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Salvador sedia raro jogo entre países muçulmanos na história das Copas

Bósnia x Irã acontecerá nesta quarta-feira, 25, na Arena Fonte Nova

Seleção Universitária

24 de junho de 2014 | 13h11

Bósnia x Irã acontecerá nesta quarta-feira, 25, na Arena Fonte Nova

 

Luiz Fernando Teixeira – especial para o Estado de S. Paulo

SALVADOR – O islamismo está diretamente ligado à história de Salvador. Em 1835, um grupo de escravos muçulmanos arquitetou um movimento para tomar o governo: a Revolta dos Malês, que resultou em setenta mortes e mais de 280 prisões. Liderados por Pacifico Licutan e Manoel Calafate, entre outros, eles também buscavam liberdade religiosa para fugir da opressão católica.

Quase 180 anos depois, a capital da Bahia sediará um raro duelo entre duas nações predominantemente muçulmanas em 20 edições da Copa do Mundo. O primeiro aconteceu no Mundial de 1994, quando a Arábia Saudita derrotou o Marrocos por 2 a 1 nos Estados Unidos. Em 2014, Bósnia e Irã se enfrentam na Arena Fonte Nova, no dia 25 de junho, em partida válida pela terceira rodada do Grupo F. Os iranianos ainda têm chances de avançar para a segunda fase pela primeira vez na história, enquanto que os europeus já estão eliminados da competição.

Entre bósnios e iranianos, 98% dos cidadãos são muçulmanos, de acordo com a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). As seleções estão no Grupo F, juntamente com Argentina e Nigéria [inclusive, os africanos também tem uma boa parcela de habitantes muçulmanos, enquanto o resto do país tem uma forte tradição católica].

O duelo foi considerado pelos soteropolitanos como o menos atraente da Copa em Salvador, principalmente após presenciarem as goleadas da Holanda sobre a Espanha, Alemanha sobre Portugal e França sobre Suíça, por 5 a 1, 4 a 0 e 5 a 2, respectivamente. “Como essa Copa está surpreendendo, acho que pode até ser um bom jogo, mais pelo que vi do Irã do que da Bósnia. Pelo retrospecto da Arena, gol vai ter”, disse o publicitário Fábio Mendes.

Já o universitário Guilherme Silva ficou decepcionado com o desempenho da Bósnia no Mundial. “Antes da segunda rodada do grupo, tinha uma expectativa maior porque estava esperando ver o melhor dos jogadores bósnios com destaque no futebol europeu. Mas agora que eles já estão eliminados, acho que a partida não deve empolgar tanto”, comentou.

O Centro Cultural Islâmico da Bahia (CCIB) está aguardando os turistas que vieram prestigiar suas seleções. “Não há nada preparado especificamente para a Copa, mas o Centro está aberto para todos os muçulmanos”, afirmou o Sheik Alhaji Abdul Hameed Ahmad, líder religioso e coordenador do Centro.

O CCIB fica no bairro de Nazaré, a menos de um quilômetro da Fonte Nova. Segundo o Sheik Ahmad, os turistas poderão receber orientações sobre o horário correto das orações, além de informações sobre a cidade. Ele lamenta não poder ter um contato com os jogadores das delegações. “Não há condição para que eles [os jogadores] deixem a concentração para nos visitar”, disse Ahmad.

A Fambras elaborou um

Documento

para os muçulmanos que vierem para o Brasil prestigiar a Copa do Mundo. “Houve um projeto para aproveitar esse período da Copa do Mundo para divulgar a religião no país. Todos os jogos que envolvem as seleções terão esse trabalho de divulgação”, afirmou Ali Zoghbi, vice-presidente da Fambras.

Segundo ele, o guia serve para prevenir possíveis conflitos culturais que os cerca de 15 mil muçulmanos que são esperados no Brasil durante o período da Copa do Mundo encontrem. “As mesquitas e os centros islâmicos locais vão fazer essa recepção”, finalizou.

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