica o artista.

Outro traço em comum com outras cidades do país é a participação da classe artística. “Vários músicos e artistas atuantes de Salvador já confirmaram presença. O nosso interesse, além de mostrar o amor pela pátria, é discutir uma reforma política significativa, onde se gaste menos com os poderes executivo e legislativo e se gaste mais com educação, saúde e cultura”, diz o músico baiano Mikael Mutti, que está organizando um “violaço” para acontecer durante o protesto.

A ideia é que os músicos levem seus violões para criar uma melodia junto com as canções cantadas pelos manifestantes. Os artistas buscam com isso realizar um protesto bem-humorado e pacífico. “Somos músicos e levamos a cultura da Bahia e do Brasil para todo o mundo. Temos boas ideias para discutir com os governantes. A nossa arma é o violão e nossa música é nossa voz”, completa Mutti.

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