Para manauaras, turismo é o maior legado da Copa
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Para manauaras, turismo é o maior legado da Copa

População aponta como um dos maiores problemas as obras de mobilidade urbana, que não saiu do papel

Seleção Universitária

18 de julho de 2014 | 17h42

População aponta como um dos maiores problemas as obras de mobilidade urbana, que não saiu do papel

 

Bruna Chagas – especial para O Estado de S. Paulo

MANAUS – A boa impressão que os manauaras causaram aos visitantes antes, durante e após a competição foi tanta que até hoje, cinco dias após o término da competição, ainda é possível encontrar turistas passeando pela cidade. Mas nem tudo foi perfeito. Para os manauaras, a maior promessa de legado era mobilidade urbana e isso não saiu do papel.

A comerciante Helen Lira, 53, trabalhou em todos os dias da Copa em um dos bares mais badalados no centro de Manaus e o que ficou de legado pelo menos para ela e seus funcionários foi o turismo. “Muitos estrangeiros vieram a Manaus sempre com a curiosidade da floresta, porém se depararam com pessoas agradáveis e hospitaleiras e isso os encantou profundamente”.

Para o guia turístico James Vieira, 26, que acompanhou grupos de estrangeiros no centro da cidade, o clima foi de festa todos os dias e o intercâmbio cultural foi a melhor maneira de se compreender o que os povos achavam da cidade e o que queriam. “Os turistas estavam muito curiosos para aprender mais sobre a cidade e seus habitantes. Não houve preconceitos. Simplesmente se juntaram aos manauaras e parecia que já eram amigos de longa data.”

A professora de língua inglesa Juliana Souza, 28, trocou conhecimentos com inúmeros ingleses que vieram logo nas primeiras semanas do mundial e até recebeu alguns estrangeiros em casa. “Não tive receio de recebê-los em minha casa porque já fiz um intercâmbio na Inglaterra e fiquei na casa de pessoas que me acolheram muito bem. Queria retribuir da mesma hospitalidade que tive quando fui para lá. Para mim o legado é esse intercâmbio que só o turismo proporciona.”

Decepção. Mesmo com toda a repercussão positiva, alguns manauaras ficaram decepcionados em relação ao legado, pois muitos esperavam que ficasse de herança da Copa algo concreto como os estádios, alguma utilidade pública como o monotrilho ou BRT.

A estudante de direito Geovana Lins, 36, disse que os governos deveriam ter pensado melhor na elaboração do projeto de mobilidade urbana. “A realidade em Manaus é diferente da realidade do sudeste. Aqui não há um transporte coletivo que atenda a toda a massa. A ideia do BRT ou mesmo do monotrilho era para ajudar a população, mas não saiu do papel. Isso é decepcionante.”

Já para o feirante e estudante de administração João Pereira, 37, o legado também deveria ser o da mobilidade urbana, pois não há transporte de qualidade. “Infelizmente nossas conduções são péssimas. Não há uma organização, nem limpeza e com a Copa acreditávamos que, por exemplo, o monotrilho ajudaria a melhorar a vida de quem precisa de um transporte público para trabalhar ou estudar.”

O monotrilho era o principal projeto de mobilidade urbana da capital e foi retirado da matriz de responsabilidade da Copa ainda em 2013. No fim do ano, a Justiça Federal suspendeu os trâmites para a celebração do contrato e repasse de verbas destinadas à implantação do monotrilho, orçado inicialmente em R$ 1,3 bilhão.

A prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas também retiraram o projeto de implantação do BRT (Bus Rapid Transit) alegando inviabilidade gerada pelo atraso para aprovação e liberação de recursos.

Como alternativa para melhorar o fluxo de veículo no período da Copa, a prefeitura de Manaus iniciou, em fevereiro deste ano, a implantação do BRS (Bus Rapid Service), sistema de corredores exclusivos para ônibus que visa dar mais agilidade ao sistema de transporte coletivo.

Para a implantação do sistema, a prefeitura revitalizou todas as 16 paradas existentes do antigo sistema Expresso, na primeira etapa (Avenidas Constantino – Torquato) e na segunda etapa (Avenida Camapuã – Alameda Cosme Ferreira – Avenida Grande Circular). O custo total da obra foi um pouco mais de R$ 3 milhões.

Aeroporto. As obras registraram diversos impasses desde quando foram iniciadas, em novembro de 2011. Ainda em obras, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Zona Oeste, passou por obras de reforma e ampliação para receber turistas durante o mundial. Uma parte da obra foi concluída e outra deve ser finalizada após o mundial.

A Infraero disse que o terminal estava preparado para atender a demanda prevista para a Copa. Em janeiro deste ano, as salas de embarque e desembarque internacional remoto foram liberadas para a população, além das novas áreas do saguão, alfândega, imigração, estacionamento – que tem capacidade para 1.085 carros.

Os serviços previstos para pós-Copa são: reforma das salas de embarque, praça de alimentação e restante do estacionamento. Cerca de 380 mil pessoas devem passar pelo aeroporto nesse período. O novo terminal eleva a capacidade de passageiros por ano de 6,4 milhões para 13,5 milhões.

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