Partida no Maracanã é marcada por clima quente e jogo morno
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Partida no Maracanã é marcada por clima quente e jogo morno

Victor Costa

16 de junho de 2013 | 19h30

Do lado de fora, cerca de 500 pessoas que protestavam pacificamente foram reprimidas com força; dentro do estádio, Balotelli e Pirlo deram a vitória à Azzurra

 

Manifestante protesta contra a Copa do Mundo no acesso ao Marcanã (Fabrício Lobo Figueira/Seleção Universitária)

Próxima a acesso ao Maracanã, manifestante participa de protesto (Fabrício Lobo Figueira/Seleção Universitária)

Fabrício Lobo, Tiago Nicacio e Victor Machado – Seleção Universitária – especial para o Estado

RIO DE JANEIRO – Um ato de repúdio contra o aumento do custo de vida no Rio de Janeiro, organizado próximo ao Maracanã, foi reprimido de maneira violenta pela Tropa de Choque da Polícia Militar na tarde deste domingo, 16.

Pouco antes do início da partida entre Itália e México, pela Copa das Confederações, cerca de 500 pessoas se reuniram pacificamente na Avenida Maracanã para participar da manifestação. A intenção era marchar em direção ao estádio, o que causou a reação truculenta dos policiais militares.

Enquanto alguns dos manifestantes cantavam o Hino Nacional no meio da avenida, a Tropa de Choque atacou com bombas de efeito moral e spray de pimenta. A maioria correu e buscou abrigo nas estações de metro e trem de São Cristóvão, que são adjacentes à via pública.

“Foi uma ação desnecessária, a gente só queria chegar ao Maracanã. O gás de pimenta caiu até dentro do metrô, atingindo gente que não tinha nada a ver com o protesto”, conta Leonardo Maia, estudante de geografia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

 

Pai e filho fogem de confronto perto do Maracanã (Fabrício Lobo Figueira/Seleção Universitária)

Pai e filho fogem de confronto perto do Maracanã (Fabrício Lobo/Seleção Universitária)

Gilberto Kreisler, estudante que estava bem na linha de frente da manifestação, também não compreendeu a ação dos policiais. “A gente estava conversando sobre a possibilidade de caminhar até o Maracanã quando, do nada, estouraram as primeiras bombas. A postura da polícia foi repressora.”

“Antes de chegar aqui, fomos revistados pela própria Tropa de Choque, e um dos policiais até falou: a gente não tem nada contra vocês, também pegamos ônibus”, afirmou Kreisler.

Após a primeira ação da PM na via pública, os manifestantes se reagruparam do outro lado das estações de trem e metrô, próximo à Quinta da Boa Vista. Novamente, os policiais atacaram com bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta.

Uma nova manifestação está marcada para esta segunda-feira, às 17h, na Candelária, centro do Rio de Janeiro. No evento criado para o ato no Facebook, mais de 37 mil pessoas já confirmaram presença.

Instalações

Dentro do estádio, os banheiros femininos receberam críticas por conta da ausência de espelhos, mas a constante manutenção da limpeza também lhes renderam elogios. Do outro lado, um banheiro unissex individual não recebia nenhum cuidado, não tinha papel e estava com o chão molhado e sujo.

Em um canto mais escondido do corredor, uma sala de reuniões estava aberta, empoeirada e com a luz apagada, sem sinalização alguma nas paredes ou na porta.

Nas arquibancadas, os torcedores reclamaram do volume do alto-falante do estádio, baixo. O problema foi resolvido apenas no final do primeiro tempo. Os telões também foram criticados em relação à qualidade das imagens e por causa de replays cortados ao meio.

Na saída do Maracanã, a fila para o metrô ocupou toda a rampa que o liga ao estádio. À noite e com pouca iluminação no local, algumas pessoas se assustaram com o buraco que percorre as laterais da rampa, também sem sinalizações.

Transporte

Os trens eram gratuitos para quem portasse ingressos para o jogo, mas houve quem reclamasse da burocratização do sistema. “Pegaram a identificação de todos, preencheram uma planilha à mão e só depois entregaram os passes”, afirmou a advogada Neide Aparecida, moradora da zona oeste.

O Jogo

Na reestreia do Maracanã em competições oficiais, Itália e México fizeram um jogo movimentado, mas sem muito brilho. A seleção tetra-campeã do mundo confirmou o favoritismo e venceu por 2 x 1. Os gols do jogo foram marcados pelas estrelas das equipes, Pirlo e Balotelli pelo lado italiano, e Javier Hernandez, o Chicharito, anotou para os mexicanos.

A Azzurra começou melhor no jogo, marcando no 4-3-2-1 e atacando no 4-2-3-1 os italianos confundiram o time do México, que demorou a se acertar na marcação. Balotelli quase marcou na primeira chance do jogo, mas Corona impediu. O primeiro tempo foi dominado pela Itália. Com a maioria das jogadas pelo lado esquerdo, os italianos criaram as melhores chances. Mas foi numa bola parada que o placar foi aberto. O sempre perigoso Pirlo cobrou falta com perfeição no ângulo, o goleiro mexicano ainda deu uma ajudinha encolhendo os braços.

Assim como a Itália, os mexicanos também concentravam seus ataques pelo lado esquerdo. Os dois únicos bons momentos do México vieram em lampejos de Giovanni dos Santos e bobeadas da defesa adversária.  Primeiro ele ganhou a dividida na linha de fundo e tocou para a chegada de Guardado que carimbou a trave de Buffon. Depois, já com 1 x 0 a favor da Itália, dos Santos tomou a bola de Bazagli e o defensor cometeu o pênalti. Chicharito Hernandez não perdou, tudo igual no Maracanã.

Na etapa complementar, a partida se manteve. Os dois times continuavam a buscar o ataque pelo lado esquerdo. O México, ainda sem criatividade, não conseguia invadir a área adversária, sobrou arriscar da intermediária, sem sucesso, Buffon não aceitou. Pelo lado italiano o lateral De Sciglio apoiou bem e cruzou algumas boas bolas na área, mas Balotelli, sozinho não ganhava dos zagueiros. Pirlo teve desperdiçou duas chances de desempatar em cobranças de falta. O gol da vitória italiana veio dos pés dele, Balotelli. Giaccherini escorou um lançamento da direita, enquanto a bola subia e viajava para dentro da área, o Super Mário fez a parede nos zagueiros, dominou a redonda e de carrinho estufou as redes.

Arbitragem

O chileno Enrique Osses conseguiu levar bem a partida. O árbitro aplicou 5 cartões amarelos e nenhum vermelho. Mesmo com o aspecto disciplinar bem controlado, teve polêmica. Pirlo e Balotelli reclamaram de pênaltis não marcados. No primeiro tempo, Guardado derrubou o meia italiano na área e na segunda etapa, o atacante foi seguro, fora da área.

(Com colaboração de Victor Costa)

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