A diferença entre profissionais e amadores

brunoromano

14 de fevereiro de 2012 | 12h12

Essa é a verdade de uma grande lição que o rugby brasileiro tirou no Sevens de Las Vegas, disputado no último fim de semana. Para um olhar de quem não está acostumado a assistir rugby, pode parecer que a equipe tinha curtido uma noite em Vegas antes das partidas. Nem de longe esse é o caso. A realidade é que as diferenças em velocidade, habilidade e preparo físico ainda são muito marcantes para um grupo de atletas amadores.

Cinco anos atrás esse era o perfil de seleções como Quênia e Canadá, que acabavam perdendo de 30, 40 ou até 50 pontos – e ficavam pensando em como igualar-se com as equipe mais fortes. Agora, Quênia conquista a final da Plate e os atletas canadenses estão vivendo em um campo de treino, fazendo do Sevens sua atividade de tempo integral.

Já está ficando cansativo dizer que isso é importante para o Brasil ganhar experiência. No entanto, é preciso repetir para todos aqueles que têm certeza que nossa seleção tinha obrigação de fazer mais, que é isso mesmo o que estamos vivendo atualmente. Pode parecer aquela velha história de um disco quebrado rodando e rodando mais uma vez, mas é muito fácil sentar no sofá de casa e criticar um garoto que tomou uma decisão errada e permitiu que o Brasil sofresse um try fácil. Acontece que, só com essa experiência, ele vai aprender.

EM BUSCA DA VAGA PERMANENTE

No retorno para o país, o período de aprendizagem deve começar. Esses jogos têm de ser revistos e analisados até os DVD’s derreterem no computador. Decidir quando atacar, como tirar vantagem da cobrança rápida de uma penalidade e quando participar como apoio interno na defesa e quando não o fazer.

O trabalho fora da sala de aula também é essencial. O ritmo dos Sevens está crescendo a cada ano, com a potência dos rucks e tackles aumentando, assim como a velocidade dos turnovers,. Vários trys na última etapa saíram de roubadas de bola e corridas de 90 m. Isso tudo em uma competição que durou três dias.

BRASIL X INGLATERRA

Se analisarmos cada jogo, a estreia contra a Inglaterra foi cheia de determinação, principalmente nas áreas de contato. Por alguns vacilos de defesa, os ingleses conseguiram tirar vantagem de todas as oportunidades de ataque que tiveram, encontrando Dan Norton livre por três vezes. O Brasil também teve suas chances, mas a mesma energia que fez tão bem à defesa, trouxe um pouco de nervosismo no ataque, quando apenas um try de três possibilidades reais foi convertido.

BRASIL X QUÊNIA

Para ser honesto, a defesa brasileira cochilou contra o Quênia – mais da metade dos tackles foram furados. Enquanto isso, os quenianos curtiam não ser mais a grande zebra em um jogo, dando continuidade a sua campanha em Wellington, com duas vitórias sobre a Austrália. Além disso, se a discrepância no físico não foi sentida contra a Inglaterra, fez muita diferença no duelo contra Quênia.

BRASIL X ESCÓCIA

A Escócia jogou de forma semelhante a Inglaterra e o Brasil precisou ser duro mais uma vez nos momentos de contato. Em lances capitais e individuais, errou tackles e permitiu que os escoceses ganhassem confiança, abrindo o maior placar de primeiro tempo na fase inicial: 28-0. Mesmo com dois jogadores machucados no primeiro dia, conseguiu construir algumas jogadas na segunda etapa. No fim, depois de um escocês cobrar o lateral na cabeça de um companheiro de time, o Brasil foi recompensado com seu segundo try no torneio.

TERCEIRO DIA

Depois de três derrotas na fase de classificação, mais dois duelos, contra Austrália (0-50) e França (7-33) fecharam a participação brasileira. Não chegaram a ser partidas produtivas para o Brasil, mas foram mais duas experiências internacionais contra seleções de destaque no esporte, somando na lista de times e jogadores com quem os atletas brasileiros poderão dizer que aprenderam.

No fim, fica a questão: o torneio foi um sucesso? Pelos placares não, pois na visão do esporte de elite, o que vale é o resultado – e é por isso que todos são julgados. Mas lembre-se de que esses atletas voltaram para trabalhar na segunda-feira e ainda falta a um longo passo para o profissionalismo, para ser considerados de fato dentro da elite.

O Brasil vai chegar lá? Sim, sabemos que estaremos assistindo a isso. Por enquanto, seguimos torcendo pelo dia em que não seremos mais convidados nesses torneios, e sim classificados – e qualificados – para eles.

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