Nigerianos comemoram goleada contra Taiti em São Paulo
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Nigerianos comemoram goleada contra Taiti em São Paulo

Seleção Universitária

17 de junho de 2013 | 19h03

Longe de casa, trinta africanos acompanharam a goleada de 6 a 1 contra o Taiti, pela Copa das Confederações

Renato Machado – Seleção Universitária – especial para o Estado

SÃO PAULO – A rotina da comunidade nigeriana da capital paulista mudou um pouco nesta segunda-feira, 17. Por conta da estreia do país na Copa das Confederações, africanos deixaram seus deveres para assistir ao jogo em um restaurante no centro da cidade. Eternamente ligados à pátria que deixaram, eles buscam na convivência com os irmãos de terra manter o elo com o que ficou para trás: o futebol é a ferramenta. O jogo entre Nigéria e Taiti não foi um primor técnico, mas os seis gols marcados pela equipe atual campeã da Copa Africana de Nações colocaram o sorriso nos rostos daqueles que vivem tão longe de casa.

 

Nigerianos em São Paulo se divertem com goleada do Taiti (Renato Machado/Seleção Universitária)

 

O local da festa improvisada foi a região da Praça da República, centro de São Paulo, onde normalmente a colônia nigeriana se reúne pelos negócios e pelas celebrações. Mais precisamente nas ruas Conselheiro Nébias e Guaianases, onde também estão os cortiços em que moram. A alteração no dia a dia, porém, não mudou o cardápio. No copo, conhaque, no prato, akpy-ofe. A refeição típica é feita de carne de frango na panela com molho de onygby (uma planta comum na costa oeste da África) e acompanha uma massa de pão, o akpy, usada para embeber o caldo restante no prato. Tudo isso ingerido com muito gosto apenas com o uso das mãos. Ao final, os dedos com o óleo da iguaria recebem uma bacia d’água, na própria mesa, para a limpeza apropriada.

Os nigerianos chegavam, cada um em seu horário, todos pelo motivo maior: ver a seleção da Nigéria. Olhos atentos na TV, é a entrada dos jogadores em campo – primeira participação da equipe na Copa das Confederações desde a edição de 1995, quando o torneio ainda se chamava Copa Rei Fahd. Os trinta nigerianos que se juntaram para assistir à partida não haviam combinado. Iam chegando aos poucos, durante o jogo. Dentre eles, as gargalhadas do moço baixo, careca e de olhos vivos chamava atenção.

Há sete anos no brasil, Phillip Ntuba, deixou a cidade de Ino State com sua filha, em busca de oportunidades no comércio informal. “Viemos para vender correntes, relógios, essas coisas”, disse Philip, que afirmou estar feliz com a vinda para o Brasil. “Na Nigéria, todos falam que aqui tem boas oportunidades”, conta. Em cada gol da seleção nigeriana, enquanto seus amigos riam e comemoravam, o simpático comerciante se levantava e celebrava com uma malemolente dança, girando em torno do próprio eixo.”É muito fraca”, brincou em relação à amadora seleção do Taiti.

Ao longo de toda a partida, os nigerianos discutiam, gritavam, comentavam os lances e gesticulavam a forma como deveria ter saído a jogada. O adversário não assustava os cerca de 30 torcedores presentes, a pequena seleção do Taiti conseguia apenas tirar algumas risadas por conta de suas falhas. Nos lances de gols perdidos, alguns palavrões surgiam. Toda essa comunicação era feita por meio do igbo – dialeto que dá nome ao povo que vive em grande parte da Nigéria, Camarões e Guiné Equatorial – , em inglês – língua oficial do país – e também em português. Mas os xingamentos não foram muito necessários, já que a vitória foi tranquila.

Ao final da partida, Phillip se empolgou com o placar. “Contra Uruguai e Espanha? Vai dar Nigéria.”

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