Manifestantes e PM entram em confronto próximo ao Estádio Nacional
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Manifestantes e PM entram em confronto próximo ao Estádio Nacional

Lucas Vidigal

15 de junho de 2013 | 14h00

Grupo protestava contra custo da arena próximo aos portões; comércio foi atingido com balas de borracha e torcedores reclamaram do mau cheiro do spray de pimenta

Lucas Vidigal – Seleção Universitária – especial para o Estado

BRASÍLIA — Cerca de 2,3 mil manifestantes protestaram contra o custo de R$ 1,2 bilhão do Estádio Nacional Mané Garrincha na frente da arena no início da tarde deste sábado, 15. O grupo saiu da rodoviária do Plano Piloto por volta das 10h30 e chegou ao local às 12h, horário marcado para a abertura dos portões para o jogo Brasil e Japão.

Ao todo, havia 1,7 mil policiais militares dentro e ao redor do Mané Garrincha. Houve confronto entre policiais militares e manifestantes em dois momentos da passeata: o primeiro, por volta das 12h.

A tropa de choque da PM utilizou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Pouco antes do início da partida, às 15h45, nova confusão na frente da arena assustou o torcedor que chegava ao estádio de última hora.


Manifestantes pediam que polícia não fizesse uso da força (Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão)

De acordo com a Polícia Civil, 23 pessoas acabaram presas e 10 menores foram apreendidos. Policiais acusaram ativistas de terem arremessado pedras e de portar facas.

“O protesto não está errado, mas teve gente que veio apenas  para agredir e atrapalhar a vida dos torcedores”, afirmou o capitão Márcio Rogério Rodrigues, da tropa de choque da Polícia Militar.

O estudante e auxiliar administrativo Bruno Costa, 17 anos, condenou a ação da PM. “Não é porque um ou outro atirou pedras que a polícia deve usar a violência com todos que passavam por aqui”, reclamou.


Jovem e policial discutem sobre ação da PM (Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão)

Segundo a servidora pública Izis Morais, uma das manifestantes, o objetivo do movimento sempre foi pacífico. “Queremos apenas mostrar ao mundo que esse estádio custou caro, não é nossa intenção atrapalhar a partida e os torcedores”, disse.

A catadora de lixo Edelzuita Batista precisou de ajuda dos manifestantes para fugir do confronto. Ela tem problemas de visão e carregava um carrinhão de mão com latas coletadas quando começou a confusão. “Eles vieram atirando para todos os lados. Por minha sorte, alguns dos jovens me levaram para longe da briga”, conta.

Edelzuita se decepcionou com a atitude dos policiais. “Era para ser um dia de alegria, mas foi só tristeza. Eles deveriam proteger a gente”, desabafa.

Na feira da Torre de Televisão, a 600 metros do Mané Garrincha, uma loja foi atingida por balas de borracha. “Chegaram atirando na gente, como se fôssemos bandidos”, acusa Wênis Rodrigues, um dos comerciantes do stand.


Loja da família de Wênis foi atingida por bala de borracha; ninguém se feriu (Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão)

Também na feira da Torre, um boneco inflável do Fuleco, mascote da Copa do Mundo de 2014, foi esvaziado após um manifestante ter arremessado uma garrafa de coquetel molotov. Policiais militares que estavam na área disseram que a réplica área iria passar por perícia para identificar o suspeito.


Boneco do mascote foi atingido por coquetel molotov; polícia não encontrou suspeito (Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão)

Torcedores apreensivos

Policiais militares da tropa de choque cercaram a área no horário em que as entradas deveriam ser abertas. Torcedores temeram o confronto e pediram para que a entrada no Mané Garrincha fosse mais ágil. Os portões foram abertos com atraso de 10 minutos.

Torcedores que estavam próximos à entrada leste da arena reclamaram do cheiro do spray de pimenta. “Se jogarem bomba na gente, não temos para onde correr”, disse Lindalva Castro, uma das pessoas que estavam dentro da área cercada da fila.


Manifestantes mostravam aos torcedores cartazes de protesto; policiais cercaram grupo (Lucas Vidigal/Seleção Universitária Estadão)

Houve discussão entre torcedores e manifestantes. Um homem acusou o grupo de ser massa de manobra de partidos políticos. Era possível ver bandeiras do PSOL, que faz parte da oposição ao governador Agnelo Queiroz (PT).

“Vocês deveriam aprender a votar direito”, gritou. “Quando seu filho precisar ir ao hospital, leve-o ao estádio”, respondeu a jovem que discutia com o torcedor.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal confirmou que a PM fez uso progressivo da força e que “não será permitida a perturbação da ordem pública e nem qualquer tipo de ameaça à realização do jogo e ao público”.

Enquanto manifestantes eram cercados, voluntários do controle das filas tentavam animar os torcedores com gritos de apoio à seleção brasileira. Por volta das 15h30, um dos recepcionistas agredeceu a ação da polícia por ter “garantido a segurança dos torcedores antes do jogo”.

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