Meta traçada: ‘Voltar para o WT’
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Meta traçada: ‘Voltar para o WT’

Alejo Muniz foca na busca pelo retorno à elite da WSL

Thiago Blum

07 de março de 2020 | 11h30

Por enquanto, foram 3 etapas disputadas na temporada.

Com resultados ainda modestos.

9º em Fernando de Noronha.

17º em Avoca Beach e Newcastle, ambas na Austrália.

Apenas um início… de um novo recomeço.

Pai super dedicado, com 30 anos recém-completados e mais de uma década competindo ao redor do planeta, Alejo Muniz sabe bem o que quer.

Depois de um 2019 complicado por causa de lesão, ele está de volta com tudo no WQS.

De olho no retorno à elite do circuito mundial.

Nessa entrevista concedida antes da estreia no tour de 2020, encontramos um cara tranquilo, de fala mansa.

Só que visivelmente focado. Com a fome certa para estar entre os principais surfistas da atualidade.

Uma posição que não é pra qualquer um.

Mas com certeza… há espaço pra ele.

Como foi superar as lesões para chegar neste 2020?

Operei uma vez cada joelho. Ano retrasado eu praticamente me classifiquei pro WT, fiquei por 3 vagas só e tava me sentindo muito bem. Falei: “ano que vem é o ano que vou entrar”. Aí na primeira etapa – em Noronha – acabei machucando o outro joelho. Desta vez eu consegui aceitar muito mais fácil, já sabia todo o processo, então fiquei muito mais tranquilo, saberia que iria me recuperar 100% para estar pronto. Tô conseguindo treinar bastante a parte física e o surfe.

Qual sua meta para a temporada?

É voltar pro WT. Eu sei que tenho merecimento de estar lá. Quero provar pra mim mesmo que eu consigo estar lá e ir bem. É um campeonato de cada vez, a nossa temporada é muito longa, começa em fevereiro e termina em dezembro, e vai desgastando durante o ano. Mas acredito que estou preparado.

O que fez o Brasil através dos anos chegar neste cenário que temos hoje?

O Brasil sempre foi forte no surfe. As gerações anteriores tiveram que batalhar muito, porque não tinham tanto apoio e recursos, começavam a viajar depois de muito tempo. E eles que abriram as portas para deixar o esporte onde está hoje. Fora o talento desta geração atual, eu uso a expressão ‘sangue no olho’ que a galera tem na hora que vai competir, sem importar contra quem está na água. Antigamente o pessoal ficava assim ‘pô, vou competir com um cara que foi campeão mundial, vou competir contra um ídolo’. Hoje em dia não, essa ‘Brazilian Storm’… os caras vieram pra vencer quem for, a qualquer custo, com a competição correndo mesmo na veia… tudo aliado a muito mais oportunidades dos patrocinadores. Tá puxando todo mundo e são todos jovens, isso que é lega. Gabriel, Filipe e Ítalo que estão liderando, tem 25 anos ainda, então vão dominar durante muitos anos.

Você acredita na possibilidade de Ítalo e Gabriel no pódio dos Jogos Olímpicos de Tóquio?

Ah, com certeza absoluta. Pode escrever o que eu tô falando, medalhas de ouro e de prata… certeza. Do jeito que eles estão surfando, que se preparam, as pessoas que estão em volta. O lugar que vai ser no Japão, as ondas são muito parecidas com o que a gente tem no Brasil e isso favorece muito. É o campeão e o vice da última temporada, o Medina jé tem 2 títulos… o surfe vai trazer duas medalhas. Difícil dizer que leva o ouro, ambos estão muito preparados para vencer.

Muita gente pode não lembrar, mas você foi decisivo no 1º título mundial do surfe brasileiro, o do Gabriel Medina em 2014.

Foi um campeonatos mais especiais da minha carreira, apesar de não ter conseguido fazer a final pra me reclassificar e acabei perdendo nas quartas de final. Mas na questão de valor de baterias e campeonatos, foi um dos maiores títulos que tenho até hoje. Tirar o Kelly Slater e o Mick Fanning na última etapa – em Pipeline que é uma onda histórica – e poder antecipar o título do Gabriel. Ele ia ser campeão de qualquer jeito, o ano que ele teve foi incrível, eu só antecipei. Eu tava ali dentro, me arrepia só de lembrar. Consegui tirar os dois caras e fui a segunda pessoa a abraçar ele dentro d’água… poder comemorar e sentir aquela energia. Acabei me juntando nessa história com o Gabriel, pra mim é um título e jamais vou esquecer.

entrevista para Thiago Kansler / Bandsports

por @thiago_blum

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