Brasil fecha Emirates com uma derrota amarga, mas importante

brunoromano

16 de dezembro de 2011 | 13h16

O Brasil se despediu da Emirates Cup com uma derrota expressiva para a favorita Hong Kong, que conta com a maioria de jogadores britânicos, da época em que o país não pertencia a China. O resultado de 37×3 contra nosso selecionado foi todo construído no segundo tempo, quando os campeões do torneio dominaram completamente o jogo.

Nossa seleção volta de Dubai com uma vitória em cima dos locais e duas derrotas (também perdeu para Quênia), mas traz na bagagem uma das maiores conquistas para história do esporte no país. Foi a primeira vez que uma seleção brasileira de rugby XV jogou fora da América do Sul.

Impossível exigir de um grupo de atletas amadores mais do que a doação que mostraram neste torneio. Mas também não podemos se contentar com o que temos, até porque o campeonato serviu para isso: definir quais são nosso limites.

Agora que sabemos em que nível estamos, temos que trabalhar mais e melhor. Ficou claro, até pela queda no segundo tempo, que ainda estamos bem abaixo no físico, em comparação com seleções de maior destaque. Para piorar, foram três jogos em sete dias, um ritmo fora dos padrões de torneios internacionais.

Em uma partida em que a defesa seria fundamental, o Brasil já saiu perdendo com a suspensão de Moisés Duque, especialista no assunto, que não pode entrar em campo. No seu lugar, Toto Camardon montou uma dupla de centros com a entrada de Pedro Lopez, garoto tambémSão José. Com exceção de jogadores mais experientes como o capitão Ramiro Mina (Bandeirantes), o ponta Daniel Gregg (Niterói) e os dois atletas do Desterro (SC), Daniel Danielewicz e Reges Comoreto, a seleção é formada por jovens como Pedro, de 18 anos.

É essa nova geração que vai ter que assumir o trabalho da passada, que batalhou para o rugby chegar onde está, com mais espaço na mídia, mais atenção dos patrocinadores e o mais importante: maior procura e interesse pelos valores desse esporte.

Além do falta de vigor físico no último tempo do campeonato, algumas falhas como a comunicação half scrum e abertura, subida da defesa e velocidade nos contra ataques foram determinantes. Se juntarmos tudo isso, entenderemos como a equipe ficou sem forças para reagir, depois de uma sequência de trys na segunda etapa.

Pelo menos, sabemos agora o que vamos encontrar lá fora. Traçamos nossos novos limites e demos as caras ao mundo do rugby. Sofremos também com jogos perdidos que, que apesar de doloridos, já eram esperados. Para o Brasil chegar a elite do rugby mundial, ainda veremos algumas importantes derrotas como no jogo de hoje contra Hong Kong.

EMIRATES CUP 2011
Dubai, Emirados Árabes Unidos

Classificação Final

1º Hong Kong
2º Quênia
3º Brasil
4º Emirados Árabes Unidos

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