Torcedores de BH relembram suas histórias da Copa de 1950
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Torcedores de BH relembram suas histórias da Copa de 1950

Seleção Universitária

27 de maio de 2014 | 16h40

Seleção Universitária ouviu torcedores que foram aos jogos do primeiro Mundial no Brasil

 

Gabriel Gama – especial para o Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE – Sessenta e quatro anos já se passaram após a primeira Copa do Mundo realizada no Brasil. Desde então, muita coisa mudou: o estilo do futebol, a reforma e a construção de novos estádios, o preço dos ingressos e o perfil do público. O que não mudou foram as lembranças e as histórias de torcedores de antigas gerações.

A Seleção Universitária ouviu relatos de quem acompanhou de perto os 3 jogos realizados na capital mineira durante a Copa de 1950, no estádio Independência.

Memórias. Descendente de italianos, o aposentado Haroldo Ragazzi, 75, é um deles. Ele relembra o dia em que teve de sair escondido da casa dos pais para assistir ao jogo entre Iugoslávia e Suíça com os amigos – o duelo era uma das partidas do Grupo 1, mesmo do Brasil, válido pela 1ª fase, e terminou 3 a 0 para os iugoslavos.

“Tinha 11 anos. Eu e meus colegas saímos a pé do Prado (zona oeste de BH) até o antigo estádio Sete de Setembro, hoje chamado de Arena Independência. Não tínhamos nem ingresso. Não existia catraca, nem nada disso. Lembro que pedi para um senhor mais velho que estava na fila entrar comigo”, conta Ragazzi, que chegou a jogar nas categorias de base do Cruzeiro na década de 1950.

Salvador Velloso esteve presente em dois jogos na Copa de 1950 (Secopamg/Divulgação)

 

Na partida mais desequilibrada das três, o Uruguai massacrou a Bolívia por 8 a 0. Quem viu a vitória da Celeste foi o advogado Salvador Velloso, 80. “Os uruguaios não deram chance. Era uma seleção de ponta com grandes jogadores. Já eram tricampeões mundiais, com um título de Copa do Mundo e duas conquistas em Olimpíadas, claro que ia brigar pelo título. A Bolívia mal sabia o que era futebol”, diz.

Para ele, o que mais o surpreendeu foi a infraestrutura completamente precária e uma organização amadora, em comparação com os atuais eventos multimilionários realizados. “Naquela época era totalmente diferente do que é hoje. Não existia venda de ingresso antecipado e eram muito mais baratos e acessíveis à população. O problema é que o estádio só tinha arquibancada e, mesmo assim, inacabada”, completa.

Ragazzi concorda e ressalta a diferença do perfil do público. “Havia menos fanatismo e não existia essa violência de hoje nos estádios, tanto que mal tinha policiamento. Também quem ia para os estádios era o povão. O futebol se tornou elitizado bem depois”, conclui.

Paulo Lott (esquerda) ao lado do jornalista Márcio Rubens (direita). Os dois foram ao jogo entre Inglaterra x EUA (Secopamg/Divulgação)

 

Zebra. Um dos duelos mais surpreendentes daquela Copa aconteceu na capital mineira. Berço do futebol, a superpotência Inglaterra era a favorita ao título, mesmo disputando a sua primeira Copa do Mundo. No entanto, os ingleses foram surpreendidos ao perder para o time amador dos Estados Unidos, por 1 a 0. A seleção inglesa tinha tanta certeza da vitória que havia poupado os principais jogadores para o confronto.

Aos 80 anos, o jornalista aposentado, Paulo Lott lembra com detalhes do memorável jogo. “É uma das maiores zebras que já aconteceu em Copas do Mundo. A bola batia na trave, batia no beque, o goleiro defendia e nada dela entrar. Foi incrível, ninguém acreditou naquilo. Lembro que tinha um jogador americano que se chamava Silva. Devia ser parente de algum brasileiro”, disse.

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