Tranquilidade marca acesso à Arena Pernambuco
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Tranquilidade marca acesso à Arena Pernambuco

Felipe resk

20 de junho de 2013 | 14h36

 No entanto, as imediações do estádio ainda peca por iluminação precária, ausência de lixeiras e insistência dos entulhos 

 

Partida entre Japão e Itália superou expectativas dentro e fora de campo (Felipe Resk/Seleção Universitária)

 

Felipe Resk e Pedro Costa – Seleção Universitária – especial para o Estado

RECIFE – Após a partida entre Espanha e Uruguai, realizada no último domingo, 16, a conclusão era um consenso entre torcedores, imprensa e governo: a mobilidade urbana é o calcanhar de Aquiles da Arena Pernambuco.

Localizado em São Lourenço da Mata, a 19 km da capital pernambucana, o estádio dispõe de poucos meios de acesso. Entre eles, o mais importante – e também o maior alvo de críticas – é o metrô. No entanto, no movimentado jogo da quarta-feira, 19, em que a Itália derrotou o Japão por 4 a 3, a má impressão começou a ser atenuada.

Alguns problemas foram resolvidos com simplicidade. Armou-se uma rampa provisória para interligar a plataforma da estação Cosme e Damião, ponto de descida para a Arena Pernambuco, e o Terminal Integrado, de onde partem os ônibus circulares que transportam os torcedores até o estádio.

 

Mais larga, rampa facilitou o deslocamento dos torcedores (Felipe Resk/Seleção Universitária)

 

“Ficou muito mais tranquilo. A maior dificuldade era passar por dentro da estação, porque o espaço é muito apertado para a quantidade de pessoas”, avaliou Antônio Fernando, torcedor presente nos dois jogos da Copa das Confederações no Recife.

Por outro lado, os usuários do metrô só puderam descer pela rampa. Funcionários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que não quiseram se identificar, afirmaram que o percurso de subida não era completamente seguro, pois não houve tempo hábil para construir um acesso permanente.

Dessa forma, quem foi acompanhar a vitória da Itália sobre o Japão viu-se obrigado a passar pelo interior da Cosme e Damião no retorno para a casa. Embora tenha apresentado menos problemas que na última partida, a estação, que permanece em obras, continua sendo um gargalo da mobilidade.

“Nós sabemos que tudo ainda está em fase experimental. Mas passa a impressão que ela não foi projetada para a Copa”, reclamou o estudante Thiago Avelino.

Tanto na ida quanto na volta, a maior sincronia entre a chegada dos trens e a saída dos ônibus, somada à intensificação do policiamento nas filas, diminuiu o número de transtornos e o intervalo de espera.

“No jogo passado, o transporte público sequer merecia uma nota. Agora, está 110% melhor”, comentou Marivaldo Hilton, que também escolheu o metrô para ir à Arena.

 

Expresso UFPE – ARENA

Outra medida de emergência adotada pela Secretaria Especial da Copa para aperfeiçoar o plano de mobilidade, foi a implantação de um estacionamento na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com capacidade para 6 mil veículos.

No local, os torcedores puderam tomar ônibus executivos que os deixavam a 500 metros da Arena Pernambuco, pelo valor de R$ 10.

No meio da tarde, houve uma manifestação organizada por estudantes da UFPE, que protestaram contra a utilização da instituição como estacionamento e pelo cancelamento das aulas, em virtude da partida entre Japão e Itália. Após cerca de uma hora de protesto e confusão entre os alunos e os torcedores que estavam nos ônibus, os ânimos foram acalmados e o fluxo voltou ao normal.

Na saída, porém, foi necessário esperar em média uma hora na fila para utilizar o circular. O tempo desgastou as pessoas que optaram pelo transporte, mas não houve tumulto.

 

Infraestrutura

 

Utilização da lona é apenas um paliativo para o problemas dos entulhos (Felipe Resk/Seleção Universitária)

 

Avanço menor pôde ser conferido na área externa da Arena Pernambuco. Apesar de boa parte dos entulhos, antes estocados na lateral do estádio, ter sido removida, ainda é possível encontrar peças de ferro e pedaços de madeira espalhados pelo local.

Na tentativa de amenizar o inconveniente, restos de materiais de obra foram encobertos por uma lona. Além disso, a ausência de banheiros químicos e de lixeiras ainda incomoda os torcedores.

Para piorar, alguns postes de iluminação, antes de chegar aos detectores de metal, que demarcam a área sob responsabilidade da Fifa, só foram acesos a poucos minutos da partida ter início.

No interior do estádio a situação é diferente. A venda de produtos dos bares foi descentralizada, a partir da atividade de vendedores ambulantes e do funcionamento de quiosques nos corredores.  Resultado: diminuiu o tempo de espera nas filas, e, consequentemente, aumentou o nível de satisfação com o serviço.

“É a primeira vez que venho para a Arena Pernambuco e vi tudo funcionando com tranquilidade. Não encontrei nada de absurdo”, comentou o torcedor Carlos Augusto.

Contrariando as expectativas, o público de Itália e Japão deveu pouco ao da primeira partida. Enquanto 41.705 pessoas foram assistir à Espanha x Uruguai no domingo, 40.489 estiveram presentes no segundo confronto.

 

Falta de lixeiras favorece o aparecimento de catadores de latinha no entorno da Arena (Felipe Resk/Seleção Universitária)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.