3 perguntas para o campeão!!!
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3 perguntas para o campeão!!!

Ítalo Ferreira celebra título... mas já com os olhos em 2020

Thiago Blum

22 de dezembro de 2019 | 15h59

foto: WSL

Ele chegou no Brasil.

Foi recebido com festa no aeroporto.

Atendeu toda a imprensa em pleno domingo.

Reviveu a conquista do mundial dezenas de vezes.

E ainda vai ter que contá-la outras tantas.

Ítalo Ferreira sabe que a partir do toque da sirene da bateria decisiva do Pipe Masters na quinta-feira, sua vida e carreira vão estar em outro patamar.

foto: WSL

Mas o novo campeão mundial de surfe segue seu estilo.

Uma tranquilidade com as palavras.

Bem diferente do jeitão ‘psico’ – como ele mesmo diz – dentro d’água.

Dividir o ambiente e conversar com o potiguar de 25 anos, é como estar à beira mar em um final de tarde de sol.

O cara esbanja alto astral.

Sorri, abraça e agradece quase com timidez.

Uma gratidão aos que o cerca, mesmo sabendo que o objetivo alcançado veio através de muito trabalho, perseverança, comprometimento e humildade próprios.

foto: @thiago_blum

A temporada de 2019 começou e terminou no lugar mais alto do pódio.

Mas foi preciso sofrer também.

Lesões e derrotas fazem parte do dia a dia do atleta de alto rendimento.

E saber lidar com todo o tipo de sentimento traz ainda valor maior aos troféus.

Foram 5 finais da WSL.

3 vitórias.

E ainda teve a medalha de ouro no ISA Games.

Chegou a hora de descansar? Mais ou menos.

Ok, tem as festas de fim de ano.

Só que janeiro está aí e Ítalo quer recomeçar antes de todos os adversários.

Afinal, tem um mundial para defender.

E os jogos de Tóquio, onde vai representar o país na estreia do surfe como esporte olímpico.

foto: @thiago_blum

Várias questões em pauta e um tsunami de novas responsabilidades para esse profissional exemplar de apenas 25 anos.

Depois de uma longa viagem de volta ao Brasil – na classe econômica, que lhe rendeu dores nas costas -além de mais de 40 minutos de coletiva e outras conversas exclusivas, ele me deu o privilégio de um rápido bate-papo particular.

Imagino que vários filmes sobre essa conquista passaram pela sua cabeça antes e durante o Pipe Masters. Mas você imaginava que ela poderia ser concretizada da maneira que foi, com um desfecho tão especial? Com uma bateria valendo pelo ano todo?

Quando o avião pousou no Havaí, minha oração foi para que eu voltasse sorrindo, foi o que pedi a Deus. E acho que ele escreveu a história mais linda possível. Competi o evento, entre uma ou outra bateria não fazendo uma boa performance, mas depois do round 4 eu fui crescendo, passei pelo Kelly na semi, ganhei do Gabriel na final, que acho que foi a bateria da minha vida. Era o título ali, para ambos os lados. Sabia que era uma oportunidade gigantesca pra mim, não podia deixar passar. Eu dediquei minha vida inteira para esse dia… minha vida ainda é curta, mas demorou pra caramba. Passar por altos e baixos faz parte dos atletas, e 2019 foi assim. Quando assumi a liderança do ranking e perdi, as pessoas me perguntavam. Vinham me falar ‘ah… você perdeu a lycra amarela’. Aí eu falava: ‘No meio do ano ela não importa. Pra mim, vai importar no início do ano que vem’. Aí você entende, que se eu começar com ela em 2020, é porque fui campeão do mundo.

foto: WSL

Você enfrentou muitos brasileiros no Pipe Masters. Mesmo pensando em se preocupar apenas com seu desempenho, acha que dividir o pico com  companheiros de país te deixou mais tranquilo no line-up?

Eu via na água, a fome que os caras tinham de ganhar de mim, porque todos estavam buscando uma melhor colocação, ou crescer na mídia também. Cada um que competi, tinha um objetivo. O Jadson André tinha chances de ganhar a Tríplice Coroa Havaiana. O Peterson Crisanto estava tentando se reclassificar, o Yago também. Caras que realmente foram pra cima, não tem essa. No surfe é difícil ver alguém abrindo pro outro. E claro, eu estava muito confiante e não pensava no meu adversário, essa foi a minha tranquilidade. Estar com a cabeça bem para fazer as coisas da melhor maneira possível. Foi como pensei antes do campeonato: ‘Se eu estiver com a mente boa, consigo fazer qualquer coisa’. Ficar tranquilo, ser sábio em alguns momentos, ter coragem, não ter medo. Não era o favorito, por isso cheguei no Havaí muito cedo, treinei todos os dias, surfava 3 ou 4 vezes por dia. Mar de 10 pés, 5 pés, 2 dedos de onda, 3 palmos de onda… tava dentro d’água. Sem importar o tamanho, tava analisando a bancada. Trabalhei com o Shane (Dorian), me ajudou bastante, me deu dicas. Dividi momentos com o Jamie O’Brien, que mora lá. Vivi momentos incríveis com alguns locais, que me passaram boas energias, seguranças do campeonato. Foi uma temporada havaiana mito diferente, vai realmente ficar muito marcada. Só cresceu o meu respeito por aquele lugar.

foto: WSL

2020 será um ano de muitas competições e de maiores obrigações longe do mar, como contratos e publicidades. Como planejar todo esses compromissos?

Isso realmente acontece após você se tornar campeão. Tem essa cobrança, de estar presente. As marcas precisam disso para promovê-las e também valorizar o atleta, então temos que estar disponíveis. É por isso também que eu não tenho muito patrocínio, porque eu não quero sair tanto da água pra fazer um campanha. Prefiro estar ali na água surfando, fazendo o meu melhor. Porque acho que quando você tem muito patrocínio, às vezes acaba se desgastando mais, e deixa de focar em uma coisa  pra fazer outra, tentar agradar a outra pessoa. É o momento que tem que saber equilibrar, saber dosar essa parte. Tenho pessoas a meu redor que podem fazer com que isso seja positivo.

por @thiago_blum

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