Jadshow 2018! E vai ter mais em 2019!
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Jadshow 2018! E vai ter mais em 2019!

De volta ao CT, potiguar espera ter o melhor ano da carreira

Thiago Blum

10 de fevereiro de 2019 | 23h05

Se alguém me pedisse para definir Jadson André em poucas palavras, mostraria imediatamente a foto acima e só depois tentaria descrevê-lo.

O sorrisão define bem o astral deste potiguar que está prestes a completar 29 anos.

E quando o momento é bom como o atual, fica impossível escondê-lo.

O ano passado foi perfeito.

Realizou o sonho antigo de ser campeão brasileiro.

Garantiu de forma emocionante, o retorno à elite do surfe mundial e vai poder voltar a competir em Teahuppo, no Tahiti, onde se fosse possível, gostaria de estar os 365 dias do ano.

foto: WSL

Como adora os tubos, Jadson vai estar no lugar certo a partir do próximo dia 19.

A Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha, recebe a primeira etapa valendo 6 mil do QS do ano.

Além dos pontos valiosos, uma oportunidade de estar mais uma vez no paraíso nacional.

De colocar o surfe no pé e dar a largada na nova volta ao mundo.

Uma temporada longa que já começa vitoriosa.

Jaddy é raça pura.

Guerreiro e extremamente técnico… como vários outros nordestinos que ele faz questão de citar.

Um cara seguro e experiente. Sem jamais abandonar a vibe de garoto.

Jádson comemora volta para a elite da WSL com o amigo e também potiguar Ítalo Ferreira

2018 foi um ano de conquistas. Me conta um pouco sobre a emocionante reta final do tour, que garantiu seu retorno ao CT. 

O Havaí foi alucinante, uma etapa que sem dúvida vai entrar para a minha história, para os momentos mais incríveis da minha carreira. Por muitos motivos: por eu precisar vencer as baterias para garantir minha vaga, pelos vários acontecimentos de 2018. Eu cheguei lesionado, com alguns problemas de saúde, tomando antibióticos e tava bem fraco. Em Haleiwa (local da 1ª etapa da Tríplice Coroa Havaiana), o resultado não podia ser diferente, acabei perdendo logo. E tive que ir para Sunset (palco da 2ª etapa), uma onda que eu conheço e sempre consegui surfar bem. Por isso, tive que trabalhar mais o meu psicológico, era muito mais comigo mesmo do que com o surfe. Deu tudo certo, eu estava com a conexão muito forte com o mar. Fiquei hospedado todo o dia em frente da praia, fiquei meditando, orando… porque era o último evento do ano e aquela seria minha última chance de voltar para a elite.

Além da vaga, você alcançou outra meta no ano passado. Uma busca antiga, certo?

Eu sempre tive o sonho de ser campeão brasileiro. Quando eu fazia parte da elite, eu não podia competir. Então, aproveitei que fiquei fora em 2018 e vi que ia rolar o circuito brasileiro, corri atrás e deu tudo certo. Foi um dos melhores anos da minha vida.

Como está a preparação para a temporada ? O que espera para 2019?

Assim que voltei do Havaí, tive que fazer uma cirurgia de desvio de septo, que me incomodava muito, não conseguia dormir bem, me recuperar bem e acabava me prejudicando muito. Voltei a treinar no final de janeiro/comecinho de fevereiro. Voltei a trabalhar com o Allan Menache – mesmo preparador do Medina – e estamos super empolgados para a temporada, esperando ter o melhor ano de nossas vidas. O Allan treinador do Gabriel Medina já foi duas vezes campeão do mundo e agora é um desafio novo para ele e um momento novo da minha carreira.

foto: João Vieira/@Tudo Pelo Surf

Nos últimos anos, você tem entrado e saído da elite repetidamente. O que fazer para acabar com esse “iô-iô”? O que acredita ser fundamental para alcançar os resultados ?

De 2009 para 2019 são dez anos e eu só fiquei de fora duas vezes. Então acredito que não seria tipo um iô-iô, não me encaixaria nessa situação. Não é fácil ficar entre os 22 melhores do mundo quase uma década. Mas nossos objetivos são muito maiores do que somente ficar ali entre os 22. Quando digo nosso, falo do meu preparador físico, do meu mentor e dos meus apoiadores. Então, trabalhar muito para ser o melhor ano da nossa vida. Estou há algum tempo no circuito e sei o que leva para você conseguir bons resultados, o que deve fazer e o que não fazer. Estou totalmente focado somente para as coisas focadas do surfe: treinar, usar a prancha certa, meditar, treinamento físico e me alimentar bem. Hoje em dia o circuito é muito disputado. São esses mínimos detalhes que fazem a diferença.

O que falar da nossa super seleção brasileira que comandou o mundial no ano passado? Acha que essa supremacia pode ser mantida? Como você se encaixa neste timaço? 

Faz um bom tempo, desde 2010-2011, que eu venho falando que o Brasil tinha a melhor nova geração de surfe do mundo. Sabia que, pelo o que via e acompanhava, eu dizia que o Brasil ia dominar o circuito mundial de surfe e é o que acontece hoje. O país tem o maior número de atletas e nos últimos anos teve um campeão do Havaí e o resto foi tudo brasileiro. Eu fico muito orgulhoso e honrado de fazer parte deste novo momento, desta geração tão vitoriosa. Depois do Adriano de Souza, o fui o próximo a chegar ao circuito e conseguir resultados expressivos, no meu primeiro ano já venci uma etapa e chamou bastante atenção. Depois chegou o Medina e o Miguel, o Filipe… e cada vez foi só melhorando.

Com a sua chegada, o país agora tem 3 representantes (você, Ítalo e Silvana) do Nordeste na elite. O que o nordestino tem que ninguém tem?

Cara, não sei explicar (risos). A turma do Nordeste é guerreira, que sempre batalha e corre atrás dos objetivos.    No Rio Grande do Norte sempre tivemos atletas que representaram muito bem, assim também os cearenses,  Heitor Alves, Tita Tavares e agora com a Silvana Lima. No RN, o Aldemir Calunga, Marcelo Nunes, Danilo Couto, Joca Júnior e Émerson Marinho. Espero que a gente continue representando bem não só o país, mas também nosso estado.

Quais são os seus lugares preferidos para free surfe e competição? 

Sempre falo que meu lugar favorito é o Tahiti. Por mim, o circuito mundial seria todo lá em Teahuppo, daí você tira o quando eu gosto daquela onda.

Colocando pra dentro na esquerda perfeita de Teahuppo, sua onda favorita

Quando não está no mar, o que gosta de fazer? E onde é o melhor lugar do mundo para estar?

Gosto de uma boa conversa com os amigos, assistir filme e jogar jogos. Amo viajar, mas quando volto pra casa, em Natal… Ponta Negra… sem dúvida é uma sensação única, principalmente quando a gente tá muito tempo viajando. O circuito começa em fevereiro e só termina em dezembro, tem uma hora que só que você quer é voltar pra casa.

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