PUMAS QUEBRAM TABU EM MENDOZA E MOSTRAM QUE MERECIAM O RUGBY CHAMPIONSHIP

brunoromano

27 de agosto de 2012 | 13h05

Para os sul-africanos, uma derrota. Para os argentinos, uma vitória. Mesmo liderando toda a partida, com chance clara de vencer, os Pumas conquistaram um empate histórico no último sábado em Mendoza diante dos Springboks. Um placar pouco esperado, que gerou discussão em todo mundo. Ficou claro, neste suado 16-16, que a Argentina merecia seu lugar entre os melhores do hemisfério sul.

Para os bicampeões mundiais e terceiros no ranking, as razões de não terem vencido com tranquilidade a Argentina (atual 8ª na lista de melhores seleções) foram os jogares novatos e a indisciplina. Na prática, os Springboks encontraram uma equipe cheia de motivação, aguerrida na defesa e criativa no ataque, que aproveitou a primeira partida como local no Rugby Championship, como se fosse a última. No fim, o empate veio como um alívio para os sul-africanos.

“Deixamos o nosso país e a nós mesmos decepcionados. Mas temos de dar todos os créditos para a Argentina”, resumiu, após o jogo, Heyneke Meyer, treinador sul-africano. No desembarque na África do Sul, um dia depois, chegou a dizer que o resultado foi inaceitável. De forma geral, essa foi a visão empate pela imprensa e torcida local.

Para os sul-africanos esse foi o preço pago pela indisciplina. Depois de assistir um jogo abaixo da tradição Springbok se tornou comum ver alguém se lembrando dos craques que acabaram de se aposentar como John Smit, Victor Matfield e Jaque Fourie. A lista se estende com os machucados Schalk Burger, Bismarck du Plessis, Pierre Spies e JP Pietersen. E ainda passa por jogadores que decidiram atuar fora do país, como Bakkies Botha e Fourie Du Preez – o que os impede de defender a seleção.

O que não faz um empate. Nick Mallet, ex-treinador dos Springboks ficou tão irritado que parecia que iria entrar em campo. Comentando a partida na televisão, Mallet disse que apenas François Steyn e Eben Etzebeth tinham nível para jogar com esta camisa e que o ataque sul-africano não criatividade alguma.

A África do Sul sentiu a derrota.

Do lado argentino, não foi possível conter a emoção. O “scrum.com” falou em sensações encontradas: ao mesmo tempo em que entraram para a história com o empate, lideravam toda a partida e poderiam ter vencido.

Para o jornal “Olé” a diferença foi a defesa. Na semana anterior, haviam tackleado para resistir e se proteger, mas em Mendoza atacaram sem bola e colocaram uma pressão matadora no rival.

Pumas que impõe respeito. Este foi o termo usado pelo Clarín, jornal de grande circulação no país, ainda na derrota dos Pumas frente a África do Sul, em Cape Town. Os especialistas comemoram o fato dos Pumas terem conseguido manter um bom caminho no rugby profissional, desde 2007, quando foram 3º colocados no Mundial. Já faz cinco anos, período em que renovaram completamente o plantel.

No “La Nación” já se fala nos All Blacks. Não se pode respirar no Rugby Championship defende a publicação. É hora de colocar os pés no chão e pensar no próximo duelo.

Um confronto que, segundo os próprios argentinos deve ser decidido na força. Eles acreditam que os All Blacks vão querer se impôr no jogo de contato e talvez não abusem tanto das jogadas mais abertas e de efeiro.

Difícil de afirmar com tanta certeza, ainda mais pensando em uma seleção que tem feito isso com uma tranquilidade e confiança enormes. O que pode servir de motivação para a Argentina é o próprio try de Santiago Fernandez, que abriu o caminho contra a África do Sul. Depois de uma jogada empolgante, com praticamente todo o time participando da investida, Fernandez usou a inteligência (e não a força) para encontrar um espaço improvável e anotar um try debaixo dos paus.

Eram 14 derrotas seguidas, desde uma partida em Buenos Aires, há 19 anos. O tabu foi quebrado. Com praticamente o mesmo time do primeiro jogo em Cape Town. O que mostra que a Argentina vai dar trabalho, principalmente dentro de casa.

O resultado foi bom para os All Blacks que não deram nenhuma chance para a Austrália: venceram por 22-0 em casa e agora lideram, isolados, o torneio.

Os jornais australianos “Sydney Daily Telegraph” e “Sydney Moring Herald” já pedem a cabeça do treinador Robbie Deans. Alan Jones, ex-treinador dos Wallabies chegou a dizer que Deans não serve para o cargo.

No que pode ser considerada a maior rivalidade do rugy mundial, uma derrota por 22-0 não é fácil de digerir. A desconfiança com o trabalho do treinador começa a ficar mais evidente e a falta de conjunto em um grupo cheio de verdadeiros craques em suas posições também.

Por outro lado, o atual técnico se defendeu, dizendo que os All Blacks estão jogando com a confiança de campeões mundiais – e que acredita que ninguém seja capaz de detê-los no momento.

Essa vai ser a missão da Argentina no próximo dia 08 de setembro. No mesmo dia, África do Sul e Austrália se enfrentam por uma sobrevida no torneio. Se os All Blacks seguem sendo favoritos absolutos, os Wallabies que se cuidem. Não vai ser tão fácil manter este segundo posto no ranking. A África do Sul – e a Argentina! – vem aí.

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