Mundial está longe de ser unanimidade em Porto Alegre
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Mundial está longe de ser unanimidade em Porto Alegre

Seleção Universitária

22 de maio de 2014 | 16h01

A 26 dias para o primeiro jogo da Copa, população diverge quanto aos benefícios do evento

Para Glória Muniz, 88, só a violência dos protestos preocupa (Lucas Oliveira/Seleção Universitária)

 

Lucas Oliveira – especial para O Estado de S. Paulo

PORTO ALEGRE – Os moradores e comerciantes da avenida Padre Cacique, uma das principais vias no entorno do Beira-Rio, estão com opiniões divididas a respeito da Copa do Mundo. Além da reforma do próprio estádio, o local é onde está sendo realizada a obra de implantação do sistema BRT (Bus Rapid Transit), que trouxe mudanças na rotina de quem circula por lá.

Alguns comerciantes comemoram. Ildo Severo, 46, dono de um bar em frente ao Beira-Rio, diz que seu faturamento aumentou em mais de 200%. “Estamos atendendo bastante o pessoal das obras, tanto da época da reforma do estádio, quanto das construções aqui no entorno. Já estou com saudade da Copa”, afirma.

Mas também há quem não veja a hora para o fim do evento. Rodrigo Gomes, 30, que há sete anos é proprietário de uma loja de conveniência próxima ao estádio, diz que seu faturamento diminuiu em 70% sem os jogos do Internacional. “Tive que fazer empréstimos, parcerias com empresas e demitir três funcionários para manter o negócio”, afirma. Questionado se vai torcer para alguma seleção no Mundial ele é enfático: “Vou torcer é para que acabe logo.”

Segurança. Além do prejuízo, alguns comerciantes estão preocupados com a segurança de seus estabelecimentos. Cesar Barbosa, 38, é supervisor financeiro de uma concessionária na frente do estádio. Segundo ele, além da queda nas vendas em cerca de 30%, terá de gastar em segurança privada durante o evento. “Estamos estimando mais uns R$ 5 mil por mês de gastos com segurança. Já tivemos reuniões com a Câmara de Vereadores e com a Prefeitura, que garantiram a proteção da loja. Mas e se tiver um protesto? Não vamos nos arriscar”, afirma.

Já Glória Muniz, colorada de 88 anos, diz que as modificações no seu bairro não dificultaram sua vida. Ela gostou muito da vinda do evento para Porto Alegre, principalmente pela reforma no Beira-Rio, que, segundo ela, ajudou a construir levando tijolos. “Adoro a Copa. Comprei ingresso mas não irei porque o coração não vai me deixar assistir ao jogo. Queria ver a Argentina, que vai jogar aqui, gostava muito do Maradona”, afirma. Seu grande medo é a violência dos protestos que podem acontecer. “Não sou contra protesto, mas acho que eles estão muito violentos”, diz.

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