Ian Gouveia de olho na elite
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Ian Gouveia de olho na elite

Ex-integrante do CT vai atrás dos pontos no QS para voltar ao 'Dream Tour'

Thiago Blum

29 de abril de 2019 | 13h03

foto: @iangouveia

Foram algumas temporadas para atingir o objetivo.

E dois anos vivendo o sonho de estar e competir nos melhores picos do planeta.

Em 2018, Ian Gouveia não alcançou os resultados que pretendia.

E apesar de surfar ondas inesquecíveis – a principal delas valeu um 9,93 na etapa de Saquarema – terminou a temporada fora da zona de classificação para o CT.

foto: @iangouveia

Sereno ao falar, guerreiro incansável nas baterias, Ian tem o plano traçado para voltar a estar entre os melhores em 2020.

Disputar os eventos do QS que valem 6 e 10 mil pontos, além dos 3 mil que vão rolar em ondas boas, como no Chile e Indonésia.

Nesta semana, ele disputa o Ichinomiya Open, que rola em Chiba no Japão, mesmo palco das baterias dos Jogos Olímpicos de Tóquio no ano que vem.

Projetos, competições ao lado dos ídolos e viagens foram temas do papo com o cara que começou no surfe como o filho do Fabinho, e hoje é um dos atletas brasileiros mais queridos e respeitados no cenário mundial.

foto: @iangouveia

O que é mais difícil, chegar na elite ou permanecer?

São duas coisas distintas. Você quebrar a barreira de conseguir entrar no tour é algo muito gratificante. Acredito que seja mais difícil essa qualificação, porque é algo que todo mundo sonha, é o grande momento. Mudança de vida, patrocinadores, premiação, é um ‘gap’ muito grande do WQS para o WCT. Hoje em dia, aqui no Brasil, se você falar com as pessoas na rua, todo mundo sabe quem são todos os atletas do WCT e acha o máximo o WCT. Ninguém sabe qual é a história do WQS, é como se fosse a ‘Série C’ do futebol. A própria WSL não dá muita ênfase para o WQS, acredito que eles futuramente vão dar mais luz, mais valor. Então é isso, qualificar para o WCT é um passo muito grande, tanto no surfe quanto na vida, e que quando consegue fica amarradão.

Quais é o plano para retornar a esse sonho?

Focar 110%. Venho me dedicando bastante esse ano, tive uma boa pré-temporada e estou com uma equipe incrível, que está me dando todo o suporte pra ficar bem o ano inteiro e conseguir essa requalificação.

Quais serão os próximos eventos?

Esse ano é um dos que vai ter mais etapas do WQS. Vão ter bastante competições 10 mil e 6 mil, e também muitas 3 mil com ondas muitos boas. Já teve uma no Peru, vai ter em Arica, no Chile e no Krui, na Indonésia, que são ondas excelentes, que vão valer a viagem por causa da qualidade. E também é sempre bom estar competindo e vestir a lycra.

foto: @iangouveia

Nesses 2 anos na elite, que auto-análise você faz, quais os pontos positivos e os negativos?

Foram 2 anos muito produtivos, peguei muita experiência. O primeiro foi incrível, sempre batalhando por resultado, pra quebrar aquela barreira do 3º round, onde tem uma diferença grande de pontuação. E também estar ali surfando com os ídolos. Pude competir contra o Joel Parkinson, com o Kelly Slater e Mick Fanning. Foi uma estreia vivenciando um sonho, de estar onde eu sempre queria estar. Já no segundo isso acabou. Sabia que era um atleta do WCT, não podia mais idolatrar aqueles caras e sim bater de frente pra conseguir o melhor resultado possível. Foi um ano complicado. Tive 4 ou 5 resultados perdendo no round 1, depois um evento incrível no Rio de Janeiro, que com certeza vai ficar na memória. Foi difícil, mas mesmo a cada resultado ruim absorvi muita experiência e me sinto outra pessoa no WQS agora. Acredito que isso vai me ajudar muito, então não tiro nada negativo desses 2 anos, só coisa positiva.

A etapa de Pipeline – que você ficou e 3º e valeu a vaga para o ano seguinte – foi a mais especial?

Quando eu entrei no tour, tinham duas etapas que eu mais queria participar: Fiji e Pipeline. Coincidentemente foram os meus dois melhores resultados no ano de estreia. Sempre fui pra Pipe desde pequeno, sempre surfei aquela onda, vi meu pai (Fábio Gouveia) competir lá e sempre foi um sonho no Pipe Masters. Precisar de um grande resultado e conseguir fazer um 3º lugar que garantiu minha requalificação, realmente vai ficar pra história. Vou pendurar a lycra lá em casa. Tem uma foto minha também, disputado uma onda com o John John Florence… o cara é o rei de Pipe e eu estava lá disputando a semifinal com ele naquela multidão, ele tinha a acabado de ganhar o 2º título mundial, então são memórias incríveis.

E o cabelo foi embora…

Mas valeu a pena. Era a promessa pela classificação, raspar o cabelo na gilete e tatuar “requalificação” em japonês na cabeça.

foto: @iangouveia

E o surfe na piscina? Você gostou da etapa, tem o que melhorar?

Eu gostei de ter uma etapa na piscina. Acredito que o formato da competição podia mudar, ser mais parecido com o que a gente tem na competição normal. Fugiu um pouco do que a gente está acostumado, e talvez para a galera que estava assistindo ficou um pouco chato. Mas acho que é válido ter uma etapa na piscina no tour e ajustando algumas coisas vai ficar bem legal.

A onda é muito longa?

Tem isso também. Nenhum dos surfistas ali terminou e não ficou com a mão na perna ali de cansado. Todo mundo extrapolou e cansou, porque são 55 segundos a 110% usando toda a força. Realmente tem que ser um ‘Iron Man’ pra aguentar.

Qual vai ser o crescimento do esporte agora que é olímpico?

É algo muito grande. Pra todos os países onde tem o esporte ele vai crescer. Principalmente o Brasil que tem totais chances de medalhas. Vão abrir novos caminhos, com certeza.

foto: @iangouveia

Você sempre diz que viajar é maravilhoso e não cansa. Mas existe alguma coisa ruim na vida do surfista profissional, do competidor?

A gente vai pro outro lado do mundo, fica longe da família. Aí perde uma sequencia de eventos de primeira, às vezes é um pouco pesado. Eu vejo muitos surfistas reclamando de viagens e pressão. Particularmente… alguma vez já reclamei, mas quando paro e penso, não reclamo não. Sei que futuramente vou sentir falta disso, é muito bom viajar e competir.

por @thiago_blum

com colaboração de @mauferreirajr

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