Sem jogos na cidade, paulistanos se reúnem para assistir ao Brasil
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Sem jogos na cidade, paulistanos se reúnem para assistir ao Brasil

Victor Costa

15 de junho de 2013 | 21h34

Torcida brasileira prestigiou evento no Anhangabaú. Colônia japonesa se reuniu na Liberdade

 

Mesmo com frio, torcida comparece ao Concentra SP (Renato Machado/Seleção Universitária)

Mesmo com frio, torcida comparece ao Concentra SP (Renato Machado/Seleção Universitária)

 

Renato Machado e Victor Costa – Seleção Universitária – Especial para o Estado

SÃO PAULO – O público paulista, carente de jogos da Copa das Confederações, foi ao Vale do Anhangabaú acompanhar a estreia vitoriosa do Brasil sobre o Japão. Os 50 mil torcedores esperados pela organização não compareceram, mas os 25 mil presentes foram suficientes para levar o clima de Copa para o centro de São Paulo.

Com entrada tranquila e poucas filas nos postos de alimentação, a reclamação maior dos torcedores ficou por conta dos altos preços praticados no Concentra SP.

O torcedor de São Paulo que optou por assistir à partida entre Brasil e Japão na transmissão pública montada no Vale do Anhangabaú não se decepcionou. Nem com a desenvoltura da seleção em campo, nem com a organização do evento, que proporcionou uma tarde de festa sem causar dores de cabeça ao público.

A banda de pagode Doce Encontro foi a responsável por aquecer o torcedor no início da fria tarde paulista. Embalado, o público celebrou o início da transmissão no telão de 100 m² montado no palco principal.

Durante o jogo, os espectadores se mantiveram concentrados durante os 90 minutos, ensaiando comemorações em momentos pontuais da partida – como em dribles de Neymar, na entrada do atacante Lucas em campo e, claro, nos gols do Brasil.

Cláudia Ribeiro, 23 anos, levou toda a família para acompanhar a partida. A auxiliar de limpeza demorou 2 horas para chegar ao centro da cidade, mas não parecia se importar. “É assim sempre, quando é Brasil em Copa tem que vir mesmo”, afirmou.

Para a estudante Gabriela Maris, de 24 anos, o preço das bebidas estava alto. “Lá fora [do cercamento instalado pela PM] vendem a latinha por três reais. Aqui tá cinco, fica difícil”. O jeito encontrado foi dividir o refrigerante com a namorada. “É mais romântico”, brincou.

A venda era feita em lanchonetes instaladas dentro da área do Concentra SP e auxiliada por 50 ambulantes credenciados espalhados por todo o Vale.

Segundo a Polícia Militar, nenhum delito grave foi registrado. Antes do início da partida, dois menores foram detidos por tráfico de drogas e levados ao posto policial montado atrás do palco principal. Durante a partida, um homem foi detido por desacatar um orientador e, em seguida, um policial – testemunhas afirmaram que o rapaz estaria batendo na cabeça de outros torcedores com as bisnagas promocionais dadas ao público pelos patrocinadores do evento.

Durante o show do Bonde do Tigrão, que começou ao final da partida, mais cinco homens foram detidos, aparentemente embriagados.

Colônia japonesa se reúne para assistir ao jogo

Duas culturas e uma só torcida. Tinha feijoada e tempurá, cachaça e saquê, mulatas e olhos puxados. Foi assim que a colônia japonesa se reuniu em São Paulo para torcer para o Brasil. O evento aconteceu na Liberdade, principal bairro da comunidade nipônica na capital paulista. Antes do jogo, a bateria da escola Águia de Ouro agitava o ambiente, alguns nipo-brasileiros até se arriscaram  no samba, mas não mostraram muita desenvoltura.

Japoneses caem no samba (Victor Costa / Seleção Universitária)

Japoneses caem no samba (Victor Costa / Seleçao Universitária)

O organizador do evento, Victor Kobayashi, vestia a camisa da seleção brasileira, deixando claro quem ele queria que ganhasse. Quando foi questionado sobre o resultado respondeu:
“Sou brasileiro, então espero que o Brasil ganhe, mas não precisa ser de muito, 2 a 1 ou 3 a 2 está de bom tamanho”.

Ele ainda reconheceu o agradecimento dos japoneses aos brasileiros. “O Japão desenvolveu muito o seu futebol graças aos brasileiros. O Zico é um grande ídolo la no Japão”, afirmou.

Na hora em que subiu o som para os hinos nacionais, houve quem soubesse cantar os dois. Mas logo no começo, quando Neymar abriu o placar a felicidade foi geral. Os lances de mais perigo do Japão  arrancaram um tímido “uuuh”, bem ao estilo japonês de torcer.

Nos gols de Paulinho e Jô, a mesma alegria na comemoração. O placar,  ainda que elástico, agradou a Kobayashi, ” mesmo sendo 3 gols de diferença o jogo foi bom e o Brasil jogou bem.”

 

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