A invasão de Twickenham e a rodada do Six Nations

brunoromano

27 de fevereiro de 2012 | 01h03

Gales celebra a tríplice coroa (foto: rbs6nations.com)

 

Anfitriã da próxima Copa do Mundo e invicta nos dois primeiros jogos do Six Nations 2012, a jovem seleção da Inglaterra se apresentou no maior palco do esporte do país, o estádio de Twickenham. A terceira rodada do torneio colocou os ingleses frente a frente com o selecionado de País de Gales, a equipe mais atraente do hemisfério norte. Sem se intimidar com o cenário, os galeses confirmaram a vitória (19-12) com um try do reserva Scott Williams, em jogada individual, a cinco minutos do fim.

No último lance, os ingleses ainda chegaram a cruzar o in goal com David Strettle, mas o try acabou não confirmado, já que as imagens do TMO (revistas incansavelmente pelo árbitro de TV) não eram conclusivas. Assim, Gales conquistou sua 20ª tríplice coroa na história, ao bater as três seleções do Reino Unido: Inglaterra, Irlanda e Escócia. O resultado deixa a seleção isolada na liderança do Six Nations.

A volta de Warburton

Nos primeiros 20 minutos, a Inglaterra não pegou na bola. O ritmo galês foi intenso, mas a equipe vermelha e branca não conseguiu pontuar. Quando finalmente tiveram alguma posse de bola, os ingleses armaram boa jogada conduzida pelo jovem Owen Farrell, que fazia sua estreia de abertura.

A bola acabou nas mãos de Manu Tuilagi, que só não marcou o try por que foi parado por um incrível tackle de Sam Warburton na ponta esquerda do ataque. Warburton liderou – com ações e não exatamente palavras de comando – uma defesa implacável, que não permitiu, após este lance, nenhum try inglês. Os donos da casa pontuaram com quatro penais, convertidos por Farrell.

Surpresa

Que os ingleses estão declaradamente pensando em 2015 e renovando seu elenco não há dúvidas. Mas ninguém gosta de perder para um rival direto como Gales. Nem mesmo os sete estreantes pela seleção em Twickenham como o halfscrum Lee Dickson. O camisa 9 conseguiu reverter um domínio total de Gales, deu ritmo e organização aos fowards ingleses e colocou Farrell para jogar. Melhor em campo pela Inglaterra, Dickson certamente ganhou a confiança de Stuart Lancaster, treinador que vivenciou sua primeira derrota.

Pitada samoana

Para colaborar com o ímpeto de Dickson, o segundo centro Manu Tuilagi mostrava o caminho. Samoano de nascimento, Tuilagi abusou de choques poderosos e furou várias vezes a defesa galesa. Se o bom jogo de mãos puxado por Dickson não dava frutos, Tuilagi tentava na força física e no empenho. Foi bonito de ver, mas não o suficiente para superar os galeses.

Tuilagi dá trabalho para J. Roberts (foto: rbs6nations.com)

 

A possível “final”

A vitória deixa Gales a dois resultados positivos do título invicto. Um Grand Slam, como é chamado o feito, que seria somado a já conquistada tríplice coroa. Um resultado que ajuda a esquecer a derrota na semifinal da Copa do Mundo do ano passado. Para atingir o feito, terão de bater os mesmos adversários do jogo que valeu vaga na final do mundial: a França.

Os franceses venceram a Escócia por 23-17, mas ainda tem de jogar contra a Irlanda, em partida atrasada pela neve e remarcada para o próximo fim de semana. Com um caminho mais difícil – Irlanda, Inglaterra e Gales – a França se posiciona como a única candidata a tirar o título de Gales.

Ambas as seleções jogarão as próximas duas partidas em casa, no Stade de France e Millennium Stadium, respectivamente. Correndo por fora, a Irlanda, que venceu a Itália com contundentes 42-10, troce por um tropeço de Gales. Embalados, os galeses pegarão a lanterna Itália e vão esperar a França, que ainda tem de bater dois grandes, no duelo do ano do hemisfério norte – com a vantagem de jogar em casa.

França bate Escócia e segue na busca de Gales (foto: Stu Forster/Getty Images)

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