Torcedor com mobilidade reduzida passa por dificuldades no DF
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Torcedor com mobilidade reduzida passa por dificuldades no DF

Principal reclamação é a falta de rampas para os banheiros

Seleção Universitária

30 de junho de 2014 | 17h30

Principal reclamação é a falta de rampas para os banheiros

Torcedor reclama de acessibilidade em Brasília (Jorge Macedo/Seleção Universitária)

 

Jorge Macedo – especial para O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Walter Ferreira, 52, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em agosto de 2012. Ainda em processo de recuperação, seu sonho de assistir a uma Copa do Mundo de perto se tornou realidade com os jogos no Brasil. Mas mesmo com ingressos comprados para todos os jogos das fases decisivas em Brasília, ele não sabia que realizar seu desejo não era tão fácil assim.

Sempre acompanhado pelo filho Vitor Nascimento Ferreira, 25, a primeira partida assistida foi o duelo entre Brasil e Camarões. E foi nesse jogo que ele diz ter tido mais problemas. “Chegamos com quase duas horas de antecedência. Ficamos no anel superior e precisei subir escadas para chegar ao local. Além disso, não há rampas nos banheiros, contei com a ajuda de um voluntário e também do meu filho para ir até lá. É uma situação constrangedora”, afirma.

Outro transtorno enfrentado por Walter foi na saída do estádio. Na partida do Brasil, ele ficou esperando por uma hora e meia até que conseguiu deixar o local. “Os carros elétricos que levam os torcedores com pouca mobilidade só funcionam até uma hora após o jogo. Pedi ajuda para a polícia e me negaram. Só depois de insistir muito contei com o apoio dos bombeiros para nos deixar no Parque da Cidade, onde estava estacionado o carro”, disse o filho.

Para evitar os mesmos problemas, eles solicitaram à empresa Match Service, que controla a venda dos ingressos, que os mudassem para assentos mais acessíveis. Entretanto, o pedido foi negado sob a alegação de não haver mais lugares disponíveis no estádio. “Achei isso um absurdo, porque hoje chegamos cerca de uma hora antes do jogo começar. Quem entrou por volta das 11h foi realocado. Eles disseram que os assentos vagos eram marcados e não poderíamos trocar”, reclamou Vitor.

Com o AVC, Walter perdeu todos os movimentos do lado esquerdo do corpo. Além disso, o acidente deixou sequelas na fala e raciocínio. Desde então ele sobrevive com um salário mínimo proveniente do auxílio-doença concedido pelo governo federal. O filho, formado em geologia, ajuda o pai com a bolsa de R$ 1,5 mil que recebe como mestrando.

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