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Recifenses se dividem quanto ao legado da Copa

Com obras de mobilidade ainda em andamento, população é reticente ao avaliar o legado

Seleção Universitária

18 de julho de 2014 | 16h00

Com obras de mobilidade ainda em andamento, população é reticente ao avaliar o legado

 

Emanuel Leite Jr. – especial para O Estado de S. Paulo

RECIFE – Que a Copa do Mundo no Recife foi um sucesso, não há a menor dúvida. A capital pernambucana foi avaliada por 82,3% dos turistas – nacionais e estrangeiros – como boa ou ótima – 80% dos entrevistados afirmaram que pretendem voltar a visitar a cidade, de acordo com pesquisa do Centro Integrado de Pesquisa e Comunicação (Cipec).

Quando o assunto é o tão falado legado da Copa para a população local, porém, as opiniões se dividem.Há quem se sinta satisfeito com o que ficou para a cidade, porém muitos preferem esperar pelo fim das principais obras de mobilidade. Enquanto os moradores de São Lourenço da Mata, município onde fica a Arena Pernambuco, são os menos entusiasmados.

A Via Mangue, grande obra viária na Zona Sul do Recife, foi inaugurada parcialmente no dia 13 de junho, operando apenas em um sentido: centro-subúrbio. Em um mês de funcionamento, a via absorveu 41% do tráfego de veículos que utilizavam a Avenida Domingos Ferreira, no bairro de Boa Viagem, para realizar o mesmo trajeto. De acordo com a Companhia de Trânsito e Transportes Urbano (CTTU), 19 mil automóveis trafegam pela Via Mangue e cerca de 28 mil passam pela Domingos Ferreira.

Com isso, quem se desloca do centro da cidade para a Zona Sul, tanto em veículo particular como em transporte público, teve ganho no tempo.

A antropóloga Emmanuelle Vieira, 24 anos, diz que foi beneficiada com a inauguração da Via Mangue. “Eu ando de ônibus, e como a Domingos Ferreira passou a ter uma faixa exclusiva para transporte público, a viagem é bem mais rápida”, disse.

Já o empresário Fernando Silva prefere esperar pela conclusão da Via Mangue para poder elogiar. “Por enquanto, está tudo tranquilo. Realmente, você chega à Zona Sul com mais rapidez. Porém, ainda é preciso ver como vai ficar quando estiver operando no sentido contrário. Parece que a saída no Pina vai ser o grande gargalo”, avaliou.

Outra obra inacabada é a das estações do BRT (Bus Rapid Transit). O corredor Leste/Oeste foi inaugurado em junho com apenas duas estações prontas. Durante a Copa, este corredor foi utilizado em dias de jogos, fazendo ligação expressa entre o centro do Recife a Arena Pernambuco.

Atualmente, a linha liga o município de Camaragibe ao Recife e conta com sete estações em operação, de um total de 22. As obras na Avenida Caxangá, principal via por onde passa a linha, dificultam o trânsito. Porém, para alguns a situação já esteve pior. É o que diz o operador de logística, Dinaldo Neto, 37, que mora no bairro do Cordeiro. “Eu pego tanto ônibus, como BRT para ir trabalhar e está bem tranquilo. Principalmente de BRT, que tem uma faixa exclusiva”, afirmou. “É lógico que as obras geram alguns pontos de retenção, mas como já estão em fase adiantada, o transtorno é bem menor.”

No dia 16 de julho, entrou em operação o corredor Norte/Sul, ainda em fase de testes até 27 de julho. A via liga o Terminal Integrado da PE-15, em Olinda, à Avenida Dantas Barreto, no centro do Recife. Entretanto, assim como o corredor Leste/Oeste, a linha foi inaugurada apenas com duas estações em funcionamento. André Melibeu, coordenador de operações do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano, prevê que no dia 28 de julho mais duas estações estejam funcionando: Parque 13 de Maio e Rua do Riachuelo.

São Lourenço da Mata. Município onde fica a Arena Pernambuco, palco de cinco jogos da Copa do Mundo, São Lourenço da Mata passou ao lado da competição da Fifa. Quem trafega pela cidade, não se dá conta de que nove seleções jogaram na cidade, incluindo a campeã mundial, Alemanha. Para seus habitantes, é como se não tivesse havido Copa por lá.

“A Copa não trouxe nada de bom. Está tudo do mesmo jeito. O transporte é horrível. As ruas estão todas esburacadas”, lamenta a porteira Hildalina Damásio, 53. “Durante a Copa, era como se não tivesse nada na cidade. Nem turista a gente via por lá”, prossegue. “De obra mesmo só teve a estrada que liga direto para a Arena. Mas para a população em geral, não houve benefício algum. O terminal de Camaragibe é o mesmo, ou seja, continua péssimo para a gente que precisa do transporte público.”

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