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População do DF se divide sobre legado da Copa

Obras de mobilidade e novo estádio geram discussões

Seleção Universitária

18 de julho de 2014 | 18h49

Obras de mobilidade e novo estádio geram discussões

 

Jorge Macedo – especial para O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Sede de sete jogos da Copa do Mundo, o Distrito Federal encerrou a participação no mundial com um legado tímido diante do que se esperava antes da competição. Das obras prometidas, apenas a ampliação da via que liga o Aeroporto Juscelino Kubitschek ao centro da capital e a construção do novo Mané Garrincha saíram do papel. O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) não foi construído porque a licitação foi anulada pelo Ministério Público do DF.

A reforma da DF-047, prevista para ser concluída em novembro de 2011, foi entregue em maio deste ano, um mês antes do início do mundial. Cerca de 80 mil veículos passam pela via diariamente. Duas pistas foram ampliadas e restauradas. Além disso, um viaduto foi construído e o balão do Aeroporto JK foi reformado, ao custo total de R$ 54 milhões. A obra é a única que constava na Matriz de Responsabilidades da Copa, já que o projeto do VLT saiu da matriz quando a Justiça cancelou a licitação para a construção do transporte, ainda em 2010.

De acordo com o Governo do Distrito Federal, o VLT foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em abril de 2012 e os recursos para o primeiro trecho do projeto já foram liberados. O GDF alega que a obra está parada porque ainda falta o dinheiro para a aquisição de dez trens. Para a engenheira Cláudia Costa, 39, as obras para o mundial prejudicaram muito a população. “Foi um transtorno para quem mora no Gama e Santa Maria principalmente. Entre 6h e 9h e depois das 17h era um caos o trânsito, engarrafamentos quilométricos. As obras terminaram e não percebi grandes mudanças em relação ao que era antes”, desabafou.

Já o taxista Artur Sampaio, 47, elogia as mudanças feitas por causa da Copa. “Trabalho no aeroporto há quase vinte anos e agora as coisas parecem melhores. A pista que liga o centro até aqui foi reformada e facilitou nossa vida. Acho que é uma questão de tempo até as pessoas se adaptarem e perceberem as diferenças”, explicou. O consórcio Inframérica, que administra o local, construiu duas novas estruturas: Pier Sul e Norte. Juntas, as obras dobraram a capacidade do aeroporto, que agora comporta até 25 milhões de passageiros por ano. Ao todo, a Inframérica deve investir até R$ 1,2 milhão no local até agosto.
Estádio. O maior e mais visível legado da Copa em Brasília é o Estádio Nacional Mané Garrincha. Com custo inicial previsto em R$ 740 milhões, a construção da arena custou pelo menos o dobro do estimado: R$ 1,4 bilhão, financiado integralmente com verba do governo. Com capacidade para 72 mil pessoas, o GDF é suspeito de superfaturar a obra. O Tribunal de Contas do DF estima que R$ 430 milhões foram utilizados de maneira irregular.

O estudante Lucas Castro, 25, assistiu três jogos do mundial no estádio. Para ele, os custos não se justificam. “O Mané ficou muito bonito, mas aqui não foi gasto toda essa grana. Vi cadeiras quebradas, parafusos soltos. Muitos fios estão expostos do lado interno, parece que não ficou pronto ainda. É muito dinheiro para algo que não será usado pela maioria das pessoas”, argumentou.

O aposentado João Martins, 68, viu a vitória da seleção brasileira contra Camarões, ainda na primeira fase. Com quase 70 mil pessoas no local, ele ficou encantado com tudo o que presenciou. “A festa foi linda demais, um momento inesquecível. Não conhecia o estádio, é tudo muito grandioso. Brasília ganhou mais uma obra de arte a céu aberto. Aqui somos privilegiado, temos um museu pelas ruas e não é preciso pagar nada. Esse é um legado importante para todos nós”, afirmou.

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