Na despedida, México derrota o Japão em Belo Horizonte
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Na despedida, México derrota o Japão em Belo Horizonte

Machado PR

22 de junho de 2013 | 17h03

Antes da partida, poucos problemas são registrados em primeiro jogo com bom público em Belo Horizonte

 

Em jogo apertado, México aproveita oportunidades e vence o Japão no Mineirão (Washington Alves/Reuters)

Guilherme Faria e Renato Machado – Seleção Universitária – especial para O Estado

BELO HORIZONTE, SÃO PAULO – Matematicamente eliminados, México e Japão se enfrentaram em Belo Horizonte, pela terceira rodada do grupo A da Copa das Confederações. Com bom público no Mineirão, o atacante Chicharito desequilibrou e o México derrotou os Japoneses por 2 a 0.

O México teve a posse de bola durante o início do jogo. Quando a equipe era melhor na partida, o Japão apareceu com a primeira grande oportunidade. Kagawa, aos 4 minutos, recebeu bom passe, mas chutou em cima do goleiro Ochoa. Aos 9 minutos, após arremate de fora da área, Okazaki desviou a bola e tirou Ochoa da jogada. A bola entrou, mas o árbitro alemão Felix Brych marcou impedimento.

Nos minutos seguintes o jogo ficou, em boa parte do tempo, na região central do campo. Com equipes velozes, México e Japão apostavam em contra-ataques. O time asiático era quem levava mais perigo, para a alegria do público mineiro que entoava gritos de “Japão, Japão!”. A torcida, aliás, era participativa: vaias, por parte dos brasileiros, à equipe do México, uma bela “ola” por todos os anéis do Mineirão e os cantos dos mexicanos que vieram ao Brasil torcer pelo país.

A partir dos 30 minutos, o México começou a dominar o adversário, chegando mais vezes ao ataque. No entanto, a equipe não soube converter o bom momento em gol. Aos 38 minutos, o lateral Sakai, que já havia chegado firme em Chichatrito, fez falta dura em Guardado e recebeu o cartão amarelo. Logo em seguida, o próprio Guardado teve a melhor chance da etapa inicial. Após cruzamento da esquerda, totalmente livre, o meio-campo cabeceou na trave de Kawashima. O final do primeiro tempo ficou marcado pela pressão mexicana, com o Japão jogando fechado e conseguindo segurar o placar em zero a zero.

Segundo tempo

A etapa final da partida começou com a seleção do México novamente no ataque. Com mais posse de bola, os mexicanos chegavam à área japonesa com certa facilidade. Aos sete minutos, após cruzamento, Jiménez cabeceou da pequena área, mas o goleiro Kawashima, bem posicionado, fez ótima defesa. A pressão inicial do México acabou surtindo efeito. Mais uma vez em um cruzamento, agora de Guardado, a bola chegou à cabeça Chicharito, que se adiantou e cabeceou para abrir o placar, 1 a 0 México.

Atrás no marcador, o Japão começou a se soltar mais na partida. Mas, assim como o México no primeiro tempo, a equipe asiática não conseguia reverter as chegadas ao ataque em gols. Com espaços abertos em campo, o México, aos 21 minutos, aumentou a vantagem. Em novo cruzamento, a zaga japonesa deu espaço para Chicharito que, com 1,75 m, subiu para fazer seu segundo gol de cabeça, o segundo do jogo.

Nos minutos finais, o Japão retomou a posse de bola. Tentando chegar ao ataque, os asiáticos tinham dificuldade de se desvencilhar da marcação mexicana. Em um momento de liberdade, o atacante Okazaki aproveitou o toque de Endo e diminuiu, 2 a 1.

Para evitar uma despedida com derrota, o Japão se lançou totalmente em busca do gol de empate. No entanto, deu brecha para um contra-ataque mexicano. Chicharito invadiu a área, cavou a falta e pegou a bola para bater a penalidade. Na cobrança, Kawashima defendeu, mas deu rebote. O próprio Chicharito pegou a sobra e acertou com força o travessão.

Sem muito tempo para conseguir o empate, o Japão acabou atacando de forma desorganizada. O México se segurou na defesa e saiu do Mineirão com sua primeira vitória na Copa das Confederações.

No entorno

Quem foi ao Mineirão para assistir à partida entre Japão e México procurou chegar com antecedência na região do estádio, já que este sábado, 22, é o dia que ocorrem os maiores protestos na capital mineira.

Mesmo recebendo mais que o dobro de público da partida entre Taiti e Nigéria, que reuniu apenas 20 mil espectadores, o entorno do estádio teve o mesmo clima de tranquilidade do primeiro jogo que Belo Horizonte recebeu pela Copa das Confederações.

Vários ônibus foram disponibilizados pela organização do evento para quem tinha ingresso. A maioria dos torcedores que utilizou esse tipo de transporte conseguiu chegar rapidamente ao estádio, mas reclamaram da distância que os coletivos pararam.

“O transporte foi satisfatório, mas a logística da parada do ônibus na região do estádio é burra. Com vários espaços disponíveis para nos deixar perto do estádio, nos fizeram caminhar muito”, reclama o engenheiro Charles Duarte, que teve de caminhar 1,5 km.

Quem optou por vir de carro também não teve problemas no deslocamento para o estádio e em encontrar vagas de estacionamento. Porém, os motoristas tiveram de evitar o centro da cidade, já que várias ruas da região estavam fechadas por conta de protestos.

No Mineirão, torcedores prometem protestar ao longo da partida (Guilherme Faria/Estadão)

No Mineirão, torcedores prometem protestar ao longo da partida (Guilherme Faria/Estadão)

Manifestações

Uma semana após o início da série de passeatas, este sábado foi o dia em que Belo Horizonte viu o maior número de manifestantes nas ruas. Às 10h começou a concentração de pessoas na Praça Sete, no centro da cidade. Segundo a Polícia Militar, mais de 100 mil pessoas saíram do local e iniciaram a caminhada até a Lagoa da Pampulha, ponto turístico da capital mineira que se localiza a poucos metros do Mineirão.

O maior cartão-postal de Belo Horizonte também é palco de outra manifestação, organizada pelos sindicatos dos professores e dos trabalhadores da saúde no estado, e também contou com a presença do coletivo denominado “Marcha Mundial das Mulheres”.

Segundo Valdir Thiago, um dos organizadores da passeata, o protesto foi feito no entorno do Mineirão para que os torcedores levem as reivindicações para melhorias na educação e na saúde pública de Minas Gerais. O líder sindical ainda distribuiu um adereço para que os presentes do estádio exibam para as câmeras, na esperança de que as autoridades estaduais possam sentir a força do movimento que levou 5 mil pessoas às ruas, segundo Thiago.

Com o início da partida, os manifestantes se aproximaram do Mineirão. O estádio era protegido por um bloqueio composto por homens da Tropa de Choque, da Cavalaria e do Canil da PM, além da Força Nacional. Ao avistar a barreira, uma parcela exaltada do público começou a arremessar objetos na direção da polícia, que revidou com bombas de efeito moral. Manifestantes e oficiais ficaram feridos.

Após a dispersão da maioria do movimento, um pequeno grupo continuou a confrontar a polícia e, então, começou a depredar as ruas. Focos de incêndio ao longo das avenidas e uma concessionária foram alvos dos vândalos de Belo Horizonte.

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