Com a palavra, o campeão (e ele quer mais)
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Com a palavra, o campeão (e ele quer mais)

Adriano de Souza prevê a corrida pelo título mundial de 2018 como uma das mais equilibradas dos últimos anos

Thiago Blum

26 de março de 2018 | 13h15

Adriano de Souza: 13 temporadas na elite, surfista brasileiro mais experiente e campeão mundial do WCT em 2015

Adriano de Souza está na sua décima terceira temporada na divisão de elite. E o brasileiro mais experiente da WSL quer muito mais.

Aos 31 anos, ainda prevê mais algumas temporadas como profissional. E a cabeça também está no futuro. O surfe vai estrear como esporte olímpico nos jogos de Tóquio-2020, e Mineirinho sonha em ser um dos dois representantes do país nas ondas japonesas. De olho no bicampeonato, ele acredita que não existe favorito em 2018 e que a briga pelo título mundial deve ser a mais equilibrada dos últimos anos.

Depois da 9.ª colocação na abertura, na Gold Coast, Adriano segue na Austrália. Nesta semana, começa o evento mais tradicional do calendário: a etapa de Bell’s Beach. E o veterano acredita que pode repetir a vitória de 2013.

Você é o nosso representante mais experiente e antigo na elite do mundial. Imaginava que algum dia o Brasil lideraria o número de atletas no WCT?

Adriano de Souza: Sabia que a gente tinha potencial para isso e passei a ter certeza quando começamos a nos destacar, pois veio uma turma inteira junto conosco. Os títulos que o Medina e eu conquistamos só abriram ainda mais a porta para os atletas brasileiros.

O time brasileiro conta com campeões mundiais, garotos, jovens já com experiência e atletas com vários anos de competição, mas que só agora chegaram à elite. Como avalia nossa seleção para 2018?

Temos o grupo mais equilibrado possível. Todos têm capacidade de surpreender, inclusive quem entrou agora, como o Panda (Willian Cardoso), que de estreante não tem nada, é um dos mais experientes do grupo.

Como analisa o seu desempenho na Gold Coast?

Uma pena, pois tinha saído do round anterior com uma das melhores notas. Foi uma bateria muito complicada, com uma alternância muito grande entre o Michael Rodrigues, o Michel Bourez e eu. E no fim não consegui uma onda bacana para poder virar o resultado.

O que achou da nova avaliação dos juízes e da eliminação do round 5 nos campeonatos?

A eliminação do round 5 tornou o evento mais dinâmico e também ajudou a poupar a galera, que, com isso, deixa de disputar uma bateria a mais. Por outro lado, quem perder não vai ter outra chance para tentar. Mas continua justo. A nova avaliação não trouxe problemas e acredito que continuará assim. Mas com o campeonato mais curto, tem mais tempo na janela para ter mais ondas boas.

Você já fez duas finais e é o único brasileiro a tocar o sino da etapa mais tradicional do circuito. Existe algum segredo para surfar em Bell’s Beach?

Surfar forte e acreditar. Em Bell’s as ondas têm paredes longas e rápidas e quando o vento encaixa com o swell, a onda vira tipo uma pista lisa. Falando nisso, faz cinco anos da minha vitória e quero voltar a tocar esse sino!

Muitos acreditam que a briga pelo título vai ser a mais equilibrada dos últimos anos. Concorda?

Concordo. Não vejo favoritos.

A idade não é uma barreira no seu esporte. Tem ideia de até quando vai ser capaz de competir em alto nível?

Quero competir em alto nível pelos próximos anos. Capacidade eu tenho, mas não devo fazer que nem o Kelly, que, se deixar, vai tentar participar das 3 próximas olimpíadas. (risos) Eu quero muito ir em 2020.

Mineirinho foi o único brasileiro da chave masculina a vencer em Bell’s Beach: campeão em 2013 e vice em 2015

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