DVD quer mais… muito mais!
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DVD quer mais… muito mais!

Deivid Silva está pronto para o 2º ano no World Championship Tour

Thiago Blum

24 de fevereiro de 2020 | 09h48

foto: @dvdsilva

Preparação física em dia.

Nova alimentação no cardápio.

Quiver pronto.

Surfe no pé.

Tudo dentro do planejamento.

O segundo ano seguido entre os melhores do mundo se aproxima.

No comecinho de março, Deivid Silva parte para a Austrália.

Destino obrigatório de todos que competem no ‘Dream Tour’ do circuito mundial da WSL.

Será um tempinho longe da família.

Mas o paizão dedicado estará em boa companhia.

foto: @henriquepinguim / @dvdsilva

O início do giro pelo planeta vai ser ao lado do amigo Alex Ribeiro, que está de volta à elite.

As surpresas e novidades ficaram em 2019.

Depois da 23ª colocação no ano de estreia e da reclassificação garantida através do ranking da divisão de acesso, são muitos objetivos para essa e as próximas temporadas.

“Esse ano eu pretendo, lógico, me manter novamente no tour, mas minha meta é poder estar entre os 10. E também poder vencer uma etapa do CT. E quem sabe – mais pra frente – disputar o título mundial, mas com calma, com muito mais aprendizado com esse ano que está vindo”.

Família, parceiros de viagem e a principais ondas do calendário foram temas da conversa exclusiva do surfista paulista com o #tuboseaereos.

foto: @limajrpena / @dvdsilva

Vai ser seu segundo ano completo na elite da WSL. Como você avalia a estreia em 2019? E o que você acha que deve mudar para 2020 ser ainda melhor?

2019 foi um dos anos que eu mais aprendi. Estar no CT e viver tudo aquilo. Eu já tinha cometido em duas etapas, dois anos no Rio de Janeiro como convidado, mas foi totalmente diferente. Poder estar competindo o ano inteiro, todas as etapas – algumas em que nunca tinha ido, como Margaret River, Teahuppo e piscina – foi um aprendizado muito incrível.  Estar entre os melhores do mundo, fez eu ver que posso chegar mais pra frente. Agora comecei a treinar muito antes e mudei minha alimentação, vi que no CT precisa de tudo isso. Ter treinamento, ter uma boa alimentação pra aguentar o baque, porque são etapas que você tem que estar com 100% do seu nível.

Para os atletas que passam o ano inteiro competindo, existe uma diferença muito grande entre os circuitos do QS e do CT?

É muito diferente, com certeza. Quando eu competi o QS e não estava no CT, parecia que a elite era um pouco mais fácil, porque as ondas são mais perfeitas. Mas não, na elite é muito mais difícil que no acesso. Ali, os 34 surfam muito bem, é um nível totalmente diferente, as ondas realmente são muito boas, mas perfeitas pra todos e todo mundo quebra e isso torna o tour mais difícil. E bom também, porque você sempre está precisando puxar o seu nível. O CT é muito mais cansativo, lógico que se você competir só o CT fica um pouco mais tranquilo, só que no começo – pra galera que está chegando – é muito difícil você só competir o CT, porque é muito novo. Você tá entrando, tá conhecendo e é bem complicado. Em 2020, além da elite, vou competir só as etapas de 10 mil pontos do QS, vou selecionar, porque ano passado isso me atrapalhou, de estar presente em eventos menores. Participar de torneios de 6 mil e 3 mil pontos me deixou exausto no final, em eventos como o de Portugal, França e Havaí. Vou pra todas dos 10 mil, que esse ano são 8 no calendário. Já é bastante, 11 no CT e 8 do Challenger Series. E se acontecer de me dar bem em algumas delas, capaz de optar em não correr outras.

foto: @dvdsilva / @limajrpena

Em 2019 você ganhou o 10 mil de Ballito (África do Sul), mas não chegou nenhuma vez nas quartas de final do CT. Qual é o diferencial que pode ser feito, que você tem no seu surfe para obter melhores posições?

A vitória em Ballito me deixou bastante motivado e confiante. Mas o que faltou para ir além das oitavas foi aprendizado dentro do tour mesmo. Era tudo novo, não estava com as pranchas adequadas. Faltou um pouquinho de calma também, errei em algumas coisas – de ficar boiando um pouco. Eu reconheci meus erros, estou treinando muito pra isso. Eu fiz 5 oitavas e não vejo a hora de passar deste round.

Você já falou de alimentação e parte física. E o mental?

Eu passo por uma psicóloga do esporte. É muito importante ter a cabeça boa, o mental estar em dia para competir toda hora com caras muito bons.

Quais são as etapas mais complicadas?

O engraçado é que no ano passado fui pra algumas etapas pensando como descarte, casos de Margaret, Teahuppo e piscina, que eu não conhecia e seria tudo novo. E foi surpreendente. Caí logo de cara em Margaret, pra mim foi a mais difícil, porque a onda é longe, tem os tubarões e a galera fica na pressão. A onda é muito boa, mas difícil… quebra numa bancada e ainda tem ‘The Box’. São dois picos totalmente diferentes, uma que é só tubo e outra com manobras, só que volumosa. Em Teahuppo, sempre imaginei que seria incrível poder surfar aquela onda sozinho, mas ouvia todo mundo dizendo que é tenebrosa pelo tamanho – e realmente é. Mas eu gostei muito da onda, pretendo voltar 10 dias antes do campeonato pra treinar mais. Fiz uma 9ª colocação que não esperava e é uma etapa que eu sonho vencer um dia. Na piscina também… é preciso ter muito treino ali, você tem que conhecer a onda, todas são muito parecidas, mas não iguaizinhas. Fiz outro 9º, também muito surpreendente.

foto: @dvdsilva

Viajar com a família ajuda no tour?

Sou um cara que gosta de estar com a família por perto. No ano passado, minha mulher, minha filha e meu pai foram juntos para a Gold Coast e Bells, na Austrália. Como era meu primeiro ano e estava cheio de pressão, foi bom curtir um pouco e eles me deixavam um pouco mais tranquilo. Não atrapalha não, tem que saber dividir um pouco também.

O time brasileiro da elite mudou um pouquinho, mas ainda é muito forte, certo?

Perdemos alguns ali dentro, como o Willian Cardoso, um cara que gosto muito. Ele me ensinou bastante no tour, de todas as formas, desde os tempos que viajávamos juntos no QS. Torço muito pra que ele volte, mas tem também a galera que já tinha competido no CT, como o Alex Ribeiro e o Miguel Pupo, caras que surfam muito bem. Ou seja, esse ano vai ser bom de novo para a galera do Brasil, todos focados e com certeza vamos dar muita alegria para a torcida.

foto: @dvdsilva

Essa força e essa ‘vibe’ de equipe faz a diferença?

Com certeza, a gente viaja e fica hospedado junto. Ano passado passei muito tempo com o Filipe Toledo, que me ajudou bastante. Agora vou viajar todas as etapas com o Alex Ribeiro e isso contribui demais, principalmente quando a família não está presente. A galera unida passa muita energia nas baterias.

Qual sua meta para 2020? Onde você pretende chegar?

É poder estar entre os 10. A mesma meta que coloquei no ano passado, mas na temporada de estreia é muito difícil acontecer. Ficar no top 10 e se Deus quiser vencer uma etapa do WCT. E quem sabe, mais pra frente, poder disputar o título mundial também, mas com calma, com muito aprendizado.

foto: @limajrpena / @dvdoficial

Olimpíada. O que representa para o esporte? E o Brasil é o favorito com Ítalo Ferreira e Gabriel Medina?

É um motivo de alegria, o surfe vai crescer ainda mais. É outro patamar. E com certeza somos favoritos, acredito em ouro e prata. Vai ser difícil alguém bater o Ítalo nas condições de mar que serão as disputas.

E as meninas?

As mulheres etão muito bem representadas com a Tati (Tatiana Weston-Webb) e a Silvana (Silvana Lima). Elas surfam muito naquelas condições. Acredito que o Brasil tem chances de vencer as duas categorias. Pra mim, dá pra acreditar em dois ouros e duas pratas na estreia do surfe olímpico.

por @thiago_blum

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