O que acontece com os australianos?
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O que acontece com os australianos?

Maior vencedor, país 'amarga' falta de títulos e de revelações

Thiago Blum

10 de abril de 2019 | 13h04

Mark Richards: 5x campeão mundial – 1973 e 79-82

Mark Richards, Tom Carroll…

Damien Hardman, Barton Lynch, Mark Occhilupo…

Mick Fanning, Joel Parkinson.

São alguns dos campeões.

Gary ‘Kong’ Elketon: um dos principais nomes da Austrália, 3x vice-campeão mundial

Nicky Wood, Gary Elkerton, Dave Macaulay…

Luke Egan, Dean Morrison, Taj Burrow, Bede Durbidge…

Nomes que marcaram época em sessões de free-surfe e nas competições.

Só para citar os que vieram à mente no momento que escrevo.

Faltam muitos, com certeza.

Afinal de contas, a grande ilha da Oceania sempre foi a maior potência do surfe.

Com 20 conquistas, é o país com o maior número de títulos no masculino.

Desde os tempos da ISF, que virou IPS, depois ASP e agora WSL.

Barton Lynch: campeão mundial/88

Em se tratando de Austrália, é possível afirmar sem receio: a galera ‘aussie’ amarga uma fila de 5 temporadas.

Mais que isso: o que preocupa é que, ao contrário de Estados Unidos e Havaí – e não vou nem citar o Brasil por motivos óbvios -, não tem surgido em nenhum cantinho das milhares de praias do país algum fenômeno capaz de brigar pelo caneco nos próximos anos.

A tal ‘troca de guarda’, a passagem do bastão das gerações, não desembarcou por lá.

Gabriel Medina, Filipe Toledo e Ítalo Ferreira carregam cada vez mais brasileiros para o tour.

John John Florence: bicampeão mundial – 16/17

Do Havaí, veio John John Florence, jovem e bicampeão mundial.

Ezekiel Lau seguiu a trilha.

Seth Moniz, 3º do QS em 2018, é uma aposta certa na elite.

Pelos Estados Unidos, Kolohe Andino, Conner Coffin e Griffin Colapinto não serão Kelly Slater, mas aparecem com frequência nas finais.

Mick Fanning: tricampeão mundial foi o último australiano a vencer o circuito, em 2013

Mas e a Austrália?

Por que desde Mick Fanning e Joel Parkinson não aparece alguém tão vencedor?

Tá bom.

Você pode estar pensando: ‘O Thiago Blum esqueceu do Julian Wilson? O cara quase tirou o título do Medina ano passado!’

Julian Wilson: vice-campeão mundial em 2018

Não esqueci, não. É verdade que JW tem potencial além do limite para ser campeão.

Mas a cada temporada que passa, a cada ‘batida na trave’, acredito que ele fica mais distante do sonhado troféu.

Pode ser só um feeling e talvez queime a língua.

Mas pra mim, é a versão renovada do Taj Burrow, que fez… fez… fez… merecia e não levou.

Taj Burrow – foto: WSL

Owen Wright e Wade Carmichael também terminaram 2018 no top 10, e devem permanecer por ali por um bom tempo.

Mas tenho meus motivos para não colocá-los na rota do título.

Owen não é garoto. É um verdadeiro paizão e sei o bem que um filho faz na vida de um homem dedicado à família.

As prioridades mudam.

Wade Carmichael foi o único australiano nas quartas de final do Quiksilver Pro – foto: WSL

Wade tem uma linha clássica, parecida com a dos caras que fizeram história nas décadas passadas.

É bonito vê-lo em ação.

Foi o único surfista local que chegou nas quartas de final da etapa de abertura da WSL, nesta semana, em Duranbah.

Mas acredito que falta raça, sangue nos olhos.

Até existe a galera ‘down under’ mais nova.

Só que caras como Ethan Ewing, Connor O’Leary, Jack Freestone, Ryan Callinan e Stuart Kennedy, do mesmo jeito que chegam na elite, saem dela quase despercebidos.

Mikey Wright – foto: WSL

Há esperança? Sim.

Seu nome? Mikey Wright.

O cara que entrou no circo como ‘o irmão mais novo do Owen e da bicampeã mundial Tyler Wright’.

Foi o rótulo dado ao cara cheio de personalidade. De visual e postura originais.

Mas o cartão de visitas ele apresentou mesmo dentro d’água.

Como convidado, disputou 8 etapas em 2018. Chegou a duas semifinais e terminou em 12º no ranking.

Soli Bailey: primeiro atleta a representar a bandeira aborígene no CT

Ou então… quem sabe um aborígene não reescreva a história e recoloque a Austrália no rol dos campeões?

Soli Bailey entrou na principal divisão pelo QS.

Na estreia, parou em Filipe Toledo e terminou na 17ª colocação do Quiksilver Pro.

Stephanie Gilmore: 7x e atual campeã mundial

Em tempo: claro que não ia deixar escapar uma tremenda barriga, um esquecimento absurdo após quase uma coluna inteira.

Essa tal carência de revelações e o distanciamento dos títulos servem só para os homens.

Afinal, nas últimas 14 temporadas, 11 foram vencidas pelas meninas da terra do canguru.

7 delas pela atual campeã, Stephanie Gilmore.

Vamos acordar, rapaziada!!!!!

por @thiago_blum

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