Principal legado em BH facilita a vida da população e prejudica taxistas
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Principal legado em BH facilita a vida da população e prejudica taxistas

Novo meio de transporte recebe elogios; obras de mobilidade ainda estão inacabadas

Seleção Universitária

18 de julho de 2014 | 15h31

Novo meio de transporte recebe elogios; obras de mobilidade ainda estão inacabadas

Trânsito de BH: corredores livres para o Move e tráfego congestionado com carros, motos, ônibus comuns e táxis ao fundo (Prefeitura de Belo Horizonte/Divulgação)

 

Gabriel Gama – especial para O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE – O Mundial já acabou, mas as obras de mobilidade urbana do pacote Copa em Belo Horizonte ainda não. Apesar dos atrasos e trechos entregues fora do prazo, as pessoas nas ruas aprovaram as implementações, principalmente, as construções dos corredores do BRT/Move, o novo sistema articulado de ônibus e principal legado para a capital mineira.

Para Ubirajara Faria, 50, que trabalha como vigilante em um prédio residencial na Savassi, os 23 quilômetros de pistas exclusivas do Move foram a melhor opção a curto prazo para resolver os problemas de transporte da cidade. “Não daria tempo de ampliar as linhas de metrô. Demoraria anos e anos”, afirma.

Faria utiliza o meio quatro vezes na semana para sair da faculdade de Direito, onde estuda à noite, até a sua casa. “Além do tempo, que é mais rápido, a vantagem é o conforto”. Os veículos do BRT possuem ar condicionado e têm mais espaço que os ônibus tradicionais.

O novo sistema de transporte público também interferiu diretamente na vida do engenheiro Gustavo Reis, 33. De carro, ele demorava uma hora do trabalho até a região de Venda Nova, onde mora. “Estou gastando metade do tempo agora. Vale muito mais a pena”, diz.

Reis, porém, lamenta que algumas obras, fundamentais para melhorar a mobilidade de BH, saíram da matriz inicial. São os casos da ampliação das linhas do metrô e da duplicação da BR-381. “Faz tanto tempo que a população pede e nada foi feito”, reclama.

Entretanto, para Sérgio Diniz, 40, o Move é uma incógnita. Ele ainda espera a estação da Cidade Administrativa, em Vespasiano, região metropolitana, prevista para ser inaugurada no mês de agosto. Durante a semana, Diniz gasta 45 minutos de transporte público da região ao centro, local do seu segundo emprego. Com a nova estação em funcionamento, os ônibus que ligam os bairros mais distantes ao centro serão retirados.

“O Move irá direto para o centro, sem paradas, mas terei que pegar um outro ônibus para chegar à estação. Talvez, eu demore até mais tempo”, analisa.

Apesar de as obras serem benéficas para a população, o Move traz prejuízos a taxistas. A implementação do novo transporte obrigou os taxis a saírem dos corredores centrais das principais avenidas para dar lugar ao BRT. Para Anderson Siqueira, 36, a estratégia foi inútil. “Trocaram seis por meia dúzia. Os ônibus e táxis que ficavam nos corredores voltarão para o fluxo das outras pistas. O trânsito continuará com o mesmo problema”, garante.

Antes do Move, o motorista gastava 20 minutos do centro até a Pampulha – metade do que percorre atualmente. “É péssimo para os taxistas. Perdemos tempo e dinheiro”, completa.

Números. O governo de Minas Gerais, o federal e a prefeitura de BH já gastaram cerca de R$ 620 milhões de R$ 1,175 bilhões contratados para obras de mobilidade urbana, segundo dados atualizados do Portal de Transparências até esta sexta-feira, 17. Das sete obras programadas no pacote Copa, cinco estão diretamente ligadas ao Move.

De acordo com informações da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), 96% dos projetos estão concluídos. O que ainda falta ser finalizado são as fases de acabamento da Estação São Gabriel e da Pampulha, dos corredores da avenida Cristiano Machado e Antônio Carlos, a trincheira que liga as avenidas Pedro I e Vilarinho, além das últimas etapas do corredor Dom Pedro I.

Já segundo a secretaria da prefeitura, a única obra retirada da matriz inicial foi a Via 710, responsável por ligar as avenidas Andradas e Cristiano Machado. O trecho está em fase de licitação. A revitalização da Lagoa da Pampulha e do Anel Rodoviário, a criação do Rodoanel Norte, a duplicação da BR-381 e a ampliação do metrô chegaram a ser cogitadas, mas não entraram no pacote Copa.

As obras concluídas até agora são o BRT/Move da área central, da Cristiano Machado e da Antônio Carlos, o corredor Pedro II, o complexo Via 210, o Boulevard Arrudas e o Centro de Operações da Prefeitura (COP).

Erro. A principal obra atrasada é a do corredor Dom Pedro I. Nos últimos dois anos, o trecho foi alvo de denúncias de superfaturamento e entregas fora do prazo. Em construção desde 2011, por meio de licitação e com recursos federais, o corredor ganhou repercussão nacional quando um dos viadutos, o Guararapes, desabou no dia 3 de julho, deixando dois mortos e 23 feridos. A retirada dos escombros e a demolição foram finalizados praticamente uma semana depois.

Faria acredita que houve uma pressão por parte do poder público para apressar a construção do viaduto. “Só agora que eles estão colocando as tais vigas de sustentação. Faltou comprometimento e responsabilidade. Pagaram com vidas”, critica o vigilante.

Em abril, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) disse que as obras do complexo não seriam entregues a tempo para a Copa por problemas jurídicos de desapropriação. As pistas do corredor estão prontas, mas os viadutos terminarão somente no segundo semestre. Além do viaduto que caiu, um outro em construção sofreu um deslocamento de 27 centímetros em fevereiro.

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