SOS praias!
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SOS praias!

Reveillón foi mais uma prova de que o ser humano não liga mesmo para a vida

Thiago Blum

02 de janeiro de 2021 | 15h15

reprodução / instagram: @aleko_stergiou

Não é nenhuma novidade.

Mas as imagens que não mais surpreendem… sempre machucam.

Nos mostram a face da maioria.

De gente que só se preocupa com o próprio umbigo.

E olhe lá…

A demonstração de desrespeito com a vida acontece diariamente.

E se eleva à potência de milhão nas festas de fim de ano.

As fotos desta reportagem foram “roubadas” de pessoas que se entregam.

Que escolheram areias e mares para trabalhar e criar suas famílias perto da natureza.

Em busca de prazer e qualidade.

Gente obrigada a ver e conviver com o abuso da falta de educação.

reprodução / instagram: @aleko_stergiou

Frequento o litoral norte de SP há mais de 40 anos.

Um paraíso a menos de 3 horas da capital, capaz de apaixonar desde a primeira visita.

Um lugar que logo nos faz chamar de “nosso”.

Já curti muito Maresias, mas meu cantinho ideal sempre foi a também linda, porém mais calma Guaecá.

Mas falemos da que sempre foi a mais querida e desejada por muitos.

Ótimas ondas. Gatas e gatos. Baladas.

Sinônimo de status.

O point perfeito.

Nada de errado nisso.

Mas o bônus de estar no “lugar certo”, é incapaz de não enfrentar o ônus da alta procura.

reprodução / instagram: @miguelpuposurf

A virada 2020-2021 ganhou um capítulo pra lá de especial.

Levado de maneira quase que usual por políticos, comerciantes e turistas.

São Sebastião não atendeu à determinação da “fase vermelha”.

E se abriu normalmente.

Assunto polêmico?

Não pra mim.

Saúde deve sempre ser prioridade.

Só que as praias foram liberadas… e claro, ficaram cheias.

O “esquecimento” sobre a evidente transmissão deliberada de um vírus que não descansa, é a prova do descaso pela vida.

Do amor próprio… e pelo próximo.

Um tema que confesso, já cansou… mas que não podemos abdicar.

A ciência não cansa e trabalha.

E por mais que a espera seja longa, a prevenção está no nosso horizonte.

reprodução / instagram: @gabrielmedina

Já para o lixo, levado e deixado por porcos… não há vacina à vista.

Consumo… uso e abuso… e despedidas já prontas para o ‘oi’ do próximo feriado.

Uma realidade deplorável, que não é exclusividade de Maresias.

Medina e os irmãos Miguel e Samuel Pupo mais uma vez viram o terror passar à frente de casa.

Como muitos outros de norte a sul, dos mais de 9 mil km da nossa costa.

Mas indignação não basta. É preciso lutar.

Assino embaixo das palavras de Aleko Stergiou.

Mestre da fotografia.

Dono de clicks que nos fazem viajar no belo.

No melhor swell.

Na tranquilidade do dia a dia.

Mais uma vez obrigado a registrar a barbárie.

“Para alguns pode estar parecendo que sou repetitivo, mas é inaceitável ver estas cenas e ficar quieto. É simplesmente uma vergonha o que está acontecendo na praia de Maresias, um lugar que deveria ser um exemplo, o cartão postal de São Sebastião. Uma das praias mais famosas do mundo, jogada as traças. Eu sou um defensor da natureza, das praias, só queremos viver com dignidade, de poder levar nossos filhos para a praia, de ver o mar limpo, de ouvir o som das ondas, mas estamos longe disso. Há dias os pancadões estão destruindo diariamente essa praia afastando as famílias e o verdadeiro turista. Casas de aluguel com 30, 40 pessoas, casas noturnas fazendo festas, bandos com suas caixas de som, tudo regado a muitas drogas, muito álcool, menores e muitos jovens embriagados, violência, uma completa falta de educação. Hoje, mais uma vez Maresias amanheceu assim, devastada. Até quando vamos ter que engolir isso?????? Infelizmente esse paraíso virou um lugar sujo, fedido e abandonado. Que tristeza”.

reprodução / instagram: @aleko_stergiou

Há quem diga que “falar é fácil”.

Concordo.

Tão fácil quanto fazer sua parte.

Óbvio, não?

Parece que não.

Se fosse, não teríamos que aceitar e considerar normal o que disse Edinho Leite – outro amigo craque – que cuida e vive das nossas ondas.

No post acima, ele comentou: “É a cara do nosso povo. É a cara triste deste país”.

Concordo de novo.

Mas não vou desistir.

E sei que não estou sozinho!

por @thiago_blum

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