Conheça os planos do campeão
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Conheça os planos do campeão

Adriano de Souza quer esquecer 2019 para voltar a sorrir e comemorar no circuito mundial

Thiago Blum

17 de janeiro de 2020 | 13h02

foto: divulgação

De outubro de 2018 a dezembro de 2019.

14 meses diferentes.

Dedicados muito mais ao tratamento – mental e físico – do que ao surfe.

Período para praticar paciência, resiliência e perseverança.

Mas 2020 chegou.

Para o alívio de Adriano de Souza.

Afinal, nenhum atleta gosta de ficar longe da ação.

Ainda mais os de alta performance.

E se for campeão mundial então…

foto: @adrianodesouza / @livefastdielast_photography

Em uma conversa com o jornalista Mauricio Ferreira, do canal BandSports , o líder do time verde e amarelo na principal divisão mundial, deixou claro que não vai ter saudades de 2019.

“O ano começou a ficar difícil no final de 2018, quando tive minha lesão. E isso carregou até o meio da temporada, onde iniciei a minha caminhada novamente. Só que no meio do tour, com todo mundo voando, já competindo a muito tempo. Quando eu comecei a pegar ritmo, na 3ª etapa que eu tava vindo, acabei tendo uma nova lesão no Tahiti, onde as ondas estavam enormes. Agora, me preparando pra já iniciar o ano com o pé direito. Acredito que estarei 100% em meados de 2020, quando minha lesão completa um ano e meio, tempo estimado pelos médicos para recuperação completa. Vou me sentir 100% fora e internamente a partir daí. Espero que seja um ano maravilhoso, pra apagar 2019”.

foto: @adrianodesouza / @livefastdielast_photography

Adriano não esperou para iniciar os treinamentos.

Foco máximo na nova temporada.

Desembarcou na Austrália logo na primeira semana de janeiro (fotos acima).

De lá, segue preparação no Havaí e depois retorna à Gold Coast, para a disputa da etapa abertura do circuito da WSL marcada para 26 de março.

E nada de voltar ao Brasil.

foto: divulgação

Abaixo, a íntegra da entrevista, realizada no fim de 2019:

Nos momentos difíceis tentamos pegar as coias boas. O que deu para refletir neste tempo? Melhorar o psicológico diante das dificuldades?

Foi uma guerra mental, com muitos meses de dor, muita dificuldade. Eu já estou há 14 anos na estrada e ao longo das temporadas a gente vai ‘empurrando com a barriga’ um monte de lesões – que não se concretizam 100% e você vai nessa caminhada. No momento que aconteceu no joelho, eu sabia que ia ficar 8 meses parado, então consegui consertar um monte de coisa. Fiz três cirurgias: no joelho, mandíbula e nos olhos, com uma recuperação demorada. Consertei tudo o que tinha e espero que seja o ano de recompensa de todas essas dores.

O Brasil vive o melhor momento da história no cenário mundial. E você é dos principais responsáveis por isso. Como se sente?

É gratificante. ‘Brazilian Storm’ é como se fosse uma nova geração de atletas né. Como já estou lá há muito tempo, não sinto que me encaixo nesse ‘nome’, estou estampado fora dessa bolha. Mas fico contente de ver esses novos atletas se destacando, se aprimorando e chegando junto da elite. Não é que me sinto fora… fora da casinha… não. Eu sei minha realidade, sei onde estava e onde estou hoje. Vejo com bons olhos o que está acontecendo e espero que essa caminhada continue a longo prazo. O Brasil é um país do presente, né?  A gente só vê o presente o tempo inteiro e eu como atleta tenho o dever de falar sobre o futuro. Eu quero ver esses atletas puxando essa carreata mais uns 20 anos. Torço muito por essa nova geração que está vindo, que dê certo, que usem os surfistas atuais como exemplos, todo mundo treinando, se dedicando e levando a vida como um atleta. É isso que eu tento também puxar pra eles.

foto: divulgação

Como você considera o cenário atual da garotada? É uma galera pronta também para chegar até a elite?

Com certeza. Nosso presente é maravilhoso. Mas o caminho é doloroso, não é um caminho que você vai trilhar com perfeição. É de muita dor, batalha e dedicação. E o meu dever é deixar isso pra eles bem claro, “vamos lá, vamos que a gente ajuda, mas o caminho é longo e doloroso“. No momento que a ‘porradaria’ começar, tem que ser persistente, continuar na luta que vai dar certo.

Australianos, americanos e sul-africanos estão hoje com um pouquinho de ciúmes dos brasileiros?  

Com certeza, porque o circuito sempre foi considerado deles. Estão com ciúmes, mas a briga é quem estiver melhor. Hoje, nós estamos melhores.

foto: divulgação

Você está com 32 anos e hoje em dia os atletas estão bem mais longevos. Até onde vai o Adriano de Souza no circuito mundial?

Me dediquei muito e vivi uma vida de atleta 100% durante minha vida toda, então meu corpo não é número. O momento que eu não ‘performar’ como um atleta de elite, eu acredito que é o momento de parar. Meu corpo que vai dizer isso, ele é uma máquina. Eu cuido da minha máquina desde os 20 anos, mesmo quando todo mundo achava que eu não precisava cuidar, eu tava cuidando. Não tenho um caminho traçado para quando parar, mas sim quando eu ver que não tenho mais condição de alta performance para disputar, vai ser o momento de parar.

por @thiago_blum

entrevista: @mauferreirajr

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