Prefeitura do Rio veta voluntários nos aeroportos
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Prefeitura do Rio veta voluntários nos aeroportos

Tiago Xavier

29 de junho de 2013 | 14h27

Administração municipal alegou baixa demanda para dispensar o voluntariado, que havia participado de toda preparação visando à Copa das Confederações

 

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Voluntariado durante palestra preparatória na UFRJ (Arquivo pessoal de Eliana Cruz)

Tiago Nicacio – Seleção Universitária – especial para o Estado

RIO DE JANEIRO – Uma falha de comunicação entre o Ministério do Esporte e a Prefeitura do Rio de Janeiro frustrou as expectativas dos voluntários que iriam trabalhar nos aeroportos da cidade durante a Copa das Confederações. Selecionados e treinados para atuar durante a competição, eles foram avisados na véspera da abertura do torneio que suas participações ficariam restritas a apenas um dia, definido pelos organizadores do Programa Brasil Voluntário, vinculado à pasta federal.

Inicialmente, o Ministério do Esporte estimou que seriam necessárias 920 pessoas para cobrir todas as vagas no Rio de Janeiro, número que consta no convite às empresas para participar de licitação para prestação de serviços de seguro de assistência e acidentes pessoais destinados aos voluntários.

Em contrapartida, a Prefeitura do Rio previa um número menor, pois considerou desnecessária a presença de voluntários nos aeroportos Santos Dumont e Galeão, dada a baixa demanda durante o evento – 70% do público dos jogos da Copa das Confederações na cidade é carioca. Com isso, apenas 440 pessoas foram convocadas, algumas para trabalhar em apenas um dia.

Eliana Cruz, 55, foi uma das voluntárias que teve a participação no torneio diminuída por conta do remanejamento. Entre inscrição e treinamentos, ela conta que foram pelo menos três meses se dedicando ao trabalho voluntário. No final, foi convocada para participar somente do último dia de competição.

 

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Bombeiros auxiliam na preparação dos voluntários (Arquivo pessoal de Eliana Cruz)

 

“Fiz todos os treinamentos, presenciais e online, e recebi um email confirmando que havia sido selecionada para trabalhar nos aeroportos. Foi um desrespeito”, desabafa, completando que provavelmente não irá se apresentar no dia estipulado pelos organizadores.

 

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Eliana e Marluce durante o treinamento: as duas fizeram camisas personalizadas para a ocasião (Arquivo pessoal de Eliana Cruz)

 

Moradora de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio, Marluce Gomes viveu a mesma situação. Após completar o treinamento no campus principal da UFRJ, na Ilha do Fundão, descobriu que só trabalharia no domingo, dia 30.

“Só fiquei sabendo que estava fora no dia que fui buscar meu uniforme”, lembra.

Apesar do mal-entendido no Rio de Janeiro, o Ministério do Esporte garante que o contingente do voluntariado capacitado que ficou fora da Copa das Confederações segue cadastrado no programa e irá ser convocado para a Copa do Mundo, em 2014.

Voluntários da Fifa seguem ‘lei da mordaça’

A dinâmica de recrutamento adotada pela FIFA difere um pouco daquela empregada pelo Brasil Voluntário. A primeira etapa, online, aconteceu com bastante antecedência, no início de 2012. Os participantes receberam retorno da entidade máxima do futebol mundial em novembro, e os selecionados passaram então por um uma etapa de treinamento virtual e, em seguida, entrevistas.

Após esse processo, eles foram pré-alocados em vagas determinadas, mas sem nenhuma garantia de participação. A resposta definitiva para quem trabalharia no Rio de Janeiro veio no dia 15 deste mês, abertura da competição.

Sem registrar os mesmos problemas de logística do programa federal, a FIFA impõe um controle mais rígido sobre os voluntários sob sua tutela. Para participar do evento, eles assinam um acordo com a entidade, onde se comprometem a não dar entrevistas até o fim do trabalho voluntário.

“Estaria plenamente disposta a relatar minha experiência, mas infelizmente não posso”, disse uma das voluntárias da FIFA à reportagem.

 

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