Entorno do Mineirão já sente os impactos da Copa
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Entorno do Mineirão já sente os impactos da Copa

Seleção Universitária

21 de maio de 2014 | 16h08

Indignados, moradores enumeram as consequências  do evento

Torcedores ocupam jardins de casas dos moradores. Situação acontece em dias de jogos (Associação Pós-Civitas/Divulgação

 

Gabriel Gama – especial para o Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE – Se a Copa será um prejuízo financeiro para aqueles acostumados ao comércio nas redondezas do Mineirão em dias de jogos, para os moradores da Pampulha o evento internacional já causa desdobramentos negativos há algum tempo. Moradores dos bairros próximos ao estádio vivem dias de angústia com problemas ocorridos na região relacionados ao trânsito, à segurança e ao comportamento de torcedores arruaceiros.

A situação fica ainda pior para os que vivem fora do perímetro delimitado pela Fifa, as chamadas áreas de restrição comercial. Segundo a entidade, o motivo da criação destas zonas (que equivalem a 12,5 km² ou 2 km de raio ao redor do estádio) é para facilitar o trânsito de veículos credenciados, de autoridades e órgãos ligados à Copa, além da segurança do evento.

Fora. Apesar da insatisfação tanto dos moradores que vivem dentro do raio como os que ficam nos limites das zonas, existe um rol de preocupações distintas entre ambos. Para Ana Cândida Christo, moradora aposentada do bairro Bandeirantes e colaboradora da Associação Pró-Interesses do Bairro Bandeirantes (Apibb), a realização do torneio traz uma série de fatores negativos.

“A Copa será um desastre para os moradores da Pampulha, principalmente para quem mora fora do perímetro da Fifa. Primeiro, é complicado montarmos um comércio para lucrar porque a Prefeitura teria que licenciar. Segundo, os imóveis daqui também estão se desvalorizando. Tem muita casa para alugar e vender aqui por causa da baderna e desta confusão no trânsito”, critica. Ana se queixa dos torcedores que ocupam as calçadas e parte dos jardins dos moradores.

Segundo Bárbara Rezende, moradora do bairro São Luiz, torcedores chegam em grupos, estacionam na porta das garagens para fazer festa, churrasco e soltar rojões. “Quem sobra é a gente que tem que limpar todo o acúmulo de lixo”, diz. Para ela, a Copa não será uma fonte de lucro para quem vive na região. “Quase ninguém vai alugar quarto para turista ou ceder vaga de estacionamento porque não vamos colocar pessoas que não conhecemos dentro de nossas casas”, explica.

O risco dos protestos chegarem à porta das casas também existe. Durante a Copa das Confederações, manifestantes depredaram e atearam fogo em concessionárias do bairro, com prejuízos estimados em R$ 5,2 milhões.

Dentro. Para os que moram dentro do perímetro, a principal preocupação está no controle do trânsito de pessoas vindas de fora. Durante a Copa das Confederações, moradores precisaram apresentar comprovante de residência para circular pela região. Agora, o esquema será feito por meio do credenciamento.

“Esse fechamento do perímetro não será tão ruim para quem mora dentro da área. Se a interdição for feita nos moldes da Copa das Confederações, porém, com mais policiamento, não prejudicaria tanto os moradores”, afirma Fábio Souza Melo, diretor da Associação Pró-Civitas dos bairros São Luiz e São José.

Outro impacto será no comércio. Vendedores ambulantes não poderão oferecer produtos alimentícios ou de vestuário nas redondezas do estádio. “O comércio ambulante autorizado na região já foi bastante prejudicado na Copa das Confederações. Infelizmente, não haverá nenhum atenuante na Copa do Mundo”, lamenta Carlos Augusto Moreira, presidente da Organização Não-Governamental Somos Pampulha.

Para o organizador da ONG, a Copa chegou para ser uma esperança de solução para alguns problemas não resolvidos na região, como a mobilidade urbana e o paisagismo na Lagoa da Pampulha. Entretanto, a maioria das obras estão inacabadas.

“Somente o Move (sistema de ônibus BRT) foi entregue até agora, aos trancos e barrancos. A revitalização dos cinco trechos da ciclovia da Lagoa da Pampulha e a despoluição e tratamento da água da Lagoa não vão acontecer a tempo. É o Brasil e essa ineficiência maluca”, desabafa.

Comércio. A responsável pelo licenciamento e fiscalização na Pampulha, Raquel Guimarães, garantiu que não haverá chances de vendedores itinerantes não licenciados ocuparem as ruas próximas ao perímetro para vender. Segundo ela, só os comerciantes que fizeram o licenciamento prévio têm a autorização.

“Independe da Copa. Sempre aconteceu com base no Código de Posturas do Município de 2003. A Regional Pampulha tem realizado ações fiscais de desobstrução do logradouro público e de combate ao comércio ilegal no entorno do Mineirão durante os jogos, como aconteceu na última quarta-feira, quando apreendemos grande quantidade de mercadorias irregulares”, explica.

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