Neymar brilha e Brasil vence o México com dois gols
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Neymar brilha e Brasil vence o México com dois gols

Victor Costa

19 de junho de 2013 | 18h36

Em atuação empolgante, seleção finalmente desabrocha; antes de jogo, manifestantes são reprimidos pela polícia

 

 Neymar comemora gol em vitória da seleção brasileira contra o México (Alex Silva/Estadão)

 

Tobias Saldanha e Victor Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

FORTALEZA, SÃO PAULO – Depois dos protestos fora do estádio, as manifestações continuaram nas arquibancadas da Arena Castelão. Ao longo da partida, torcedores brasileiros levaram cartazes de protesto. Dentro de campo, o Brasil venceu o México por 2 x 0. Com destaque para a bela atuação de Neymar, que fez um golaço e deu uma assistência.

O jogo começou com o Brasil explorando o lado direito da defesa mexicana. Marcelo e Neymar estavam à vontade por ali. Mas foi numa jogada com Daniel Alves que o placar foi aberto aos 9 minutos. Cruzamento da direita, a zaga afastou parcialmente e o camisa 10 emendou de primeira para estufar as redes de Corona. Segundo jogo dele, segundo golaço. A partir daí a seleção brasileira começou a variar seu jogo e o México passou a oferecer perigo. Numa bobeada da defesa, Mier quase deixou tudo igual num chute cruzado.

O segundo tempo começou equilibrado como terminou o primeiro. A seleção mexicana teve mais posse de bola, mas o Brasil foi mais incisivo, chutou mais a gol. Thiago Silva até marcou numa jogada de bola parada, mas foi assinalado o impedimento. No final do jogo, Jô, que entrou no lugar de Fred, ampliou o placar. Neymar fez uma jogada espetacular passando no meio de dois defensores mexicanos e serviu o companheiro que estava livre para marcar e decretar mais uma vitória da seleção brasileira.

 

Neymar abre o placar com um golaço de canhota (Jorge Silva/Reuters)

Neymar abre o placar com um golaço de canhota (Jorge Silva/Reuters)

 

Torcida emocionou

Antes da bola rolar, o protocolo corria normalmente. Os mexicanos cantaram o seu hino até o momento em que a melodia parou de soar no estádio. E tudo indicava que os brasileiros fariam o mesmo, mas não foi o que aconteceu. Envoltos por um espírito patriota que vem crescendo nas últimas semanas, torcedores e jogadores não se contentaram com o trecho tocado pela Fifa e, segurando no grito, cantaram toda a primeira parte do hino nacional. Um dos momentos mais emocionantes de toda a competição.

Antes da partida, confronto quase ofusca a festa

Cerca de 20 mil pessoas foram às ruas momentos antes da partida entre Brasil e México, segundo números da Polícia Rodoviária Federal.  Rastros de violência e destruição no entorno da Arena Castelão foram deixados após confronto entre os manifestantes e a polícia.

Segundo a manifestante Camila Uckers, 21 anos, a Polícia Militar reagiu de forma truculenta após a tentativa de avanço dos protestantes nas grades do cordão de isolamento. “Eles soltaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, atingindo inclusive crianças, senhoras e cadeirantes”, disse.

Já o farmaceutico Jaílton Lima, que veio de Picos, no Piauí, elogiou a cidade e a estrutura da Arena, mas criticou o trânsito e o acesso ao estádio. “Tivemos que passar no meio da manifestação. Quase fomos vítimas de balas de borracha.” Daniela Veloso, estudante de enfermagem que estava no mesmo grupo, testemunhou manifestantes jogando pedra em direção a polícia, além de uma tentativa de arrastão. “Se os moradores não nos tivessem avisado a respeito do possível arrastão, teríamos sido roubados.”

O protesto ocupava a Avenida Alberto Craveiro, uma das principais vias que ligam a zona hoteleira da cidade ao Castelão, e pedia paz com cartazes, que também faziam críticas ao governador do estado, Cid Gomes, à PEC 37, e ao projeto de “cura gay”, aprovado pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-RJ).

A aposentada Noemia Ribeiro, de 84 anos, que mora nas redondezas do protesto, estava na sala de casa quando se sentiu mal por conta do gás lacrimogêneo. “Eu nunca imaginei que, em pleno jogo da Copa, haveria uma manifestação como essa”, disse.

Sensibilizada com estudantes que procuravam refúgio, a aposentada ofereceu sua casa para abrigar os que escapavam da confusão nas ruas.

Saída é tranquila, mas faltam informações

Após a partida, a saída dos torcedores ocorreu sem problemas de segurança. Porém, muitos turistas tiveram dificuldades para obter informações sobre transportes. André Gomes, 27 anos, de Guaraciaba do Norte, há 300 km de Fortaleza, teve problemas para encontrar a parada certa do ônibus que levaria até o estacionamento em que estava o seu carro. “Não tem ninguém para nos informar o locar correto”.

Uma torcedora mexicana disse que “na propaganda tudo era bonito, mas na prática o que vemos é uma enorme dificuldade para ter informações.” Bem como a longa caminhada que ela e outros torcedores mexicanos tiveram que fazer na ida e na volta.

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