Vizinhos da Arena Amazônia divergem sobre obras em Manaus
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Vizinhos da Arena Amazônia divergem sobre obras em Manaus

Seleção Universitária

29 de maio de 2014 | 08h34

Moradores que acompanharam a construção do estádio falam sobre transtornos das obras e perspectivas para o Mundial

Calçadas ainda estão interditadas no entorno da Arena da Amazônia (Bruna Chagas/Seleção Universitária)

 

Bruna Chagas – especial para O Estado de São Paulo

MANAUS – Ver a demolição de um estádio e acompanhar a construção de outro fez com que parte dos moradores do entorno da Arena Amazônia ficassem mais tolerantes em relação às obras da Copa do Mundo, enquanto outros ainda não se conformam com atrasos e mudanças no trânsito causado pelas ações.

Com 8 mil metros quadrados e capacidade para abrigar até 4 mil pessoas, o Centro de Convenções da Amazônia ainda vai receber o asfalto no estacionamento e acabamentos em seu interior. Já em frente à Arena Amadeu Teixeira (ao lado do estádio da Copa), há uma reforma nas calçadas que prejudica a passagem de pedestres. A própria Arena Amazônia ainda tem ajustes a receber.

Por conta dessas reformas, a dona de casa Cristina Aparecida, 50, reclama do barulho feito por caminhões e tratores, mas afirma que não é contra a Copa. “O problema é apenas essa barulheira toda. Não consigo ouvir nem meus pensamentos”, diz.

Para o universitário Paulo Costa, 27, o problema maior não é o barulho, mas os valores gastos com o evento esportivo. “Não temos estrutura para receber um evento como esse. Não houve muitas mudanças em Manaus. A Arena é realmente muito bonita, mas legado mesmo não vai existir”, afirma o estudante de Direito.

Intervenções no trânsito também acontecem desde o início do mês. Essas alterações foram feitas em trechos das vias que dão acesso à Arena, como as avenidas Lóris Cordovil, Constantino Nery e Pedro Teixeira, para que sejam concluídas as obras. As linhas de ônibus do transporte coletivo dessas áreas também sofreram alterações.

Para João Silva, 35, que trabalha nas proximidades há mais de cinco anos, a maior dificuldade nesse momento é para quem precisa ir andando após descer do ônibus, pois há barro em algumas partes da calçada e é preciso disputar a rua com os carros. “Imagina na Copa. O transporte e o trânsito estarão uma calamidade”, afirma.

Euforia. Por outro lado, a família Sena se contrapõe a tudo o que já foi dito negativamente sobre as obras e a construção da Arena. Morando há quase 40 anos no local, eles acompanharam de perto desde a demolição do estádio Vivaldo Lima (Vivaldão) até a conclusão da Arena Amazônia. Para a matriarca da família, Rosária Sena, 38, as lembranças boas permanecem porque o Vivaldão foi um estádio que lhes deu muitas alegrias. “[O estádio] Agora evoluiu e ganhou nova perspectiva. A Arena é a nossa casa e devemos valorizá-la”, conta.

Filho único, Leonardo Sena, 19, viu tudo pela janela do seu quarto. “A expectativa para o que seria construído ali foi o que me animou, pois eu tinha certeza que haveria algo melhor daquele momento em diante”, diz o jovem, que registrou as obras com sua câmera. “Fui mais de seis vezes ao canteiro de obras para ver como estava o andamento das ações, acompanhei testes de luz e claro, os jogos testes.”

Por conta da proximidade, a família vê uma importância histórica na construção do estádio. Para eles, os transtornos se justificam pela grandiosidade de receber um evento como a Copa do Mundo em Manaus. “As pessoas começam a se identificar e a confirmar sua identidade. Além disso, poder ver os grandes jogadores que só assistimos pela televisão, praticamente jogando no quintal de casa, é fantástico!”, afirma o filho.

Quanto à expectativa para o Mundial em Manaus, mesmo com todos os problemas, uma parte da população não parece se aborrecer com as obras no entorno. Da mesma forma pensa Kênia Oliveira, 20, que também mora perto do estádio, em uma das ruas que já está sendo enfeitada para a Copa. “É só colocar uma bandeirola aqui e uns enfeites verde e amarelo ali, que o sentimento de brasilidade volta à tona e as pessoas esquecem os problemas e vão torcer pela seleção”, diz.

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