“Uma onda que me agrada, um lugar favorito de competir”
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“Uma onda que me agrada, um lugar favorito de competir”

Willian Cardoso acredita em bom resultado na etapa de Bells Beach, que começa na terça-feira

Thiago Blum

14 de abril de 2019 | 15h04

foto: WSL

Um ‘veterano’ com espírito jovem.

Um atleta que deu a volta ao mundo várias vezes para atingir o objetivo merecido.

E quem pensa que Willian Cardoso acha que a chegada à elite da WSL demorou, a resposta é serena. Bem diferente do estilo pesado que ele mostra na hora de atacar as ondas: “A gente não escolhe quando a porta vai abrir e a gente vai entrar. Talvez eu tivesse que esperar todo esse tempo para ver o meu caminho”.

Quando a porta se abriu, ou melhor, foi arrombada por ele, não era possível mais detê-lo.

Panda chegou ao CT e não precisou de muito tempo para apresentar as garras.

Conquistou bons resultados. Foi campeão na etapa de Uluwatu, na Indonésia. E fechou o ano de estreia na 13ª posição.

Com manobras como essa, Panda atropelou os adversários para vencer pela 1ª vez na elite – foto: WSL

Resultados que ele pretende superar em 2019.

Na abertura da temporada, foi eliminado nas oitavas de final diante de Ítalo Ferreira, o campeão na Gold Coast.

Direto da Austrália, onde se prepara para a etapa de Bells Beach – onde conseguiu um 5º lugar em 2013, derrubando inclusive Kelly Slater – ele falou com o Tubos e Aéreos.

Em 2013, Willian Cardoso venceu Kelly Slater e terminou em 5º na etapa de Bells Beach

A temporada 2018 foi sua primeira no CT. Mas desde o ano passado, sempre me pareceu que você estava na elite há vários anos. Em nenhum momento, ficou a sensação de estreante. É sinal de experiência?

Pelo fato de tanto tempo de estrada – estar mais centrado – não deixar a bagunça do circuito mundial não me abalar. O cara sempre fica um pouco mais querendo aproveitar tudo o que acontece. Pelo fato de ter competido várias etapas ao longo destes anos como ‘wild card’ e ter conseguido um grande resultado em Bells em 2013, me deixou mais tranquilo. Na 1ª etapa eu estava bem ansioso, bem nervoso, até vestir a lycra e realmente saber que faz parte do circuito mundial. A partir dali as coisas se encaixaram, com as sequencia de baterias legais que eu fui passando, e as baterias que eu fui derrotado me deram mais força de vontade para querer continuar.

Os juízes, na maioria da vezes, costumam valorizar mais as manobras aéreas e progressivas. Você usa mais borda, o power-surfe, certo? Acha que isso diminui suas notas no julgamento?

A manobra aérea chama mais atenção, quando alguém completa uma manobra dessa acaba tendo uma vantagem, é uma manobra radical e bem moderna. Mas quando o ‘power surf’ é bem executado, realmente fica lindo de se ver. E é o que tenho procurado fazer. Tem os dois lados da moeda, tem ondas que favorecem o ‘power surf’ e tem ondas que favorecem o aéreo. O onda de D-Bah (onde rolou a 1ª etapa do ano) foi uma onda dominada pelo aéreo até a final, tanto que os dois finalistas foram os caras que mais deram aéreos durante todo o campeonato.

Falando nisso, a próxima etapa, em Bells Beach, pede uma abordagem mais clássica, não? Você gosta dessa onda?

Bells e bem mais uma onda de linha. É uma onda que me agrada, um dos meus lugares favoritos de competir, principalmente quando dá altas ondas e favorece o meu tipo de surfe. É um lugar que sempre vejo com bons olhos.

Panda em ação na direita de Bells Beach. No ano passado ele ficou em 13º lugar

Ficou chateado por Uluwatu não entrar no calendário? Seria incrível voltar lá, não?

Gostaria de ver mais esquerdas no circuito e Uluwatu foi realmente um evento fantástico, não só pelo fato de ter ganhado, mas por ter dado altas ondas nos dois dias. Realmente seria um prazer poder voltar a competir lá sendo o defensor do título. A gente fica com um gostinho de querer mais, sabe? Foi um evento que ficou marcado e vamos ver no futuro o que acontece.

De todos os eventos da WSL, tem algum preferido? E algum que não gosta?

Eu sempre gosto de competir e Bells e acho Jeffreys Bay uma onda alucinante. Tem aquele de criança, de desenhar as linhas no caderno imaginando Jeffreys. E Bells tem toda a história, a tradição.

Fazendo valer o apelido na etapa do Surf Ranch – foto: WSL

O que achou do campeonato na piscina, que foge completamente dos padrões dos outros eventos?

Quando entra algo novo no circuito, acaba tendo pontos positivos e negativos. Acho que tem várias coisas que podem melhorar, e outras que realmente perdem um pouco o significado do surfe de competição. Mas é o momento de olhar pro futuro e ali existe a possibilidade de ter um grande crescimento, de aparecer grandes atletas e campeões. Poder levar o surfe a várias cidades do mundo, onde até então não teria como. Só acho que a onda é muito longa, exige muito tempo de performance. Se fosse mais curta teria mais dinâmica mais engajamento e técnica, do que uma onda tão repetitiva. Acho que poderia inovar de uma outra forma.

O placar das vitórias em 2018 foi Brasil 9×2 Austrália. Nosso time é o país a ser batido. Acredita que é possível repetir essa performance?

O Brasil está em um grande momento. O que acontecia com a Austrália alguns anos atrás, agora é o Brasil, é o país a ser batido. A gente está aí para incomodar. Enquanto deixarem 10 segundos de esperança, a gente pode ir lá e fazer o nosso. Estamos no melhor momento do circuito mundial.

Campeão em Uluwatu no ano passado – foto: WSL

Ano passado você terminou em 13º no ranking. Quais são as metas para essa nova temporada?

Foi um ano incrível, de aprendizado e grandes conquistas. Consegui dois grandes resultados na perna da Indonésia, que me deixaram nesta colocação. Teve outros eventos que poderia ter ido melhor, mas por azar ou ter competido da forma que eu tinha pensado e visualizado, as coisas acabaram dando errado. Talvez tivesse terminado numa colocação melhor.  Quero melhorar esse ano, subir algumas posições e ficar melhor qualificado no fim do ranking. É um campeonato bem longo, cheio de desafios e grandes atletas, mas é possível. Me vejo surfando super bem, minhas pranchas estão super encaixadas, então estou em um grande momento.

Rasgando forte em Uluwatu – foto: WSL

Se você fosse o repórter, o que perguntaria a Willian Cardoso? O que gostaria que as pessoas soubessem, que nunca te perguntam?

Me perguntam sobre ter chegado tão tarde no circuito. A gente não escolhe quando a porta vai abrir e a gente vai entrar. Talvez eu tivesse que esperar todo esse tempo para ver o meu caminho. Se tivesse entrado mais cedo, talvez as coisas não estivessem dando tão cerro como agora. Feliz das coisas terem acontecido no momento certo, com família, filho… todo mundo bem preparado para esse momento. São quase 9 meses na estrada, sempre competindo, e vamos firmes e fortes

por @thiago_blum