Na Copa das Confederações, nigeriano se sente mais perto de seu país
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Na Copa das Confederações, nigeriano se sente mais perto de seu país

Seleção Universitária

20 de junho de 2013 | 15h50

Morador de Belo Horizonte, Samuel Ayòbámi está empolgado com a participação da Nigéria no torneio

Guilherme Faria – Seleção Universitária – especial para o Estado

 

Nigeriano próximo de casa

Samuel se anima com nova geração da Nigéria (Guilherme Faria/Seleção Universitária)

BELO HORIZONTE – Residente há seis anos na capital mineira, o nigeriano Samuel Ayòbámi viu na Copa das Confederações ocasião ideal para reacender sua paixão pela seleção de seu país. No último dia 17, Samuel teve a oportunidade de acompanhar no estádio a equipe, que considera que está munida de bom time e capacitada para passar pelo difícil desafio ante o Uruguai, nesta quinta, 20. 

Após três vindas ao país, Samuel não teve dúvidas em se mudar para o Brasil, adotando Belo Horizonte, primeira cidade que visitou, como seu local de residência. Formado em Economia e Artes Cênicas, mestrando em Inovação Biológica, presidente de uma associação ligada à diversidade cultural e professor de inglês, ele é casado há 3 anos com a belo-horizontina Luana.

O apaixonado por futebol vê com bons olhos a geração que representa sua pátria na Copa das Confederações. Para ele, o elenco, formado em sua maioria por jovens jogadores, consegue aliar o jogo bonito à objetividade, e é a melhor equipe já formada por atletas de seu país, após o grupo que foi campeão olímpico em 1996.

Ele destaca ainda que a base para esses garotos que querem se valorizar e fazer história é o jogo coletivo, que é bastante valorizado na África. “Vocês da América do Sul escolhem uma figura para ser a referência e a condenam se ele não vai bem, enquanto nós valorizamos o time como um todo. Afinal, um jogador não pode ocupar todas as posições em campo”, pondera.

John Obi Mikel, que atua no Chelsea, é apontado por Samuel como a principal peça dessa engrenagem, por ser o organizador de jogo da equipe.  E esse sistema terá de funcionar bem nesta quinta contra o Uruguai, seleção que Ayòbámi acredita que pode enfrentar qualquer outra de igual para igual.

“Eles jogaram muito bem contra a Espanha, e só perderam porque tiveram medo do rival. Contra nós, eles vão vir com muita fome de fazer gols, e vão fazer com que o jogo seja muito duro”, analisa.  Ele ainda acredita que, mesmo com a derrota, os adversários tiveram melhor teste na estreia do que a seleção nigeriana, que não encontrou dificuldades para golear o Taiti por 6 a 1.

Apesar de não poder comparecer à próxima partida de sua seleção, devido ao alto custo da viagem, ele se empolga com a presença da Nigéria em Salvador. Ele explica que a população da Bahia é a que mais conserva e respeita as tradições do povo Iorubá, que veio para o Brasil a partir do Século XVI.  Esse grupo étnico-linguístico é proveniente da África Ocidental e tem forte presença na Nigéria.

 

Perto de casa

Na última segunda, 17, Samuel pode sentir um pouco dos elementos de sua terra natal em Belo Horizonte, na estreia de sua seleção na Copa das Confederações contra o Taiti. O jogo, que foi o primeiro de sua seleção que ele compareceu fora da Nigéria, serviu para encontrar com compatriotas e trajar o Abadá, roupa típica dos Iorubás, que a utilizam em ocasiões festivas.

 

Nigerianos no Mineirão

Nigerianos marcaram presença no Mineirão (Guilherme Faria/Seleção Universitária)

Samuel, conta como foi ver a seleção do seu país na cidade que considera sua segunda casa. “Foi uma experiência emocionante ver meu povo representando meu país, aqui perto da minha casa”, revela o nigeriano, que mora em uma casa no Bairro Santa Amélia, na Zona Norte da cidade, a 5,6 km do Mineirão.

Caso a Nigéria chegue a final do torneio, que será disputada no próximo dia 30, ele planeja voltar a ver de perto a seleção de seu país. “Vou para o Rio de qualquer jeito, nem que seja para ficar do lado de fora do Maracanã!”, garante.

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