Patrocinadores fazem acordo com comerciantes de Itaquera
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Patrocinadores fazem acordo com comerciantes de Itaquera

Seleção Universitária

30 de maio de 2014 | 14h59

Sem a previsão da venda exclusiva, donos de bares buscam contrapartida nas negociações

 

Comércio de Itaquera torna-se estratégico para as marcas da Copa (Rafael Arbex/Estadão)

 

Pedro Hallack – especial para O Estado de S. Paulo

SÂO PAULO – Quem andar pelos arredores da estação do metrô Artur Alvim, próxima à Arena Corinthians, perceberá a grande incidência da cor vermelha no local. É neste tom que as empresas patrocinadoras da Fifa estão pintando estabelecimentos comerciais localizados nas proximidades do palco de estreia do Brasil na Copa.

Beneficiados pela Lei Geral da Copa, que não permite a promoção de marcas concorrentes das que já patrocinam o mundial em um perímetro de até 2 km em volta dos estádios, os parceiros da entidade aproveitam para divulgar as respectivas marcas na região.

Comerciantes do local explicaram que o acordo com as empresas que patrocinam o evento não prevê a venda exclusiva de seus produtos aos clientes. As negociações entre ambas as partes ocorreram individualmente, com cada estabelecimento solicitando diferentes contrapartidas para ter a sua fachada pintada e o seu interior decorado. Dos nove locais visitados pela reportagem que passaram por algum tipo de mudança, em seis deles os acordos se deram de maneira informal, sem a assinatura de contrato.

Como no caso do comerciante José Lima, 39, para quem a pintura na frente, a decoração interna de seu bar e a instalação de dois frigobares pagas pelos patrocinadores, Ambev e Coca-Cola, foram suficientes. “Foi bom para mim. Antes era tudo feio, pichado e agora todo mundo veio me dar os parabéns por ter ficado mais aconchegante”, afirmou.

Odair Campos, 42, dono de outro bar na região, explica como foi a negociação com um dos patrocinadores para ter o local decorado. “O pessoal da Coca-Cola me procurou para fazer a decoração já no ano passado. Eles pintaram a frente do bar e colocaram algumas placas de menu em frente ao negócio”, afirmou. “A negociação ocorreu de maneira mais informal, no boca a boca mesmo. Se eu fosse pagar, a pintura da fachada custaria uns R$ 600.”

Sócio de uma padaria nas imediações da estação de metrô Artur Alvim, Everaldo Lima, 36, percorreu o caminho contrário. Foi ele quem procurou as empresas parceiras da Fifa para ter a sua fachada decorada. “Como já compramos de ambos (Coca e Ambev), procurei-os para ver se eles podiam renovar a fachada para mim, ou dar algo para nos ajudar. Então eles (da Coca) propuseram a pintura da frente, e eu acabei fechando o acordo no começo deste ano, depois de incluir a instalação de um toldo na negociação. Não fechei com a Ambev porque eles queriam anunciar a marca da Brahma na frente do estabelecimento, o que não me agradou”, explicou.

Em outro tipo de situação, Luciano Ferrari, 38, gerente de uma mercearia, declarou que o local apenas aceitou a pintura da fachada e a decoração interna por já vender produtos da Coca-Cola. “Se eu não vendesse, não valeria a pena. Eles teriam que pagar alguma verba para tal.

Seguindo uma linha mais desconfiada, Wilson Macedo, 46, um dos sócios de uma lanchonete, conta que pediu 10 caixas de cerveja para fechar o negócio. “Não sou bobo de fazer propaganda de graça para os outros”, afirmou.

O comerciante Marcio Magal, 42, disse que a Coca-Cola propôs a assinatura de um contrato para a decoração de seu bar. “No meu caso, eles propuseram um contrato, aceito por mim, para decorar o interior do negócio e instalar um toldo vermelho no lado de fora”, explicou. “A fachada aqui só não foi pintada por ser de azulejo.”

Já a comerciante Elaine Campos, 26, dona de uma sapataria na região, teve a fachada pintada após procurar a Coca para instalar um frigobar em sua loja. “Na negociação para eu conseguir uma geladeira para o espaço, eles ofereceram também a pintura da frente da loja, e eu aceitei”, explicou.

Ainda no lado dos que assinaram contrato, Oziel Paulino, funcionário de um bar próximo ao metrô da Artur Alvim, explicou que o estabelecimento já era parceiro da Coca-Cola. “Eles (da Coca) são nossos parceiros há aproximadamente 6 anos. Nosso contrato já prevê esse tipo de ação”, afirmou.

Ambev. O gerente de comunicação da Ambev, Ricardo Amorim, explicou por telefone que a ação não se restringe ao entorno da Arena Corinthians e nem à cidade de São Paulo, ocorrendo em cidades espalhadas por todo o Brasil e não apenas nas cidades-sede do torneio. “Queremos democratizar a festa, levando-as para além dos estádios, das Fan Fests e das próprias cidades e estados que sediarão os jogos”, afirmou.

Coca-Cola. A assessoria da Coca-Cola Brasil informou, por e-mail, o seu posicionamento nesta ação. “Trata-se de uma contribuição da empresa em parceria com a Coca-Cola e os varejistas da região de Itaquera, visando a Copa do Mundo Fifa 2014”, explicou a nota. “A ativação acontece com a pintura das fachadas e toda a publicidade no interior do estabelecimento”. A empresa também afirmou seguir as normas e as leis implementadas nos estados e cidades aonde possui operação.

Recusa. Dos 10 estabelecimentos visitados pela reportagem, apenas um, da rede supermercados Extra, não aceitou ter a fachada pintada de vermelho. “Recusamos por causa da política da empresa, que não quer descaracterizar a nossa marca”, disse o gerente Rodrigo Caetano.

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