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Único profissional do Taiti nunca atuou pela seleção

Daniel Batista

14 de junho de 2013 | 11h21

O atacante Vahirua fará seu primeiro jogo oficial pela equipe da Oceania na Copa das Confederações
Vanderson Pimentel – Seleção Universitária – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Quando uma seleção não tradicional vence alguma competição importante, geralmente bota-se o feito na conta do jogador mais importante do time, o grande astro que cria jogadas, faz gols e assume a faixa de capitão para mover a equipe também psicologicamente. Mas na excêntrica seleção do Tati, a coisa não funciona dessa forma.

Quando atuava no Nice, Vahirua foi eleito o melhor jogador da Oceania - Lionel Cironneau/AP
Lionel Cironneau/AP
Quando atuava no Nice, Vahirua foi eleito o melhor jogador da Oceania

 

Mahama Vahirua, o único jogador profissional da equipe não teve nenhuma participação na Copa de Nações da Oceania, competição que trouxe a seleção da Polinésia Francesa às terras tupiniquins, tal qual não possui nenhuma partida oficial pelo Taiti. Apesar de ser o único jogador profissional da equipe, Vahirua, que teve boas passagens por equipes médias na França entre 1998 e 2012, não chegou a ser convocado pela seleção de seu país.

O jogador nascido em 12 de maio de 1980 começou a sua vida dentro do futebol em 1996, quando defendeu o AS Pirae, terceiro maior vencedor do campeonato taitiano com 7 títulos. Com apenas uma temporada, Vahirua resolveu tentar a sorte na França e o resultado foi positivo. Com 17 anos, sua primeira experiencia como jogador profissional veio no Nantes, um ano depois de chegar a equipe francesa.

Na temporada seguinte, o jovem jogador recebeu mais oportunidades e com 12 partidas, marcou apenas um gol no campeonato frances. Aliás, o gol, que saiu na última rodada do Campeonato Francês, quando sua equipe precisava da vitória para escapar do rebaixamento.

A sina do garoto nascido em Papeete ganhou destaque, e no ano seguinte, veio o seu momento de maior glória, quando levantou o trofeu de campeão nacional pelo próprio Nantes, onde marcou 7 gols em 15 partidas disputadas.

Com a carreira em alta, foi natural que então com 21 anos, Vahirua fosse chamado para a equipe sub-21 francesa. E foi sob o comando de Raymond Domenech que o atacante disputou seis partidas e fez dois gols. Mas após essa boa fase, ele não conseguiu outras oportunidades entre os jogadores “bleus” abaixo de 23 anos.

Além do Campeonato Francês na temporada 2000/2001, Vahirua ajudou os Canaries a conquistar as Copas da Liga em 1998/1999 e 1999/2000, mas individualmente, sua carreira voltou a dar um salto quando ele trocou o Nantes pelo Nice em 2004. Apesar da contestada troca, foi a melhor escolha que o jogador poderia ter tomado. Estar num time mais fraco tecnicamente foi essencial para o seu auge tecnico e foi assim que uma temporada depois, ele ajudou sua equipe a escapar do rebaixamento com seus arranques pelos lados e 15 gols anotados, levando ainda de quebra, levar o prêmio de melhor jogador da Oceania em 2005.

Após se desentender com o treinador Frederic Antonetti, o jogador resolveu sair do Nice e se mudar para o Lorient. Após a mudança para o Noroeste da França, o atacante descobriu o que é viver águas mais calmas na tabela do campeonato, mas também que a calmaria do banco de reservas incomoda. Apesar de ser considerado um reserva útil pelo treinador Christian Gourcuff, Vahirua queria voltar a jogar e por isso acertou sua ida ao Nancy em 2010.

Mas a sua titularidade ficou garantida por apenas um ano. Com a insastisfação recíproca entre jogador e time, ele foi emprestado ao Mônaco na temporada 2011-2012, jogando pela primeira vez na sua carreira a Ligue 2. Mas o avanço da idade fez com que o jogador não conseguisse repetir as atuações de antes, mesmo na segunda divisão.

E após alternar entre a titularidade e a reserva na equipe do principado, o Nancy resolveu emprestá-lo novamente, dessa vez o seu destino foi a Grécia. Jogando pelo recém promovido a primeira divisão Panthrakikos, o jogador auxiliou a equipe grega a se manter na primeira divisão grega, ficando na décima colocação.

VETERANO
Aos 33 anos e com muita história para contar, muita gente acredita que Vahirua estivesse na seleção do Taiti desde cedo. Mas a situação é exatamente o contrário. As únicas partidas que Vahirua disputou pela seleção do Taiti foram os amistosos disputados na última semana, nas derrotas de 7 a 0 para seleção sub-20 do Chile e no 1 a 0 contra o time misto do América-MG. Sua primeira convocação ocorreu ano passado, quando o técnico Eddy Etaeta o chamou para as partidas contra Nova Caledônia e as Ilhas Salomão, mas em ambos os jogos, o atacante observou as duas derrotas do banco de reservas.

Sua primeira partida pelo Taiti deve ocorrer no próximo dia 16 contra a Nigéria, na estreia das equipes pela Copa das Confederações. O jogo será histórico por ser a primeira vez que a seleção da Oceania disputa uma competição internacional e também por ser a primeira partida oficial de seu melhor jogador, mesmo que ele já esteja próximo da aposentadoria e uma carreira com mais de dez anos na primeira divisão francesa. Definitivamente, o Taiti é um poço de histórias interessantes.
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Veja a carreira de Marama Vahirua em números:

1998/1999
1 jogo, 0 gols

1999/2000
12 jogos, 1 gol

2000/2001
17 jogos, 9 gols

2001/2002
26 jogos, 6 gols

2002/2003
33 jogos, 7 gols

2003/2004
30 jogos, 7 gols

2004/2005
35 jogos, 10 gols

2005/2006
38 jogos, 7 gols

2006/2007
33 jogos, 4 gols

2007/2008
30 jogos, 7 gols

2008/2009
31 jogos, 4 gols

2009/2010
35 jogos, 8 gols

2010/2011
28 jogos, 5 gols

2011/2012
14 jogos, 3 gols

2012/2013
26 jogos, 3 gols

Total: 389 jogos, 81 gols

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