Com vitória sobre Itália, seleção brasileira fica na liderança
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Com vitória sobre Itália, seleção brasileira fica na liderança

Victor Costa

22 de junho de 2013 | 17h35

Vantagem é importante para tentar fugir da Espanha na semi-final, mas adversário ainda não está definido
 

Fred aproveita rebote para marcar quarto gol do Brasil (José Patrício/Estadão)

Fred aproveita rebote para marcar quarto gol do Brasil (José Patrício/Estadão)

 

Vitor Villar e Vanderson Pimentel – Seleção Universitária – especial para o Estado

SALVADOR, SÃO PAULO – Depois de um jogaço contra o Japão, a seleção italiana repetiu a dose contra o Brasil, mas desta vez levou a pior. Num jogo de seis gols, a seleção brasileira fez 4 a 2 e garantiu a liderança do grupo A. A Itália ficou na segunda posição e deve enfrentar a Espanha.

A promessa do técnico brasileiro para um time com mais pressão foi cumprida. Logo no início do jogo o Brasil já iniciou um ataque que deixou os italianos perdidos. A primeira vez que a Itália passou da linha do meio campo foi a partir dos quatro minutos. À medida em que a partida ficava mais equilibrada, o gramado ia se convertendo em campo de batalha. No primeiro tempo, foram 20 faltas,  três cartões amarelos e três substituições – uma delas resultando em gol. Aos 46, Dante, que entrou no lugar de David Luiz, marcou no rebote de Buffon.

A Itália empatou aos 6 minutos do segundo tempo, com um belo passe de Balotelli para Giaccherini, que chutou cruzado para dentro do gol. Mas em seguida, aos 9, Neymar volta a trazer a vantagem para o Brasil. Em uma precisa cobrança de falta, o jogador do Barça faz seu terceiro gol em três jogos pelo torneio. O placar foi ampliado por Fred. O atacante recebeu lançamento preciso de Marcelo, fez a parede na zaga adversária e chutou de canhota para desencantar.

Porém a Itália não sentiu o golpe. Depois de uma bola cruzada e uma confusão na área a bola sobrou para o zagueiro Chiellini amenizar o prejuízo aos 26 minutos. A partir daí se iniciou uma pressão azul. Numa bola alçada na área, Maggio carimbou a trave de Júlio César. O aperto brasileiro só teve fim quando Fred fez mais um, de novo com colaboração de Marcelo. O lateral chutou para o gol e Buffon rebateu nos pés do camisa 9, que não perdoou. Com a liderança garantida, a seleção brasileira torce para a Espanha confirmar o favoritismo contra a Nigéria e para o Uruguai não tirar o saldo de gols da Fúria.

 

Dia foi tranquilo

Clima de tranquilidade no entorno da Arena Fonte Nova para o jogo Brasil e Itália pela terceira rodada da Copa das Confederações. Diferente da quinta-feira, 20, quando os protestos dificultaram o acesso dos torcedores ao jogo Uruguai e Nigéria, neste sábado, 22, não houve maiores entraves.

O soteropolitano Bruno Pinheiro comemorou a mudança no lado do acesso norte. “Não tivemos qualquer problema, diferente de anteontem quando foi difícil chegar por aqui. Tive que dar uma volta para chegar pelo outro lado, por causa dos protestos”, explicou o torcedor.

A facilidade no acesso também foi elogiada por quem era de outros estados. “Nota 100 em comparação com Fortaleza. Lá a gente tentou chegar de ônibus depois tentamos por táxi e mesmo assim tivemos dificuldades. Aqui viemos a pé e foi bem tranquilo”, conta o cearense Judison Lira, que veio acompanhado da mulher Vanderleia Lira.

 

Acesso pelos lados norte e leste da arena foi tranquilo (Vitor Villar/Seleção Universitária)

A diferença também era nítida na infra-estrutura montada para o jogo. Diferente da quinta-feira, o esquema de segurança contou com mais policiais, bombeiros, um posto médico e agentes da engenharia de trânsito. “Tem mais PM aqui do que no carnaval, é incrível”, comentou o torcedor baiano Darlan Carvalho. Josefa Fraga, que teve de fechar seu estabelecimento às pressas antes do jogo anterior, mostrava-se aliviada. “Agora está mais tranquilo”,  falou a comerciante.

Entretanto, o trânsito de algumas rotas de acesso ao estádio não fluiu bem. A avenida Bonocô, principal via de acesso ao lado leste da Fonte Nova, e a avenida Vasco da Gama, principal rota de acesso pelo sul, apresentaram congestionamento no início da tarde.

A família do paulista Henrique Pereto escolheu ir de veículo fretado, mas teve dificuldades. “Pegamos muito engarrafamento na Bonocô e o motorista teve que tentar outro caminho para chegar, foi bem difícil”, disse. Sua esposa, Laís Pereto, também reclamou do preço cobrado pelo motorista. “Ele cobrou R$ 380 por uma corrida fechada com oito pessoas na van. Um absurdo”, completou.

Também paulistas, o casal Fátima e João Farkas escolheram vir de táxi, e perderam bastante tempo no trânsito. “Agora é relaxar e aproveitar a alegria baiana, espero que tenhamos um bom jogo”, disse Fátima. O casal de Brasília Alison de Souza e Daiane Rodrigues também encontrou dificuldades. “Devíamos ter vindo num ônibus expresso, estava bem melhor que o táxi”, lamentou Alison.

 

Filas aumentaram cerca de uma hora antes da partida (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Quem escolheu o transporte público, via ônibus convencionais, também encarou a lentidão no trânsito. Porém, alguns deram sorte de virem por regiões menos movimentadas, como os amigos baianos Caillan Farias e Antônio Neto. “Foi tudo tranquilo, viemos num ônibus coletivo e estava bastante vazio. Agora, esperamos um jogo bem divertido”, disse Antônio.

As filas que começaram a crescer à medida que se aproximava o início da partida também incomodaram. Por volta das 15h, formou-se uma enorme aglomeração de pessoas tentando entrar na Fonte Nova pelo lado leste do estádio. Apesar da quantidade de gente, a fila andou bem. A sujeira era outro grande problema. Como não era permitido entrar na arena com latas ou com comida, as pessoas tinham que descartar o lixo no chão assim que chegavam à fila, aonde não havia lixeiras. “Se não tem onde jogar o lixo, o que a gente pode fazer?”, argumentou a baiana Lucélia Santana. “Tá faltando lixeira aqui, eles tem que ver isso e melhorar para a Copa”, reclamou a torcedora Camila Gomes.

 

Sujeira se acumulou no começo das filas (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Outra reclamação constante da torcida foi a distância estabelecida para o perímetro de segurança da Fonte Nova. O longo caminho a ser percorrido era especialmente difícil para o cadeirante Omar Machado, que precisou da ajuda dos amigos para subir a Ladeira das Pedras, no lado norte da arena. “Viemos de carro e o deixamos estacionados aqui perto. O único problema é essa distância toda para percorrer com a cadeira, ainda mais com tanta ladeira na região”, disse Omar.

“Devia ser que nem nos jogos do Bahia aqui na Fonte Nova. Se eles gastaram tanto dinheiro com esse estacionamento, deviam pelo menos liberar para o torcedor que tem necessidades especiais poder estacionar lá dentro”, sugeriu Cristiano Assiz, amigo do cadeirante. “Verdade, porque depois que você estaciona, lá dentro é tudo tranquilo, tem elevador, rampa, tudo para facilitar”, concorda Omar.

Após o encerramento da partida, a saída dos torcedores ocorreu sem maiores problemas. Apenas alguns torcedores que optaram por sair pela Av. Joana Angélica, na parte norte, tiveram dificuldades de encontrar táxi e ônibus na região do centro da cidade.

 

Omar pede liberação do estacionamento para cadeirantes (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Protestos não atrapalham

Os vários protestos que aconteceram em Salvador neste sábado só chegaram à região da Fonte Nova quando a bola já rolava em campo. Um grupo pequeno de manifestantes, com cerca de 500 pessoas, se separou do grupo maior, que ia em uma direção contrária ao estádio, e chegou ao Vale dos Barris, no lado sul do acesso à Fonte Nova, por volta das 16 horas.

Vinte minutos depois, houve discussão com os policiais que faziam o cordão de isolamento no local e os ânimos esquentaram. Os manifestantes, que queriam seguir em direção à arena, tentaram furar o bloqueio disparando rojões. A polícia revidou com bombas de gás lacrimogêneo. O grupo rapidamente se dispersou e a confusão na região se encerrou por volta das 17h, sem atrapalhar também a saída do jogo.

 

 

Confronto próximo à arena durou cerca de meia hora (Vitor Villar/Seleção Universitária)

Festa em São Paulo

No concentra SP, evento oficial da Fifa, o clima era de alegria entre os paulistas. A fan fest realizada no vale do Anhangabaú contou com milhares de torcedores, que começaram a chegar por volta das 13 horas. Houve show de música, stands com jogos para crianças e um bar, com cerveja a R$ 5.

Por conta dos protestos em todo o país, a segurança do torcedor estava reforçada com 250 policiais militares, 170 seguranças particulares, 15 brigadistas, além de dois postos médicos, 4 ambulâncias e 12 câmeras de monitoramento.

A torcida, que assistiu a um jogo sem grandes chances em boa parte do primeiro tempo, se animou com o gols marcados por Dante, Neymar e Fred, e começou a gritar a cantar animada. Presente desde o primeiro jogo do Brasil contra a seleção japonesa no Concentra SP, o torcedor José Simão de 58 anos confia na seleção treinada por Luiz Felipe Scolari, “a Copa das Confederações é apenas o aperitivo, apesar de não estarem 100% prontos, o Brasil é o favorito para vencer a Copa em 2014”, opinou.

Mas nem todos pensavam somente na partida. O estudante André Zimbicki aproveitou o evento para mostrar a  sua indignação com o ex-jogador Ronaldo, por conta de uma declaração feita em 2011, quando disse que hospitais não faziam uma Copa do Mundo. “Para ele que tem dinheiro é fácil dizer isso, mas nós que somos pobres, necessitamos de hospitais, sim”, exclamou o jovem de 17 anos.
Apesar da tranquilidade do evento, uma possível desistência por parte da Fifa de realizar a Copa do Mundo no Brasil também foi assunto entre os torcedores, que não acreditam nessa possibilidade, “Agora não dá mais. Era para Termos protestado quando o Brasil foi escolhido sede da Copa do Mundo”, diz o torcedor José Geraldo Ferreira, de 49 anos.

 

(Com colaboração de Victor Costa)

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