A força do Panda
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A força do Panda

Estreante na elite mundial, Willian Cardoso começa a 2ª metade da temporada em 5º no ranking

Thiago Blum

01 Julho 2018 | 20h59

Enquanto a bola rola solta na Copa da Rússia, nossa seleção brasileira da água salgada vai soltar o pé nas perfeitas direitas de Jeffrey’s Bay, na África do Sul.

Dos cinco melhores do ranking mundial após 5 etapas, quatro são brasileiros.

Willian Cardoso: explosão e muita força à serviço do time brasileiro na WSL

Entre eles, um catarinense de fala mansa e surfe poderoso.

Willian Cardoso, o Panda, demorou mais do que merecia para estar entre os melhores do mundo. Bateu na trave várias vezes, mas guerreiro que é, não desistiu.

E aos 32 anos, mostra que a idade joga a favor. Experiência que dá a sustentação para percorrer um caminho de excelentes resultados logo na temporada de estreia.

Depois de três eliminações seguidas na 3ª fase, veio a ‘perna’ de Bali, com uma etapa prevista no calendário, e outra escolhida para completar o evento cancelado em Margaret River, na Austrália, por causa do ataque de tubarões.

A Indonésia não podia ter chegado em hora melhor.

Uma grande atuação e o 5º lugar nas direitas de Keramas.

E quando a elite se mudou para as esquerdas de Uluwatu, não teve para ninguém.

Com pernas fortes de um homem feito e o tesão de um garoto em busca da realização dos sonhos, Panda atropelou.

Foi campeão incontestável e entrou de vez na briga pelo título mundial.

Faltam 6 etapas até o fim da temporada. E ele sabe muito bem o que quer, para fazer de 2018 um ano inesquecível. Às vésperas da etapa sul-africana na famosa Jeffrey’s Bay, que acontece de 2 a 13 deste mês, ele falou sobre os resultados do ano, e sobre os planos para o resto do circuito da WSL.

Fala da emoção do título em Bali, nas esquerdas de Uluwatu.

Foi muito irado, um desabafo., não esperava. Foi um dia longo, com quatro baterias. E cada bateria, como fosse uma final, um título a decidir. No final foi só comemorar, gritar, sair pro abraço. Olha pra trás e ver tudo o que tinha passado, todos os momentos que eu tinha vivido pra estar ali. Um sonho se tornando realidade.

Qual tem sido a maior dificuldade e o maior prazer de estar entre os melhores do mundo?

É a felicidade de poder viajar o mundo inteiro atrás de um sonho de moleque, de estar entre os melhores do mundo. Poder ter a chance de mostrar o seu melhor durante um ano e ter a oportunidade de estar com seus amigos e desfrutar, que é surfar.

As estratégias nas baterias e o julgamento são muito diferentes entre QS e CT?

Tudo é estratégia, tudo é jogo. Claro que às vezes, uma condição é melhor que a outra, então acaba mudando um pouco.  Tem bateria que é preciso surfar muito, tem bateria que tem que ser esperto, matemático. É tudo questão de adaptação, questão do dia, mas a maior diferença está na qualidade das ondas.

O circuito ainda vai passar por África do Sul, Tahiti, piscina, Portugal, França e Havaí. Tem expectativa maior por uma dessas etapas? Tem alguma restrição ou receio em alguma?

Não vejo a hora de competir em Jeffrey’s. A piscina também vai ser uma experiência incrível, algo novo. Tahiti é um lugar que realmente acaba puxando os limites. Eu tive pouca experiência lá, espero que possa aprender bastante esse ano e buscar um resultado razoável. Eu sei da minha dificuldade, então vou lutar para passar as baterias na raça, na garra, e tentar melhorar sempre.

Quais são os motivos que fazem o Brasil ter o melhor time e dominar o circuito atualmente?

O Brasil é unido. Todos os atletas se respeitam e tem uma amizade. Praticamente todo mundo já se conhece há muito tempo, todo mundo acaba tendo um carinho especial pelo outro. A gente sabe da dificuldade de cada um para estar aqui, o que passou, o que fez até então. Não tem historinha, a gente realmente fica feliz quando um brasileiro ganha. E a gente quer realmente dominar o circuito mundial, todo mundo tem esse pensamento, essa vontade, esse desejo. Quanto mais atleta brasileiro no circuito mundial, melhor. Assim a gente fica cada vez mais família.

Já deu tempo de pensar em um planejamento para a segunda metade da temporada?

O planejamento inicial era tentar permanecer na elite. Depois destes dois grandes resultados em Bali, dá pra pensar em algo maior. Do jeito que as coisas estão andando, o top 10 seria algo incrível. Logo no ano de estreia seria algo que me deixaria muito feliz.