Escola de rugby: All Blacks fazem 60-0 contra a Irlanda e mantém tabu

brunoromano

25 de junho de 2012 | 09h47

Não há outra forma para descrever a seleção neozelandesa senão como “Black Power”. Nenhuma relação com a gangue de crime organizado das ilhas do pacífico, mas sim com a forma com que a “gangue” All Black conseguiu aplicar um verdadeiro massacre por 60-0, na noite de sábado, contra a Irlanda.

Depois de uma atuação inesperada no segundo duelo da série de três jogos, com uma vitória apertada dos All Blacks (22-19), a Irlanda chegou a cogitar que conseguiria voltar para casa com pelo menos uma vitória. Seria a primeira na história contra a seleção neozelandesa.

Apenas observando o placar é possível ter a certeza de que foi uma partida de um time só. Mas, ao assistir o jogo, fica óbvio que a Irlanda teve sim as suas chances. Acontece que o ataque irlandês foi simplesmente demolido por uma “defesa atacante” que derrubou toda e qualquer camisa verde em campo. O duelo marcou também um recorde: o capitão Ritchie McCaw conquistou sua 93ª vitória em 106 partidas pelos All Blacks, ultrapassando George Gregan, habilidoso ex-camisa nove da Austrália e dos Brumbies, em vitórias internacionais.

Para qualquer jovem aspirante a jogador de rugby no Brasil, este All Blacks x Irlanda serve como verdadeira lição de como jogar um rugby duro e comprometido. Havia dois ou três jogadores de preto em todos os lances de tackle. Se eles não estavam limpando um ruck ou roubando uma bola, tentavam de tudo para deixar as coisas mais difíceis para o lado irlandês.

A doação dos All Blacks dentro de campo foi algo inspirador. E as jogadas dos estreantes, como Luke Romano, valeram ouro. O novato substituiu o contundido Read como um legítimo camisa 8. Em seu primeiro grande teste não fez apenas seu trabalho, como superou todas as expectativas.

Com tantos jogadores inexperientes sendo introduzidos no time, destaque também para Aaron Smith, o halfscrum que deu uma lição de como tomar decisões corretas. Smith também mostrou que um passe de qualidade do camisa 9 pode dar exatamente o que a linha dos All Blacks precisa para criar ainda mais temor nas defesas adversárias.

E ainda havia Sonny Bill Williams. O que podemos aprender com ele? Bom, muitas coisas: correr rápido e com contundência, acreditar e apoiar todas as bolas, mesmo aquelas que parecem improváveis, e não deixar ninguém te dizer que o rugby é para ser jogado sem atitude. De quebra, Williams ainda levou a campo mais aspectos técnicos que não estamos tão acostumados a vê-lo fazer. Além dos tradicionais “offloads”, deu chutes precisos, passes longos e foi fundamental para armar uma defesa intransponível.

A lista de bons jogadores poderia seguir, mas vale lembrar que foi a habilidade de todo time de reagir nas chances de contra-ataque e de executar bem todas as oportunidades ofensivas que fizeram a diferença, deixando a Irlanda sem pontos. Claro, os irlandeses receberam um cartão amarelo, em uma interpretação exigente demais do árbitro no fim do primeiro tempo, o que tornaram as coisas ainda mais difíceis. Mas não há dúvida em dizer que, mesmo com 15 jogadores nos 80 minutos, a Irlanda receberia o que só pode ser definido como uma aula de como jogar rugby.

 

Fotos: 1. Photosport; 2. reprodução stuff.co.nz

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