Seleções do hemisfério sul vencem 10 de 14 jogos e mantém domínio no rugby mundial

brunoromano

27 de junho de 2012 | 00h53

As melhores seleções de rugby do planeta foram a campo em junho na temporada de amistosos internacionais. Foram ótimos duelos, colocando frente a frente equipes dos hemisférios sul e norte. A rivalidade já é famosa no esporte. E a freguesia dos europeus, que prevaleceu mais uma vez, também.

Somando os resultados de 14 confrontos diretos entre hemisférios, o sul levou a melhor por 10 a 4. África do Sul e Inglaterra empataram em 14-14 no último de três duelos. Apenas França e Escócia limparam a barra daqueles que representam o local do nascimento e da infância do rugby. Os escoceses foram impecáveis, vencendo Austrália, Fiji e Samoa. Engraçado: em 2011, ano de Copa, não conseguiram chegar nem perto disso. Para piorar, terminaram em último o Six Nations deste ano.

Assim, dos quatro “pontos” do sul, três são dos escoceses. O outro vem da França, que não deu chances à Argentina no segundo duelo entre as seleções. No mais, o domínio foi dos países que conheceram o rugby por meio de seus colonizadores. Em comum entre eles, um jogo mais aberto e bastante ofensivo, tanto no ataque como na defesa. Equipes capazes de fazer tries de várias formas – e de acreditar em todas as jogadas.

As seleções do sul se defendem com vontade extra, como se estar sem a bola fosse um absurdo tão grande que precisa ser resolvido o mais rápido possível. Muitas delas ainda se inflamam com suas torcidas, que não perdem a chance de ver um amistoso em casa. O cenário intimida até mesmo experientes atletas europeus. O fato de jogarem tão longe de seu país e de terem históricos negativos como o da Irlanda, que nunca venceu a Nova Zelândia, com certeza são explicações válidas.

Mas a diferença é (e sempre será) a formação destes jogadores até chegarem ali. O nível de um All Black, Wallaby ou Springbok é alto demais, pois só entra em campo quem realmente passou por todos os testes imagináveis no esporte. Não é por acaso que novatos na Nova Zelândia como Sam Cane, Luke Romano e Julian Savea se sentiram tão soltos em campo e fizeram a diferença.

Os resultados também atualizaram o ranking da International Rugby Board (IRB). No Top 10, são seis seleções do hemisfério sul contra quatro no norte. Nas três primeiras posições estão Nova Zelândia, Austrália e África do Sul, todas bicampeãs mundiais. A Inglaterra (4ª colocada) é a única que também já venceu uma Copa do Mundo, mostrando que o domínio não começou neste mês de junho. Argentina em 7º completa o esquadrão, ao lado de Tonga (9º) e Samoa (10º).

É verdade que os campeonatos europeus já terminaram, enquanto o Super Rugby, que reúne os melhores atletas da tríade do sul está chegando agora a seu auge. O argumento, no entanto, perde um pouco de força já que alguns jogadores de seleções do sul defendem times europeus, ainda que seja uma minoria. Outro ponto, o do mando de jogo, também será colocado a prova, já que em novembro será a vez das seleções no norte receberem as partidas.

O fato é que a diferença de escolas é bem clara. E também seria em um duelo entre times. O Leinster é o atual campeão europeu e serve de base para a Irlanda – talvez seja até mais compacto e entrosado que a própria seleção. Mas, se encarasse times como o Crusaders, de onde saem grande parte dos All Blacks, o resultado não seria muito diferente.

PRÓXIMOS AMISTOSOS INTERNACIONAIS
10/11/2012

FRANÇA X AUSTRÁLIA
ITÁLIA X TONGA
INGLATERRA X FIJI
GALES X PUMAS
ESCÓCIA X NOVA ZELÂNDIA
IRLANDA X ÁFRICA DO SUL

Fotos: 1. reprodução theage.com.au (Getty); 2. reprodução theroar.com.au (AAP Image/Joe Castro)

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