Lembranças da adolescência
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Lembranças da adolescência

Impossível esquecer aquela semana histórica na Joaquina

Thiago Blum

04 de fevereiro de 2020 | 12h57

‘Hang Loose Pro Contest 86’ – Praia da Joaquina

Falta uma semana para o Brasil receber mais um evento da WSL.

E o nome do evento – ‘Oi Hang Loose Pro Contest – me faz voltar mais de 3 décadas.

O ano era 1986.

E já devorava as revistas especializadas.

Fluir e Visual Esportivo eram leituras obrigatórias.

Viajava o mundo todo pelas páginas do esporte que tentava a praticar nas ondas de Guaecá, Camburi e Maresias.

Vivíamos a ‘Era dos Tom’.

O australiano Carroll tinha ganhado o bi em 83/84.

O americano Curren defendia o título conquistado em 85.

Vídeos eram raros.

Ver os caras em ação ao vivo então, nem imaginava.

Estava no 1º colegial – o Ensino Médio da minha época.

O Colégio Logos era uma festa para a galera.

Garotas e garotos desfilavam bronzeados depois do fim de semana se sol no litoral.

As conversas sobre as ondas dividiam as preferências com os jogos de futebol de salão e vôlei durante os intervalos.

E folheando uma nova edição, vi o cartaz.

O que?

Uma etapa do Mundial da ASP no Brasil?

Difícil de voltar pra sala de aula.

Como assim? Em Florianópolis!?!?

Chance zero de ir até lá.

Aí o Renato – que sentava atrás de mim – soltou a frase:

– O Marcelinho vai!

– Que Marcelinho?

– Do 2º B!

– Sério?

– Vai!

O Marcelinho – que anos depois virou fotógrafo – tinha casa em Ubatuba e pegava onda.

Não consigo me lembrar de querer estar mais na pele de alguém em toda a minha vida.

E nem amizade com ele eu tinha.

Enfim…

Mal sabia que a semana de 6 a 14 de setembro daquele ano entraria para a história do surfe brasileiro.

E que o que rolou por lá jamais sairia da minha cabeça.

O ‘Hang Loose Pro Contest 86’ foi épico.

Praia lotada.

E vários dos melhores surfistas do mundo nas perfeitas esquerdas da Praia da Joaquina.

O título ficou com o australiano Dave Macaulay.

Sérgio Noronha, ainda amador, ficou em 5º lugar e foi o melhor brasileiro.

Dave Macaulay comemorando o título

O resultado não importava.

Queria encontrar o Marcelinho.

Conversar com ele, ver as fotos.

Lembro de ter conseguido.

Era como se tivesse circulado pelas dunas de Floripa.

Mas tinha mais.

Semanas depois, talvez meses, saiu o filme oficial do campeonato.

Comprei o VHS e não me cansava de rever as imagens ao som de ‘Surfin Bird’, na versão dos Ramones.

Que momento!!!

Fabinho e Teco nos tempos da Hang Loose

Já faz mais de 33 anos.

Era a porta aberta de vez para o Brasil voltar ao Circuito Mundial.

A largada para entrarmos definitivamente no mapa.

Para termos nomes fixos entre os principais atletas no cenário internacional.

Teco Padaratz e Fabinho Gouveia assinaram com a marca.

Em 87 e 88 a capital catarinense recebeu o tour novamente… e Tom Carroll ganhou as duas.

A Hang Loose virou sinônimo de sucesso dentro e fora da água.

Até hoje é.

De lá pra cá… 32 edições realizadas.

E Fernando de Noronha, vai receber a 33ª.

Etapa do WQS, valendo 5 mil pontos para o campeão.

Mais um capítulo.

Esperadíssimo!!!

Que 11 de fevereiro chegue logo!!!!

E que os tubos da Cacimba do Padre seja palco de mais um show!

por @thiago_blum

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