Para a imprensa uruguaia, esperança de classificação vem do passado
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Para a imprensa uruguaia, esperança de classificação vem do passado

Machado PR

26 de junho de 2013 | 12h36

Retrospecto de “estraga-prazeres” anima torcedores da Celeste

 

Brasil e Uruguai é um clássico com muita rivalidade e história. Na foto, Romário domina a bola em partida que classificou a seleção para o Mundial de 1994 (Luiz Prado/Estadão)

Brasil e Uruguai é um clássico com muita rivalidade e história. Na foto, Romário domina a bola em partida que classificou a seleção para o Mundial de 1994 (Luiz Prado/Estadão)


Renato Machado – Seleção Universitária – especial para O Estado

SÃO PAULO – Brasil e Uruguai farão uma das semifinais da Copa das Confederações 2013. O duelo sul-americano é cheio de mística e repleto de história. Em torneios da Fifa, as duas seleções não se enfrentam desde a semifinal da Copa do Mundo de 1970, no México. A vitória do Brasil por 3 a 1 credenciou a equipe de Pelé, Rivellino, Carlos Alberto Torres e companhia para a final contra a Itália (e, assim, à conquista do tricampeonato mundial). Para a imprensa uruguaia, a história das seleções – e do confronto em si – vem sendo o foco de análise.

Os uruguaios, é claro, não se cansam de fazer comparações com o duelo ocorrido na final da Copa do Mundo de 1950. A tarde conhecida como “Maracanazo”, que deu o segundo título mundial ao Uruguai, é lembrada insistentemente pelos periódicos.

O jornalista Willy Viola, do diário uruguaio Ovación, no entanto, cita o longo período sem vencer como visitante no Brasil. Já são 21 anos desde a vitória uruguaia em Campina Grande, Paraíba, em 1992 – 2 a 1, com gols de Edmundo (Brasil), Cabrera (Uruguai) e Ronaldão (para o Uruguai, contra). Viola reforça a torcida com outras vitórias da Celeste Olímpica em solo brasileiro. Além da final em 1950, por duas vezes o Uruguai derrotou o Brasil em um torneio amistoso, chamado de Copa Barão de Rio Branco. Ambas as finais tiveram o mesmo placar: 4 a 3. Em São Januário, em 1940, e no Pacaembu, em 1950.

A matéria de Gerardo Bassorelli, no jornal República, lembra de outro episódio. Disputando a final da Copa América de 1983, Brasil e Uruguai fizeram a primeira partida em Assunção. A vitória Celeste por 2 a 0 exigia do Brasil, no jogo de volta, uma vitória para forçar a terceira partida. No entanto, jogando na Fonte Nova, Bahia, o Brasil não conseguiu o resultado. Após abrir o placar com Jorginho, o Uruguai chegou ao empate com Pato Aguilera e, assim, ficou com a Copa América pela décima segunda vez.

Em 2011, o Uruguai derrotou a Argentina na casa dos adversários. Torcida Celeste é para que a recente estigma de

Em 2011, o Uruguai derrotou a Argentina na casa dos adversários. Torcida Celeste é para que a recente estigma de “estraga-prazeres” permaneça (Celio Messias/Estadão)

O El Observador lembra que, recentemente, o Uruguai tem se especializado em ser o “estraga-prazeres” dos donos da casa (ou, como dizem por lá, são “los aguafiestas”). Em três oportunidades, desde que Oscar Tabárez assumiu o comando da seleção, o Uruguai cruzou com a seleção sede do torneio e se deu bem. Em 2007, na Copa América, a Venezuela foi derrotada por 4 a 1 e se despediu nas quartas-de-final do torneio. Já na Copa do Mundo de 2010 foi a vez da África do Sul. A derrota por 3 a 0, válida pelo grupo A, ajudou para que os bafana-bafana fossem eliminados ainda na fase de grupos. Por último – e maior orgulho dos uruguaios – está a eliminação argentina na Copa América de 2011. Após empate em 1 a 1, a vaga para a semifinal foi decidida nos pênaltis. Cinco a quatro para os “aguafiestas” e fim do caminho para os anfitriões.

Aos brasileiros resta retomar o histórico que lhes favorece. Jogando em Belo Horizonte, palco da semifinal desta quarta-feira, Brasil e Uruguai se enfrentaram apenas uma vez. Na inauguração do Mineirão, a seleção brasileira disputou o amistoso representada por jogadores do Palmeiras. A vitória tranquila por 3 a 0 marcou o primeiro jogo de um dos maiores estádios do Brasil e, para o torcedor brasileiro, é a esperança de que esse episódio se repita logo mais, às 16h.

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