Secretário reconhece falhas no transporte público, mas mantém plano de mobilidade
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Secretário reconhece falhas no transporte público, mas mantém plano de mobilidade

Felipe resk

18 de junho de 2013 | 11h00

Por conta da dificuldade no deslocamento até a Arena, alguns torcedores desistem de assistir à partida entre Itália e Japão

Ricardo Leitão (centro) disse que espera que ônibus e metrô estejam sincronizados (Pedro Costa / Seleção Universitária)

 

Felipe Resk e Pedro Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

RECIFE – Vagões superlotados, tumulto nas plataformas e desordem nas filas foram parte dos obstáculos enfrentados pelos torcedores para chegar à Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, a 19 km da capital pernambucana.

“Um dos nossos objetivos para a partida entre Uruguai e Espanha era fazer com que as pessoas fossem ao estádio com conforto. Não conseguimos”, admitiu o secretário da Secopa-PE, Ricardo Leitão.

Apesar de reconhecer as falhas no sistema de transporte, o secretário declarou que o plano de mobilidade urbana para o próximo evento na Arena, o confronto entre Itália e Japão, na quarta-feira, será mantido. Com apenas alguns retoques.

“O metrô vai continuar como o principal meio de acesso ao estádio. O que precisamos ajustar é a sincronia entre a chegada das pessoas na estação Cosme e Damião (ponto de desembarque para a Arena Pernambuco) e a saída dos ônibus que as levam até o local do jogo”, afirmou.

A princípio, a utilização dos veículos circulares é para facilitar o percurso de 2,2 km que separa o terminal de metrô do estádio. Contudo, a estratégia para conseguir conciliar o fluxo de torcedores com a estrutura do transporte público não foi detalhada. De concreto, apenas a informação de que o número de trens e ônibus disponibilizados na operação será o mesmo.

“Após o final da partida, o metrô deveria transportar as pessoas em quatro horas, mas fez em duas horas e meia. Isso não é bom, porque causa acúmulo nas plataformas e superlotação nos vagões”, justifica José Renato Lira, superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Segundo ele, a estação Cosme e Damião tem capacidade para receber, confortavelmente, 1.100 pessoas a cada cinco minutos. Já os circulares, que levam os torcedores do terminal até a Arena, podem deslocar 500 pessoas a cada dois minutos. A expectativa é que a equação encontre um equilíbrio sem causar mais transtornos.

Até o momento, a Fifa vendeu 32 mil ingressos para o jogo entre Itália e Japão, número que representa 10 mil a menos do que  os vendidos na disputa entre Espanha e Uruguai. Em contrapartida, a operação de mobilidade vai ser posto à prova num dia útil. Apenas os servidores estaduais tiveram ponto facultativo confirmado pelo governo.

 

Estação ainda está em obra

Áreas inacabadas atrapalham a circulação dos torcedores (Felipe Resk / Seleção Universitária)

Apesar de ter começado a funcionar há uma semana da partida inaugural da Copa das Confederações em Pernambuco, o Terminal Cosme e Damião, na divisa entre o Recife e São Lourenço da Mata, não está pronto. Orçado em R$ 19 milhões, ele deveria ter sido concluído em fevereiro deste ano, de acordo com a previsão do próprio governo estadual.

No confronto entre Espanha e Uruguai, o primeiro com a capacidade máxima da Arena Pernambuco liberada, muitos torcedores se queixaram da estação. “A escada que dá acesso à plataforma de embarque é muito estreita, não há espaço para nada. Qualquer incidente que ocorra pode provocar uma tragédia”, reclamou o aposentado Antônio Moura.

Os problemas de infraestruturas se somam. Tapumes de madeira e grade de ferro são utilizados para isolar áreas ainda em construção. As escadas rolantes que dão acesso às plataformas de embarque e desembarque também não foram instaladas.

No entanto, quem saiu de casa ou do hotel com mais de duas horas de antecedência para assistir ao jogo, caso do uruguaio Ari Korytnicki, diz ter feito um deslocamento menos conturbado. “Os trens estavam muito lotados, mas achei a organização no terminal de bom tamanho”, afirmou.

 

Deficiência no transporte público desestimula torcedores nas redes sociais

No twitter, torcedores manifestam desinteresse no próximo jogo

 

Em decorrência dos transtornos ocorridos na partida entre Espanha e Uruguai, alguns torcedores decidiram vender seus ingressos e desistir de ver a partida entre Japão e Itália, na quarta-feira, 19, às 19 h. Nas redes sociais, é possível encontrar vários interessados em repassar as entradas.

Já o estudante Carlos Eduardo, atendeu ao pedido do pai e alterou a programação para o jogo da Azzurra, contra os asiáticos. Em vez de irem por meio de transporte público, como fizeram no último domingo, 16, optarão pelo carro particular, deixando o veículo estacionado no Parqtel. O valor do bilhete para o estacionamento é de R$ 40.

Apesar de ter passado pelo tumulto na saída da Arena, o também estudante Renato Porto, vai repetir a casadinha metrô/ônibus, mas não por opção própria.

“Não existe outra opção de transporte público que não a mesma que foi utilizada no primeiro jogo. Acho o estacionamento do Parqtel muito caro, por isso, infelizmente, vou ter que ir de metrô novamente”.

 

Torcida reclama do aperto na estação Cosme e Damião, antes de chegar à Arena (Pedro Costa/Seleção Universitária)

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